VENEZUELA: A DITADURA ONDE O POVO PARTICIPA DAS DECISÕES

Talvez sem o mesmo frisson da promulgação da Constituição Bolivariana de 1999, referendada por voto popular, assim como de outros referendos da era Chávez, a Venezuela promoverá neste domingo, 30/07, a votação para a eleição dos delegados da assembleia nacional constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

A direita venezuelana entendeu a morte de Hugo Chávez como uma fenda de oportunidade política para, com patrocínio dos Estados Unidos, golpear a chamada Revolução Bolivariana.

Henrique Capriles, candidato opositor a Maduro, nunca aceitou a apertadíssima derrota eleitoral de 2013 (50,75% x 49,25%).

Desde então, o país foi mergulhado numa onda de violência e guerra econômica.

Os setores empresariais passaram a esconder os produtos das gôndolas dos supermercados para criarem um caos que justificasse alguma intervenção política e a consequente derrubada do governo.

Diante desse desgaste, a direita venezuelana venceu as eleições legislativas de 2015, na qual obteve amplíssima maioria e o pronto reconhecimento dos resultados pelo governo de Maduro.

Mesmo assim, insiste em dizer que há uma ditadura no país.

Conhecida como Arábia Saudita das Américas, a Venezuela somente teve seu contraste social alterado quando os lucros da exportação do petróleo passaram a ser investidos na transformação social do povo, que passou a ter acesso a casas, escolas e à segurança alimentar.

Entretanto, a guerra econômica provocada pela direita foi agravada pela crise internacional do petróleo no início de 2015, pois as divisas obtidas da importação diminuíram com a queda brusca do preço.

Para se ter uma ideia a Venezuela é membro da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Com o objetivo de restabelecer a paz e criar uma nova matriz econômica que não dependa exclusivamente do petróleo, o presidente Nicolás Maduro convocou a assembleia nacional constituinte, com base nos artigos 347, 348 e 349 da Constituição, cujos 537 delegados serão eleitos neste domingo.

Primeiramente, o eleitor venezuelano votará num universo de 364 delegados em nível territorial, algo equivalente a um delegado municipal se as eleições fossem no Brasil.

Posteriormente, votará em um dos 173 delegados de nível nacional dentre os setoriais temáticos designados para a constituinte: empresários, camponeses e pescadores, pessoas com deficiência, estudantes, trabalhadores, representantes das comunas e dos conselhos comunais e aposentados.

Toda a votação é eletrônica e, terminada, um comprovante do voto é impresso e depositado na urna física, o que proporciona plena possibilidade de conferência, pois a contagem de ambas as urnas deve ser idêntica.

Todavia, sabemos que não adianta explicar para quem não quer entender.

No Brasil, terra mundial do desdém mesmo com prova em contrário, jamais permitirão a mínima compreensão do que se passa na Venezuela.

No primeiro país independente da América do Sul haverá um novo processo constituinte em menos de 20 anos no qual espera-se a participação de mais de 19 milhões de eleitores num país de 31 milhões de habitantes, enquanto aqui a atual Constituição, vilipendiada por um golpe de Estado, já foi emendada mais de 100 vezes sem qualquer participação popular.

Onde é a ditadura chavista-comunista-petrolífera-bolivariana?

Lá, claro.

A única ditadura no mundo onde o povo vota além de eleições periódicas.

Blog Chianéllico

Talvez sem o mesmo frisson da promulgação da Constituição Bolivariana de 1999, referendada por voto popular, assim como de outros referendos da era Chávez, a Venezuela promoverá neste domingo, 30/07, a votação para a eleição dos delegados da assembleia nacional constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

A direita venezuelana entendeu a morte de Hugo Chávez como uma fenda de oportunidade política para, com patrocínio dos Estados Unidos, golpear a chamada Revolução Bolivariana.

Henrique Capriles, candidato opositor a Maduro, nunca aceitou a apertadíssima derrota eleitoral de 2013 (50,75% x 49,25%).

Desde então, o país foi mergulhado numa onda de violência e guerra econômica.

Os setores empresariais passaram a esconder os produtos das gôndolas dos supermercados para criarem um caos que justificasse alguma intervenção política e a consequente derrubada do governo.

