A vingança da burguesia

Por Pedro César Batista

 

1 – No Brasil, entre 1964 e 1985, a ditadura civil-militar que chegou ao poder, usando o argumento do combate a corrupção, não teve escrúpulos em perseguir, torturar e matar, a fim de servir aos interesses do grande capital. Foram anos de entregas e saques das riquezas nacionais para a burguesia, milhares de torturados e mortos. Decorridos 31 anos, mesmo com todos os criminosos devidamente identificados, os fatos comprovados e com o relatório oficial da Comissão Nacional da Verdade detalhando todos esses crimes, os responsáveis permanecem impunes.

2 – Na luta pela redemocratização do país todas as forças contrárias ao arbítrio se uniram. O PT ao chegar ao governo em 2002 simbolizou a esperança de serem realizadas as reformas necessárias: política, tributária, agrária, sanitária, urbana e assegurar a apuração dos crimes da ditadura e a devida punição dos criminosos. As reformas não foram feitas, a apuração do período de escuridão da ditadura foi feita, mas os criminosos seguiram impunes. O PT no lugar de aprofundar a democracia sustentou-se politicamente com as mesmas bases fisiológicas do governo FHC e das oligarquias. Um grande erro.

3 – Mesmo o artigo 224, da Constituição Federal, assegurando a criação de um Conselho para definir as regras para democratizar as comunicações no Brasil, nada foi feito, nem mesmo pelo governo petista. Isso permitiu que os principais veículos de comunicação, especialmente a Rede Globo de Televisão, nascida como suporte da ditadura, desenvolvesse ao longo desses anos uma campanha continua contra os que combateram a ditadura e o governo petista. O que fazem nestes últimos anos, meses, semanas e dias, é a reafirmação de um discurso inverter os fatos, visando responsabilizar aqueles que não são de seu grupo pelo saque do Estado e das riquezas nacionais que a burguesia pratica secularmente.

4 – Em 14 anos de governo petista, mesmo sem a realização das reformas necessárias, foi realizada uma profunda mudança socioeconômica no país, com a execução de políticas sociais, como os programas Bolsa Família, o ENEN, o Pró-UNE, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, Cisternas, entre outros que permitiram a ascensão ao consumo e melhoria na qualidade de vida de milhões de habitantes, os quais antes viviam em completa exclusão. Essa mudança nunca foi aceita pelas oligarquias.

5 – O capital internacional nunca deixou de lado seus interesses econômicos. Financiaram e organizaram os golpes na América Latina, desenvolvem uma ação criminosa no Oriente Médio e Norte da África, com a invasão, por meio de mercenários ou mesmo diretamente, na Líbia, no Iraque e na Síria. Atuam de forma feroz contra os governos da Venezuela, Equador, Bolívia e Brasil. Conseguiram eleger um títere na Argentina. O grande capital é uma verdadeira águia de rapina que não tem pátria, interessando-lhe apenas assegurar a concentração e o aumento de suas riquezas. O petróleo é a meta no Brasil, Venezuela e Ira, assim como foi o motivo da invasão no Iraque e na Líbia.

6 – O poder judiciário, através de Moro, atua de forma arbitrária, aliado a mídia, levando às massas a um sentimento falso de justiça, pois a campanha da mídia contra o presidente Lula e os petistas tem a finalidade de aplicar uma pauta de vingança contra aqueles que, em parte da história, assumiram o protagonismo, deixando de lado a representação da burguesia e permitiram melhorar a vida dos setores mais pobres e explorados. A pauta da vingança da burguesia não se limita a longa campanha que vem sendo realizada pela mídia, essa campanha prende, tortura e mata, assim tem sido feito ao longo da história da humanidade, sempre que os oprimidos ousam enfrentar os opressores, a crueldade se abate contra os rebelados. Isso vem desde Espártacus até os dias atuais. Não importa se a ação se da conforme as regras da democracia burguesa, como foi no Chile, com Salvador Allende, ou na Venezuela, ou aqui no Brasil. Quando a luta dos explorados ousa construir um outro mundo de forma radical, como foi na ex-URSS, as calúnias, mentiras e agressões persistem sem limites. O que a burguesia busca é desanimar a luta dos trabalhadores, retirar o sonho e tentar desconstruir a utopia.

