Deputados destacam legado da Revolução Russa

via Blog do Renato Rabelo

SESSÃO SOLENE REVOLUÇÃO DE OUTUBRO - 25-10-2017

A Revolução de Outubro de 1917 foi tema de sessão solene na Câmara dos Deputados

Assim como na Revolução Francesa, a reorganização da sociedade russa adveio dos desejos populares por mais participação, mais democracia, mais oportunidades e menos privilégios às classes dominantes na Rússia do Czar.

Para o deputado comunista Daniel Almeida (BA), muito do que se tem hoje de direitos foram inspirados e construídos a partir da experiência da União Soviética. “Portanto, comemorar 100 anos é resgatar essa possibilidade do novo, do revolucionário. Resgatar o sonho, da utopia se materializar”, enfatizou o parlamentar.

A forte presença das mulheres nas mais diversas lutas da história foi exaltada por Ana Maria Prestes, doutora em Ciência Política e representante da Fundação Maurício Grabois. “Já em 1917, Alexandra Kollontai era na época a única mulher membro do Comitê Central do Partido. E ela deixou uma pauta, uma agenda que nós mulheres do século 21 ainda tateamos. Em pouco tempo, ela fez com que a mulher russa tivesse direito ao aborto, ao divórcio civil, direito ao trabalho”.

Alexandra Mikhailovna Domontovich nasceu, em 31 de março de 1872. Foi figura histórica nas lutas das trabalhadoras russas por seus direitos, contra a exploração capitalista, o conservadorismo e o machismo.

De acordo com a presidente nacional do Partido Comunista do Brasil, deputada Luciana Santos (PE), a atualidade da resistência socialista está demonstrada na incapacidade do capitalismo de resolver as mazelas da desigualdade. “Nós vivemos o mundo da guerra, da concentração de renda, de bilhões que vivem abaixo da linha da pobreza. De um mundo em que o capital especulativo representa três vezes o PIB (Produto Interno Bruto) de todas as nações”.

“É um sistema que vem perdendo na geopolítica a sua força unipolar e criando vários pólos, entres eles a experiência do socialismo nos países em que esse está se desenvolvendo. Num momento como esse legados e lições precisam cada vez mais ser afirmadas”, disse Luciana.

O surgimento do socialismo alimentou no Brasil e no mundo a esperança de um futuro livre da exploração, da opressão e da miséria. A experiência soviética teve repercussão em todo planeta e impactou a formação dos Partidos Comunistas em todos os países, inclusive a criação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), fundado em 1922.

Entre as ideias poderosas que atravessaram o século passado, o socialismo apresentou ao mundo os princípios para a formação dos direitos sociais e dos trabalhadores. A Revolução Russa de 1917 foi responsável pela ruptura com o capitalismo, apresentando uma nova configuração do Estado que estivesse à serviço e fosse controlado pelo povo.

Fonte: PCdoB na Câmara

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A Revolução não será televisionada – Hoje em Brasília!

Acontece hoje a exibição do documentário “A Revolução não será televisionada”  com um posterior debate com a participação da Embaixadora da República Bolivariana da Venezuela e do Jornalista Renato Rovai.
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Segunda-feira 08/06/2015 às 19h
Teatro dos Bancários 314/315 Sul
Entrada franca

Chamada para o evento, da Rádio Cultura FM de Brasília:

Cuba procura seu caminho e se preserva uma nação altiva

Por Lalo Leal

Cuba vinha recebendo em média 2,5 milhões de turistas por ano. No primeiro trimestre de 2015, já chegam a 1 milhão. Isso sem que ainda tenham sido restabelecidos voos regulares com os Estados Unidos. Do Brasil, apenas uma agência de viagens coloca por ano em Cuba cerca de mil visitantes. A tendência é que em pouco tempo a ilha do Caribe, pouco maior que Pernambuco, receba tantos turistas quanto todo o Brasil.