Diante desse desgaste, a direita venezuelana venceu as eleições legislativas de 2015, na qual obteve amplíssima maioria e o pronto reconhecimento…

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Tuitaço mundial mobiliza Internet em apoio à Venezuela

Fonte: Correio do Brasil com Vermelho, de Caracas

 

Milhares de usuários das redes sociais expressaram, na quinta-feira sua solidariedade com a Venezuela
Milhares de usuários das redes sociais expressaram, na quinta-feira sua solidariedade com a Venezuela

 

Um tuitaço mundial em apoio à campanha “Obama derrube o decreto já!” para exigir a anulação de uma ordem executiva assinada pelo presidente norte-americano contra a Venezuela, aconteceu nessa sexta-feira. A medida declara a nação sul-americana como uma ameaça “incomum e extraordinária” à segurança e política exterior dos Estados Unidos, e ordena um estado de emergência nacional.
O tuitaço se realizou em dois blocos, o primeiro às 11:00 da manhã e o segundo às 18:00 horas com a hashtag #ObamaDerogaYa.

Milhares de usuários das redes sociais expressaram sua solidariedade com a Venezuela, colocando as hashtags #ObamaDerogaElDecretoYa e #TuFirmaXLaPatria no Twitter e no Instagram como trending topics.

Tais iniciativas fazem parte da campanha que prevê a coleta de 10 milhões de assinaturas em apoio ao direito dos venezuelanos à autodeterminação e à paz.

Para o processo de coleta de assinaturas foram montados quase 14 mil pontos nas praças de toda a Venezuela e as pessoas também podem participar pela Internet no site wwww.obamaderogaeldecretoya.org.ve.

A assinatura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, está no topo do documento que pretendem entregar ao mandatário estadunidense durante a 8ª Cúpula das Américas, que se realizará no Panamá, nos dias 10 e 11 de abril.

Revolução Bolivariana

A revolução bolivariana, cujas bases estão fundadas nos princípios da solidariedade e da igualdade social, sem exceção, é a garantia da proteção da democracia e da paz, conforme a Constituição Bolivariana da Venezuela, declarou na quinta-feira, o presidente da República, Nicolás Maduro.

– A maior garantia de proteção para vocês mesmos (referindo-se à oposição), para a democracia, é que nós sigamos a marcha e o curso desta revolução – que tem sido referendada pelo povo em 18 das 19 eleições realizadas nos últimos 15 anos.

Neste sentido, o chefe de Estado pediu a todo o povo venezuelano que lute em defesa da paz, da soberania, independência e autodeterminação da pátria.

– Chamo ao despertar da consciência a todos os que amam a paz e a pátria – conclamou o presidente, reconhecendo a postura firme e patriota do deputado opositor Ricardo Sánchez, que assinou, no ponto de coleta da Praça Bolívar, em Caracas, o manifesto da campanha denominada “Venezuela não é uma ameaça, somos uma esperança”.

– É a hora do despertar da consciência nacional, da união nacional, de todos os que amamos a Venezuela, realçou Maduro.

As assinaturas coletadas acompanharão o documento dirigido ao Governo dos Estados Unidos, em que se exige a revogação do decreto presidencial em que se qualifica a Venezuela como uma “ameaça inusual e extraordinária” à segurança nacional daquele país.

O processo de recolhimento das assinaturas se realizará até os primeiros dias de abril, tendo a meta de alcançar 10 milhões de apoios antes da VII Cúpula das Américas.

Através de um decreto, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou a Venezuela como uma “ameaça extraordinária e inusual”, com o objetivo de justificar sanções contra o povo venezuelano. Esta agressão se soma as ações com que Washington, há 15 anos, pretende quebrar a soberania e a autodeterminação da Venezuela.

Os pontos de recolhimento de assinaturas, atividade que também toma a forma de uma campanha mundial, denominada “Venezuela não é uma ameaça, somos uma esperança”, estarão localizados nas praças de cada um dos municípios do país e ativarão para isto uma rede de “esquinas quentes”, espaços de debate e reflexão. No caso da capital e do Estado de Vargas, haverá um ponto de recolhimento por bairro.

Participam desta tarefa as Unidades de Batalha Bolívar-Chaves (Ubch), os Círculos de Luta Popular (CLP), e as demais organizações de base do grande polo patriótico, com o objetivo de que cada uma das organizações político-sociais recolha ao menos 700 assinaturas em respaldo à campanha para exigir a revogação do decreto do imperialismo estadunidense contra a Venezuela.

