Gerardo Hernández na Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

No último dia da Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, Gerardo Hernández comoveu os participantes que estiveram empenhados nas campanhas pela libertação dos cinco heróis cubanos, agradecendo a solidariedade dos brasileiros e reafirmando a confiança dos compatriotas cubanos na promessa de Fidel Castro sobre o seu retorno.

Gerardo falou também de sua vida após os 16 anos de cárcere ilegal nos EUA. “Não se confundam: se não fosse o trabalho abnegado de vocês, não haveria liberdade, porque ninguém se interessaria por cinco rapazes desconhecidos,” disse.

Veja um trecho de sua fala durante a Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba ocorrida na última semana em Recife:

 

 

 

Fonte: Comitê de Solidariedade a Cuba RJ

Sobre o encontro com Gerardo Hernández, um depoimento pessoal

Depoimento pessoal no Facebook:

Gerardo Hernández no Museu da República em Brasília / Foto: JulianaMSC
Gerardo Hernández no Museu da República em Brasília / Foto: JulianaMSC

Acabo de sair do evento em homenagem à Gerardo Hernandez, um dos Cinco Héroes Cubanos ou, como diz Fernando Morais, um dOs Últimos Soldados da Guerra Fria. Que está livre, em Cuba, junto com os outros cinco. Como Fidel Castro havia dito: “Volverán!”.

Quando René, o primeiro deles, chegou a Cuba, tive a sorte de estar lá no mesmo dia (aqui meu eterno agradecimento à generosidade do colega Rony Curvelo). Pude ouvir o testemunho de um verdadeiro revolucionário. E pude abraçar um herói da nossa história contemporânea. Como hoje, quando também ganhei um abraço do Gerardo.

Não dá pra explicar como me sinto, o sentimento de gratidão por estar aqui, agora.

Me lembrei de quando, ainda adolescente, comecei a apoiar causas como a luta pela libertação de Timor Leste vendendo camisetas e adesivos para enviar mantimentos aos prisioneiros, produzindo panfletos para a campanha encabeçada pelo Frei Joao Xerri. Quando anos depois vi pela TV, Ramos Horta e Xanana Gusmão livres, em uma Timor também livre, entendi o que é ser um grãozinho de areia de uma utopia. Eles possivelmente jamais saberão quem eu sou. E eu até hoje não pude ir à Timor, abraçar meus irmãos de língua portuguesa. Mas a sensação de pertencer a essa história estará sempre aqui comigo.

Hoje também foi assim.

Há anos aprendi na juventude comunista que participar de atividades, reunir doações, produzir atos políticos, lutar em movimentos sociais, ou mesmo atuar como faço hoje, como jornalista do campo público e também do campo alternativo (muitas vezes, sabemos bem, com o sacrifício de nossas vidas financeiras e de nossas famílias) podia fazer alguma diferença. Hoje ouvi do próprio Gerardo, liberto de duas sentenças perpétuas, naquele auditório lotado de camaradas que sim, faz diferença.

A Cuba de agora, o lar para onde ele voltou, é outra. E vai continuar mudando. Mas o fato é que somos todos testemunhas desse marco da história humana. E de que, sem abrir mão de seus princípios e das conquistas da revolução (e sem esquecer os muitos que tombaram pelo caminho), essa pequena ilha caribenha e seu povo venceram a maior potência bélica da nossa era com apenas uma palavra: resistência.

Hoje, enquanto ouvia Gerardo, lembrei que estive, de diferentes maneiras ao longo da minha vida atuando na solidariedade a Cuba (e à Palestina e tantas outras pelas quais ainda lutamos). Me senti de novo como um minúsculo grão desta utopia em que também estão tantos ativistas, tantos companheiros, tantos lutadores e lutadoras que com pequenos ou grandes gestos, com muitos ou poucos recursos, mas sempre com muita criatividade, construímos todos os dias, essa imensa rede de solidariedade internacionalista.

Estou certa de que estamos todos ligados por invisíveis laços de amor à humanidade.