Essa indústria foi implementada nos anos 1990 como forma de enfrentar a crise decorrente do fim do campo socialista combinado com o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, em vigor desde 1962. Se de um lado a política contribuiu para aliviar agruras econômicas, de outro trouxe para dentro do país hábitos e comportamentos diversos dos padrões igualitários de vida adotados pelos cubanos.

Músicos em Cuba / Foto: Lalo Leal
Músicos em Cuba / Foto: Lalo Leal

À semelhança do Buena Vista Social Club, brotam músicos que seguem levantando plateias, ao lado de conjuntos jovens de jazz com fortes sabores latinos. Vidas que pulsam.

No entanto, em uma visão impressionista, circulando alguns dias por Havana é possível perceber que a contaminação turística não tirou dos cubanos a altivez cunhada numa longa história de lutas em busca da soberania. Turistas são assediados por ofertas de serviços e produtos como em qualquer outro destino semelhante existente no mundo.

Mas tanto esses cubanos como principalmente aqueles que atuam em hotéis, restaurantes e lojas tratam os clientes de igual para igual, sem arrogância, mas nunca com submissão. Comportamento semelhante e decorrente da própria postura da nação, capaz de enfrentar da mesma forma os desafios impostos ao país há mais de meio século pela maior potência bélica do mundo, situada a poucos quilômetros.

“Pela primeira vez, na história da América Latina, uma revolução nacional deixaria de dissociar o elemento nacional do elemento democrático e, ao vencer, a ideia de nação arrasta com ela a construção de uma ordem social inteiramente nova e socialista” (Florestan Fernandes)

A altivez não se resume ao relacionamento turístico. Revela-se cada vez mais na discussão dos problemas internos. A universalização dos serviços públicos de educação e saúde, bem como a garantia de uma cesta básica de alimentação para todos, já não bastam. Passa-se a discutir a qualidade desses e de outros serviços, e as formas de colocá-los em prática.

Entre elas está a abertura mais recente de alguns setores da economia para prestadores de serviços “por conta própria”, como restaurantes e transportes de passageiros, dentro de limites estabelecidos em lei. Se a construção do socialismo cubano não foi fácil, sua consolidação em um mundo claramente hostil requer extraordinária habilidade política. Trabalho que inclui tanto as medidas internas mencionadas como a busca do reatamento de relações diplomáticas com os Estados Unidos, sem no entanto deixar de censurá-los por sua atitude belicosa diante da Venezuela.

Tudo isso, muitas vezes, passa despercebido pelo turista, especialmente o brasileiro de classe média que vai a Cuba e mede o país com sua régua capitalista. Pode ser pedir muito, mas seria interessante que antes de viajar folheassem o livro do professor Florestan Fernandes Da Guerrilha ao Socialismo: A Revolução Cubana. Diz ele, em trecho ressaltado no prefácio pelo professor Antonio Candido: “Pela primeira vez, na história da América Latina, uma revolução nacional deixaria de dissociar o elemento nacional do elemento democrático e, ao vencer, a ideia de nação arrasta com ela a construção de uma ordem social inteiramente nova e socialista”.

Entender essa nova ordem é fundamental, com seus avanços e recuos, erros e acertos. A leitura e a reflexão de trechos como esse tornariam a viagem mais proveitosa, acrescentando às praias e aos mojitos uma experiência de crescimento intelectual e espiritual inigualável. Sem falar da riqueza melódica a acompanhá-los por toda a parte.

À semelhança do Buena Vista Social Club, brotam conjuntos de músicos e cantores que, aos 70, 80 anos, seguem levantando as plateias com suas vozes e ritmos, ao lado de conjuntos jovens de jazz com fortes sabores latinos. Vidas que pulsam entre a defesa das conquistas obtidas e a busca de condições de vida mais confortáveis. Compreender esse desafio é tarefa fundamental para apoiar um processo histórico inédito no continente, onde a solidariedade busca se sobrepor ao individualismo.