Mensagem de Fidel Castro ao presidente Nicolas Maduro

Fonte: Granma

 

Fidel Castro Ruz
Honorável presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro:

Como a imprensa tem publicado, amanhã terça-feira, 17 de março, terá lugar em Caracas a Cúpula da ALBA – Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – para discutir a insólita política do governo dos EUA contra a Venezuela e a ALBA.

A ideia de criar esta organização foi do próprio Chávez, com o desejo de compartilhar com seus irmãos caribenhos os enormes recursos econômicos com que a natureza dotou seu país de nascimento, mas cujos benefícios tinham ido parar às mãos de poderosas empresas norteamericanas e de alguns poucos milionários venezuelanos.

A corrupção e o esbanjamento foram o principal estímulo da primeira oligarquia de tendência fascista, viciados em violência e crime. E tão intolerável foram a violência e o crime cometidos contra o povo heróico da Venezuela, que não podem ser esquecidos. Jamais permitirão o retorno ao passado vergonhoso da era pré-revolucionária que deu origem ao saque aos comércios e ao assassinato de milhares de pessoas, das quais ninguém pode dizer o número exato até hoje.

Simón Bolívar entregou-se inteiramente à tarefa colossal de libertar o continente. Mais da metade das melhores pessoas de seu povo lutaram e morreram em longos anos de luta ininterrupta. Com menos de 1% da superfície do planeta, a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo. Durante um século inteiro foi forçada a produzir todo o combustível que as potências europeias e os Estados Unidos precisavam. Ainda que hoje os hidrocarbonetos, formados durante milhões de anos, tenham se consumido em pouco mais de um século, e os seres humanos que hoje somos 7,2 bilhões, em cem anos irão duplicar, chegando em 200 anos a 21 bilhões. Somente um milagre da mais avançada tecnologia poderá permitir a sobrevivência da espécie humana por um pouco mais de tempo.

Por que não se utilizam dos fabulosos meios de comunicação para informar e educar sobre estas realidades, ao invés de promover enganos, que qualquer pessoa em sã consciência deveria saber?

A Cúpula da ALBA não pode ser realizada sem levar em conta estas realidades que nos tocam tão de perto.

A República Bolivariana da Venezuela declarou de forma precisa que sempre esteve disposta a discutir de maneira pacífica e civilizada com o governo dos EUA, mas nunca aceitará ameaças e imposições desse país.

Acrescento que tenho observado a atitude, não só do heróico povo de Bolívar e Chávez, mas também uma circunstância especial: a disciplina exemplar e o espírito da Força Armada Nacional Bolivariana. Faça o que fizer o imperialismo dos EUA, ele nunca poderá contar com ela para fazer o que ele fez por tantos anos. Hoje, a Venezuela conta com os soldados e oficiais melhor equipados da América Latina.

Quando você se reuniu com os oficiais, nos últimos dias, podia ver-se que eles estavam prontos para dar até a última gota de seu sangue pela Pátria.

Um abraço fraterno para todos os venezuelanos, os povos da ALBA e para você.

Fidel Castro Ruz
16 março de 2015

Provocación en Chile sobre falso espionaje cubano

OCT 13/10

Un nuevo acto de provocación contra Cuba está siendo montado por representantes de partidos de la derecha chilena, siguiendo el compás indicado en la guerra ideológica contra nuestra Patria.

Esta vez, el presidente de la Comisión de Relaciones Exteriores de la Cámara de Diputados de Chile y legislador del Partido por la Democracia (PPD), Jorge Tarud, solicitó a la Cancillería convocar al embajador de Cuba, Adolfo Curbelo, para que aclarara unas inventadas acciones de espionaje contra residentes venezolanos en Chile, así como contra políticos chilenos.

La trama en que se basa el montaje es que el diplomático cubano Santiago Docampo García, agregado de prensa, reclutó a un supuesto cubano, al que solo se identifica como “Julio”, para que monitoreara la actividad de los venezolanos en esa nación.

Las suspicacias sobre la veracidad de esta acusación la demuestran los argumentos usados por el incógnito Julio, radica en que este intento de reclutamiento fue el “pago a un favor” por haberle realizado favores personales en beneficio de su esposa. Tampoco Cuba negocia con desertores, ni cae en una trampa tan burda.