7 – Toda solidariedade ao PT, Lula, seus familiares e a todos que estão sendo violentados pela sórdida campanha da mídia, sustentada por parte de um poder judiciário originário da ditadura e serviçal do grande capital. Assim começou a campanha contra Joao Goulart, com Carlos Lacerda comandando uma cínica campanha contra a corrupção, semelhante ao que a mídia faz agora. A burguesia quer vingar a luta e conquistas do povo. Não nos calaremos, nem recuaremos em nossa caminhada contra a exploração do homem pelo homem e na busca de uma sociedade justa e fraterna. Os fascistas e seus serviçais não passaram e, cedo ou tarde, pagarão pelos seus crimes contra a humanidade.

Beto Almeida: Dilma, Jango, a CUT e as lições da história

Importantíssima a presença da presidenta Dilma Rousseff no 12º Congresso Nacional da CUT, especialmente por trazer de novo ao centro político a relação com as forças dinâmicas que forram decisivas para sua eleição e reeleição. Da mesma forma, são decisivas para a estabilidade do governo, ameaçado pelo golpismo. De nenhum modo se pode permitir a […]
Beto Almeida: Dilma, Jango, a CUT e as lições da história
 Presidenta Dilma Rousseff, durante cerimônia de abertura do 12º Congresso Nacional da CUT – CONCUT. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Por: Beto Almeida

Importantíssima a presença da presidenta Dilma Rousseff no 12º Congresso Nacional da CUT, especialmente por trazer de novo ao centro político a relação com as forças dinâmicas que forram decisivas para sua eleição e reeleição. Da mesma forma, são decisivas para a estabilidade do governo, ameaçado pelo golpismo. De nenhum modo se pode permitir a repetição de erros históricos ante a imperiosa obrigação de defesa da democracia, ainda com as insuficiências evidentes do governo.

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Líderes latinos comentam reeleição e falam em integração local

Os presidentes da Argentina, do Equador e da Venezuela comemoram a vitória da presidenta como um passo a mais para a integração da América Latina

Kirchner publicou imagem com Dilma utilizando a legenda: “Grande vitória da inclusão social e da integração regional”

A presidenta da Argentina Cristina Kirchner celebrou a vitória de Dilma Rousseff nestas eleições como um passo a mais para a integração local e publicando quatro imagens das duas juntas em sua conta no Twitter.

O tema das relações regionais também foi mencionado pelos presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Venezuela, Nicolás Maduro.

Enquanto o primeiro felicitou a presidenta pela vitória “frente a tamanha maldade”, o segundo usou os termos “guerra suja e mentira”. “Parabéns pela coragem e valentia diante de tanta maldade, o povo do Brasil não falhou à História, mil abraços de irmandade…” São termos que foram presentes na própria campanha da petista. Maduro comentou entusiasticamente a vitória de Dilma e a entrevista coletiva que ela deu posteriormente, repostando links e compartilhando atualizações de outros usuários.

Considerado um dos mais importantes jornalistas e escritores internacionais, Glenn Greenwald também comentou a vitória, mencionando artigo que explica que 40 milhões de pessoas saíram da miséria durante os 12 anos de governo do PT.

Victoria de @dilmabr un paso más hacia la consolidación de la Patria Grande

— Cristina Kirchner (@CFKArgentina) 26 outubro 2014

Dilma ha vencido la Guerra Sucia y la Mentira..Pudo más la Verdad de 12 años de un Pueblo que mira al futuro con Esperanza…Felicitaciones.

— Nicolás Maduro (@NicolasMaduro) 26 outubro 2014

Maravilloso triunfo de Dilma en Brasil. Nuestro gigante sigue con el Partido de los Trabajadores. Felicitaciones Dilma, Lula, Brasil!!!

— Rafael Correa (@MashiRafael) 26 outubro 2014

Llegan buenas noticias de Brasil compañeros! Victoria para @dilmabr!

— Tabaré Vázquez 2014 (@Tabare2014) 26 outubro 2014

Dilma wins: “Over past 12 years of Workers’ party rule, almost 40 million people…have moved out of poverty.
— Glenn Greenwald (@ggreenwald) 26 outubro 2014

Em discurso após vitória, Dilma promete priorizar reforma política

Em seu primeiro discurso após o anúncio da vitória do segundo turno neste domingo 26, a presidenta Dilma Rousseff (PT) prometeu executar com prioridade a reforma política, alvo de um plebiscito informal antes do primeiro turno.