Pruebas que no han sido presentadas y dudosas, incluyen supuestas grabaciones e imágenes tomadas por Julio al diplomático cubano identificado como Pedro Pablo.

Según el fabricado denunciante, se le instruyó para espiar a opositores al gobierno de Maduro y en la elaboración de perfiles de cada uno de ellos. Un inusitado paso dado por el falsario fue radicar una denuncia ante la Fiscalía Metropolitana Oriente. Actualmente, la investigación es desarrollada la Fiscalía de Delitos de Alta complejidad.

El nuevo show mediático responde a un bien planificado plan para atacar a Cuba y Venezuela, así como, particularmente, crear un manto de sospecha ante la casi asegurada inclusión venezolana en el Consejo de Seguridad de la ONU. Casi de inmediato, la vocera de los venezolanos en Chile, María Laura Liscano, ratificó la denuncia emitida en originalmente por el canal Mega, acusando a los diplomáticos de “mantener vigilados, acosados, desarticulados y promover la división en las diferentes comunidades de venezolanos y cubanos”.

Cuba es respetuosa de la soberanía chilena y este circo montado contra ella es reflejo de una conspiración montada desde EE UU, con la venia de mafiosos anticubanos y la derecha chilena. De eso, no tengo la menor de las dudas.

Fuente: http://percy-francisco.blogspot.com/2014/10/provocacion-en-chile-sobre-falso.html#sthash.LgqxIDAe.dpuf

Maduro desnorteia golpistas e firma-se no poder

Por FC Leite Filho

24/3/2014

O presidente Nicolás Maduro aproveitou o encerramento da X Feira Internacional do Livro, um dos acontecimentos político-culturais mais palpitantes da América Latina, no qual o Brasil era o país homenageado, tendo reunido 240 mil pessoas, para anunciar o fim das guarimbas, como são chamados os atos vandálicos que sobressaltam o país há mais de 40 dias.

Maduro só pôde fazer este anúncio depois que, na última semana, militarizou estados fronteiriços com a Colômbia, onde estão concentrados os grupos paramilitares, e os bairros ricos da capital Caracas e de outras 18 cidades do interior controladas pela oposição extremista.

Desde 12 de fevereiro, quando os líderes da oposição radical Leopoldo López e Maria Corina Machado (o primeiro foi preso no início da arremetida, e a segunda, que é deputada, processada por indução ao vandalismo), muita gente não podia sair para trabalhar ou estudar, enquanto muitas linhas de ônibus e do metrô eram suspensas para evitar os ataques aos trens,  ônbus e carros particulares.

Três prefeitos da oposição, acusados de contribuir ou participar dos atentados, antes atribuídos aos estudantes, que provocaram a morte de 34 pessoas, 684 feridos e 1.675 detenções, foram presos por ordem judicial, enquanto outros tantos estão na mira da justiça. Depois disso, os atentados quase desapareceram por encanto, mas Maudro advertiu que ainda existem alguns franco-atiradores, que, só neste final de semana, assassinaram mais três pessoas: “As guarimbas se acabaram, já se desmancharam todas. Permanecem (alguns) franco-atiradores e assassinos. Mas vamos atrás deles. Em operações especiais, vamos a capturá-los, um por um. Já a guarimba (em si) foi derrotada pelo desejo absolutamente majoritário de paz do povo venezuelano”.

Os serviços de ônibus e metrô já estão completamente restabelecidos e os veículos particulares podem trafegar normalmente nas ruas, porque estas foram desobstruídas das barricadas e da presença dos chamados guarimbeiros.

Na manhã desta segunda-feira, 24 de março, o país parecia retomar a calma enquanto o governo nacional se ocupava em remover os escombros de muitos pontos devastados por uma violência política que parecia ter engolfado o país numa guerra civil do tipo Síria ou Ucrânia.

Só parecia, porque a Venezuela sobreviveu à provação com um governo aparentemente unido e coeso e mantendo completo domínio da situação. Já a oposição, antes coesa e poderosa, se desnorteava e não conseguia reunir mais do que dez mil pessoas nas ruas de Caracas. Mesmo com o respaldo irrestrito da mídia nacional e internacional,  inclusive a brasileira, esfacelando-se em diversos grupos, muitos dos quais agora propensos a atender aos chamados de paz por parte do governo.