“A palavra mais repetida, mais dita, mais falada, mais dominante foi mudança. O tema mais amplamente invocado foi reforma. Sei que estou sendo reconduzida à Presidência para fazer as grandes mudanças que a sociedade brasileira exige. Dentre as reformas, a primeira e mais importante deve ser a reforma política”, afirmou Dilma, ao lado de aliados políticos como o presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A fala da presidenta foi interrompida por gritos de eleitores presentes que protestavam contra a Globo: “O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!”. Os gritos foram ouvidos tanto na transmissão da Globo News como na da própria TV Globo.

“Meu compromisso, como ficou claro durante toda a campanha, é deflagrar essa reforma que é responsabilidade institucional do Congresso e que deve mobilizar a sociedade em um plebiscito por meio de uma consulta popular. Com essa consulta, o plebiscito, vamos encontrar força e legitimidade exigidos no meio desse momento de transformação para levar à frente a reforma política”, disse a presidenta ao garantir que debaterá o tema com parlamentares, movimentos sociais e representantes da sociedade civil.

Depois de uma campanha eleitoral marcada pela troca de acusações de corrupção e irregularidades, Dilma prometeu ainda combater de forma efetiva a corrupção. “Falar da reforma política não significa que eu não saiba a importância das demais reformas que temos de promover”, lembrou a presidenta antes de reclamar do microfone no qual falava (“Oh, gente, esse microfone está uma beleza, hein”). “Terei um compromisso rigoroso com o combate à corrupção, fortalecendo as instituições de controle e propondo mudança na legislação atual para acabar com a impunidade, que é a protetora da corrupção”.

Em resposta a críticas à política econômica de seu governo, a presidenta prometeu ainda solucionar problemas no setor com “ações localizadas” a fim de se retomar o “ritmo de crescimento, garantir os níveis altos de emprego e assegurando também a valorização dos salários”. Além de prometer impulso ao setor industrial, ela prometeu ainda combater “com rigor” a inflação em sua fala marcada por interrupções dos gritos de comemoração da militância.

No discurso, que teve início com agradecimentos aos presidentes dos partidos de sua coligação – como Carlos Lupi (PDT), José Renato Rabelo (PCdoB), Ciro Nogueira (PP), Vitor Paulo (PRB), Antonio Carlos Rodrigues (PR), Gilberto Kassab (PSD), Euripedes Junior (PROS) – Dilma prestou um agradecimento especial ao ex-presidente Lula, a quem chamou de “militante número 1 das causa do povo e do Brasil”.

Ela negou rumores de que a eleição, especialmente o segundo turno, tenham polarizado o eleitorado brasileiro e pediu que a sociedade brasileira se una. “Não acredito, sinceramente, do fundo do meu coração, não acredito que essas eleições tenham dividido o País ao meio. Em lugar de ampliar divergências, de criar um fosso, tenho forte esperança de que a energia mobilizadora tenha preparado um bom terreno para a construção de pontes. O calor liberado no fragor da disputa pode e deve agora se transformar em energia construtiva de um novo momento no Brasil”, disse.

Apesar de não ter citado a vitória do PT sobre o PSDB nem o nome de seu adversário Aécio Neves, a presidenta conclamou a nação a uma união capaz de fazer o País chegar a um consenso. “Algumas vezes na história resultados apertados produziram mudanças mais fortes e mais rápidas do que vitorias muito amplas. É essa a minha esperança, ou melhor, a minha certeza do que vai ocorrer a partir de agora no Brasil. O debate, o embate das ideias, o choque de posições pode produzir espaços de consenso. (…) Minhas primeiras palavras são, portanto, de chamamento à paz e à união”, declarou Dilma como promessa de seu segundo mandato.

Fonte Carta Capital

ARRANCADA DE DILMA PODE FAVORECER ALIADOS NOS ESTADOS

24/10/2014

Agora que o jacaré abriu a boca no gráfico das pesquisas, com uma diferença de seis pontos porcentuais entre as curvas de Dilma e Aécio Neves, a vitória da presidente-candidata tornou-se uma possibilidade mais concreta no horizonte de domingo. A onda pró-Dilma pode favorecer seus aliados que disputam a eleição para os governos estaduais em segundo turno. No primeiro, PMDB e PT, partidos centrais de sua base de apoio, foram os que mais elegeram governadores. Mas no domingo, o PMDB pode conquistar o maior numero de governos estaduais, estando no páreo em oito estados, com chances em ouros quatro.

O PSDB elegeu dois no primeiro, embora tenha perdido Minas e no domingo deve reeleger Marcone Perillo em Goiás, Já o PSB deve sair menor da eleição em que rompeu com o PT para lançar a candidatura de Eduardo Campos, depois substituída pela de Marina Silva. Ganhou em Pernambuco mas perdeu o Espírito Santo no primeiro. Agora deve ganhar o DF mas perder o Amapá. De cinco governadores, cairá para dois ou três. O PT tende a ficar em segundo lugar: elegeu três governadores no primeiro turno e pode ganhar no Ceará e no Acre no segundo.

         Ontem houve debates em todos os 14 estados onde haverá segundo turno no domingo para governador. As disputas são acirradíssimas em pelo menos sete deles, onde a situação ainda é de empate técnico na reta final: Acre, Amazonas, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba e Rondônia.

Os petistas que podem ser favorecidos pela arrancada de Dilma são Tião Viana, tecnicamente empatado como tucano Marcio Bittar no Acre. Camilo Santana, que assumiu a liderança no Ceará contra o peemedebista Eunício Oliveira; e Delcídio Amaral, que enfrenta o tucano Ronaldo Azambuja no Mato Grosso do Sul. Lula e Dilma vêm se esforçando para ajudar o governador Tarso Genro, que tenta a reeleição no Rio Grande do Sul, Tarso Genro, mas a liderança continua com o “azarão” do PMDB de oposição Jose Ivo Sartori.        No Amazonas, depois de perder a liderança na reta final do segundo turno para José Melo (PROS), o líder do governo no Senado, Eduardo Braga, é outro que pode crescer na esteira do arranque de Dilma. A situação lá também é de empate técnico. Outro que pode ser favorecido pela tendência final é Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho, no Pará. Lula e Dilma já estiveram lá fazendo comícios com ele, que enfrenta, em empate técnico, o tucano Simão Jatene.

Em dois estados, a disputa local segue alheia à disputa presidencial. No Rio os candidatos, Marcelo Crivela e Luis Fernando Pezão são aliados de Dilma. E no Distrito Federal, apesar da derrota de Marina, seu candidato Rodrigo Rollemberg (PSB) segue na frente, contra Jofran Frejat, do PR. O PT decidiu não apoiar nenhum deles.

         Um efeito nocivo do sistema de reeleição para o sistema político é o descasamento entre a eleição presidencial, no primeiro turno, e a eleição dos senadores e deputados federais. O grande número de candidatos a presidente contribui para a dispersão dos votos na eleição legislativa, produzindo um quadro como o que teremos agora, com 28 partidos tendo representação na Câmara e as bancadas dos maiores partidos encolhendo, o que não contribui para o bom andamento dos trabalhos legislativos: as negociações serão mais complicadas e o governo, vença quem vencer, terá de fazer concessões. A velha política é uma imposição do sistema, não uma opção pelo “atraso”.   Se a eleição parlamentar estivesse sendo agora, juntamente com o segundo turno presidencial, certamente os dois polos elegeriam um numero muito maior de aliados, fortalecendo tanto a base do futuro governo como a própria oposição.

         Se eleita, Dilma terá o apoio da maioria dos governadores mas no Congresso, ainda terá que negociar para ampliar a base de apoio. Teoricamente, os partidos que a apoiam elegeram 304 deputados mas até os cisnes do Congresso sabem que o fato de pertencer a um partido não garante apoio automático. Fidelidade partidária, entre nós, é apenas uma palavra no jargão político.

         No time dos candidatos que mantêm a vitória do primeiro turno nas sondagens do segundo, está Waldez Góes (PDT), no Amapá. Ele concorre com o atual governador do estado, Camilo Capiberibe (PSB). O pedetista consegue, por ora, a maior diferença entre um primeiro e um segundo lugar na reta final: está com 66% das intenções de voto, de acordo com Ibope divulgado na semana passada, contra 34% do rival.

Tereza Curvinel.
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