Mais uma vez, o regime chavista desbaratava outra tentativa da extrema direita de fazer a população revoltar-se e derrubar o governo, tendo, pelo contrário fortalecido o presidente e o movimento bolivariano, inaugurado há quinze anos pelo falecido presidente Hugo Chávez. Era o mesmo movimento orquestrado a partir do exterior, que depôs Chávez por 48 horas, em 2002 e o que paralisou o país num movimento patronal conhecido como paro petrolero, que durou 63 dias e fez o PIB recuar 30%.

Na verdade, estes movimentos, conhecidos como golpes assimétricos, suaves ou “constitucionais”, que não recorrem à força bruta dos miitares mas que se infiltram na sociedade civil, a partir principalmente de estudantes e outros endinheirados, são velhos conhecidos de Cuba.

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Este país derrotou, em outubro de 1962 a chamada Operação Mangusto, patrocinada pelo governo dos Estados Unidos.  Ela envenenou rios, desfolhou plantações e desencadeou atentados em quase todo o país, “em 33 operações, 13 delas concentradas na guerra econômica , seis na política, cinco no serviço militar , cinco no político e ideológico e quatro na subversão e inteligência”, como diz a professora Tatiana Coll, da Universidade Pedagógica  do México.

Segundo a professora, “o  objetivo explícito” era conseguir uma revolta interna em Cuba para derrubar Fidel Castro e estabelecer um novo governo semelhante aos de Batista, Duvalier e Trujillo.

“Alcançar a revolta interna”, diz ela, “tem sido o seu sonho dourado desde então. Para isso foram investidos bilhões de dólares, juntamente com todos os tipos de interferência e barbárie , apesar de todas terem sido derrotadas”.

Outro golpe assimétrico foi igualmente neutralizado na Bolívia, em 2008, graças à ação do presidente Evo Morales que, em combinação com a Unasul, desfez os planos de secessão que pretendiam repartir o território em vários países, à semalhança do que havia ocorrido na Iugoslávia depois da desintegração do Bloco Soviético. Não por acaso, o embaixador americano em La Paz naquele dado momento, era Phillip Golberg, funcionário antes destacado para despedaçar a Iugoslávia. Golberg foi expulso do país depois que o governo o flagrou em reuniões com grupos conspiradores na província insurreta de Santa Cruz

O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, que é sociólogo, relembrava ontem num programa televisivo, que nos anos 50, 60 e 70 , os golpes de estado eram desfechados pelos militares, recorrendo ao núcleo duro do Estado, as Forças Armadas. Mas este é, segundo diz, “o momento final e primário” para impor políticas e estabelecer regimes de governo com base na violência pura, com as mortes, as torturas e o exílio.

– Isto ocorreu, quando os Estados e a sociedade civil eram muito frágeis – continua. Mas estes tempos se acabaram. Nos últimos dez anos, surgiu uma nova modalidade de golpe, igualmente vinculado aos poderes externos, ou seja, às políticas de dominação imperial. Aí já não se utiliza o recurso às forças armadas. Mas sim seim se iinfiltra dentro da sociedade, apropriando-se de um pedaço da sociedade civil, a partir do qual busca o enfrentamento de sociedade civil contra  sociedade civil para desestabilizar os regimes democráticos.

Roteiro holywoodiano – Álvaro García ainda explica que, como forma de mobilização, esses movimentos recorrem inicialmente a grupos sociais minoritários, mas muito ativos e com capacidade de provocar ações violentas, em nível local. A partir daí, vão tentar ocupar territorialmente pedaços: ocupar uma região, ocupar um município e, se conseguem produzir um efeito social e maior aglutinamento de forças, avançam até o a disputa do controle político de um específico território do país.

Chegando aí, passa a buscar um tipo de ajuda externa e, em torno desta estratégia, “de corte comum e de roteiro quase holywoodiano”, com o respaldo de alguns meios de comunicação, que alimentam e magnificam mediticamente o que sucede localmente, sugerindo sociedades enfrentando governos democráticos, mas que agora chamam de totalitários.

Entra também o apoio de certas ONGs vinculadas ao Norte (Estados Unidos e Europa). E por último, a partir desta mobilização, a convocação e a presença de intervencionistas estrangeiros, para converter este problema local num problema nacional, que têm de ser resolvido, já não pelos concidadãos, mas por forças externas e, se todo esse esquema avança, a possibilidade uma intervenção militar.

Ao relembrar a experiência boliviana de golpe suave, em 2008, o vice-presidente Álvaro García, disse que, na época, houve sabotagens ecoômicas de um certo núcleo muito conservador do setor empresarial, procurou-se gerar escassez de alimentos e imediatemnte depois se deu um processo de desestabilização política, com influência na Assembleia Consituinte de então, a realização de plebiscitos ilegais e, finalmente, a ocupação territorial.

Para isso, mobilizaram setores sociais, na ocupação de 70 instituições, no espaço de uma semana. Proibiram o presidente da República aterrissar em aeroportos de seis dos estados, porque haviam sido ocupados geografica e territorialmente as instituições, mediante as mobilizações de vândalos que destruiam, queimavam e atacavam militares e a polícia. Finalmente, assumiram atitudes violentas, levando adiante massacres de camponeses e indígenas. Tudo tendia a terminar na convocação da intervenção estrangeira

O quadro foi um pouco menos grave na Venezuela de Maduro. O presidente, afinal, depois de 40 dias de intetnsos tumultos, anúunciar o fim das guarimbas, acontecimento que coincide com a chegada a Caracas, nesta segunda, 24, da Comissão dos 12 chanceleres da Unasul (União das Nações Sul-americans) para analisar a situação no país. Ela deverá se entrevistar com representações estudantis, membros do governo e da oposição.

Ao mesmo tempo, o chanceler Elías Jaua se deslocará pelas sedes dos principais organismos internacionais, como a própria Unasul, (Quito, Buenos Aires Brasília), OEA (Washington), a ONU (Nova York e Genebra) e seus respectivos órgãos de direitos humanos, para apresentar as provas documentais dos danos provocados pelos atos violentos, incluindo o incêndio que produziu perda total em uma universidade de 3.800 alunos, em são Cristóbal, e parcial em outras 15 escolas superiores e bibliotecas pelo restante do país.

Com efeito, no dia 20 de março, o núcleo da Unefa (Universidade das Forças Armadas, uma espécie de ITA brasileiro da Aeronáutica, que Hugo Chávez estendeu para todo o país), na Universidade de São Cristobal, capital de Táchira, estado na fronteira com a Colômbia, foi cenário de uma série de ataques. Grupos de ultradireita arremeçaram bombas molotov e pedras até entrar no campo universitário, onde incendiaram o prédio, destruindo mobiliário, classes, laboratórios, arquivos, computadores e biblioteca, com perda total.

Também nesse mesmo dia, na sede da Unefa, em Los Teques, capital do estado de Miranda, centro norte, indivíduos entraram violentamente na instituição, amordaçaram os seguranças e jogaram gasolina, provocando outro incêndio que ocasionou danos ao mobiliário, arquivos e equipamentos de computação.

Além das escolas, houve atentados contra hospitais, postos de saúde e creches públicas, estações do metrô, companhias estatais de telefone e eletricidade e 198 ataques cibernéticos a sites de TVs e órgãos governamentais, trancamento das vias principais e danificação de semáforos e 94 ônibus urbanos, totalizando prejuízos de alguns bilhões de dólares e graves danos à economia.

Por que incendiar livros – No pronunciamento de ontem à noite na FILVEN,  o presidente Nicolás Maduro indagou o porquê desta violência: “Quem pode queimar uma universidade, que é o lugar onde chegam os conhecimentos mais elevados que a humanidade criou para a formação de suas gerações futuras?”

Por isso, solicitou o apoio dos intelectuais escritores, pensadores e comunicadores para que acompanhem o chanceler Jaua na perigrinação pelos organismos internacionais, “para que o mundo inteiro abra os olhos e se fortaleça a solidariedade com nossa pátria”, segundo frisou o presidente, para quem “a Venezuela foi vítima de uma arremetida de ódio e intolerância”.

Maduro prova assim que não só controla o seu país, ao contrário do esteriótipo de que não tem carisma nem capacidade para administrar, só porque foi motorista de ônibus, como está aparelhado para enfrentar arremetidas mais violentas, como aquelas de Cuba e da Bolívia, que certamente serão reativadas em futuro não muito distante.