Gerardo Hernández em encontro de amizade com Cuba no Brasil

Gerardo Hernández (Foto: Archivo)
Gerardo Hernández

 

Recife, Brasil 7 jun – Um dos Cinco Antiterroristas Cubanos, Gerardo Hernández, surpreendeu neste sábado com a sua presença os mais de 400 participantes da XXII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, realizada nesta cidade do nordeste brasileiro.

Sua chegada, no auditório da Faculdade de Administração de Pernambuco motivou um mar de aplausos e de emoções diversas entre os presentes interessados em cumprimentar Hernandez.

Acompanhado pela embaixadora de Cuba no Brasil, Marielena Ruiz Capote, o herói apertou a mão de inúmeras pessoas e também se dispôs a tirar fotos com várias delas.

Edival Cajá Nunes, membro da Comissão Organizadora deste evento, apresentou o lutador antiterrorista, e destacou o trabalho das organizações de solidariedade no Brasil que durante anos exigiram a libertação dos Cinco.

“Você e seus colegas são um exemplo de luta para este continente”, disse Cajá destacando ainda que a batalha pela libertação dos Cinco uniu partidos e movimentos de diferentes tendências políticas. PL

Fidel recebe os cinco heróis

Fonte: Cuba Viva

Encontro ocorreu na residência do líder da Revolução Cubana, que escreveu sua “reflexão” sobre a reunião com o grupo de heróis

O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, se encontrou dia 28/2 com o grupo dos Cinco Cubanos em sua residência e escreveu, na noite deste domingo (01/03), uma “reflexão” a respeito do encontro, publicada nesta segunda-feira (02/03) no jornal Granma.

Estudio Revolución
Trata-se do primeiro encontro do grupo com Fidel em Cuba

Em dezembro, os governos de Cuba e Estados Unidos firmaram um acordo para a retomada das relações diplomáticas, que culminou na soltura do norte-americano Alan Gross, que cumpria pena de 15 anos na ilha por espionagem, e dos últimos três dos Cinco Cubanos presos que seguiam presos nos EUA. O grupo era formado por agentes com a missão de coibir práticas terroristas que seriam perpetradas por cubanos radicados em Miami.

A libertação dos cubanos, além de ser uma demanda de movimentos sociais em diversas partes do mundo, era também uma das principais reivindicações do ex-presidente cubano. Por esta razão, a demora em se pronunciar sobre o caso chegou a alimentar boatos sobre seu estado de saúde e até de sua morte. O encontro aconteceu 73 dias após o anúncio do acordo.

No texto assinado por Fidel, o líder ressalta que os cubanos tiveram que passar “15 longos anos da mais plena juventude respirando o ar úmido, fedorento e repugnante dos sótãos de uma prisão ianque, após terem sido condenados por juízes venais”.

Ele ressalta o fato de que os Cinco, como são internacionalmente conhecidos, não cometeram nenhum ato contra os Estados Unidos e que a única coisa que tentaram fazer foi “tratar de impedir os atos terroristas contra nosso povo, organizados pelos órgãos de inteligência norte-americanos que a opinião mundial conhece amplamente”, ressalta Fidel.

Fidel diz que esteve feliz durante as cinco horas que passou com Gerardo Hernández, René González, Tony Guerrero, Fernando González e Ramón Labañino e concluiu dizendo que dispõe de tempo suficiente para “solicitar aos Cinco que invistam uma parte do imenso prestígio que têm em algo que será sumamente útil a nosso povo”.
Companheira de Fidel, Dalia Soto del Valle, também participou do encontro.
Companheira de Fidel, Dalia Soto del Valle, também participou do encontro.
REFLEXÕES DE FIDEL – ENCONTRO COM OS CINCO
Recebi-os no sábado, 28 de fevereiro, 73 dias depois que pisaram a terra cubana. Três deles haviam consumido 16 longos anos de sua mais plena juventude ao respirar o ar úmido, fedorento e repugnante dos porões de uma prisão ianque, depois de serem condenados por juízes venais. Outros dois, que igualmente tratavam de impedir os planos criminosos do império contra sua Pátria, foram também condenados a vários anos de prisão brutal.
Os próprios organismos de investigação, alheios por completo ao mais elementar sentido de justiça, participaram da desumana caçada.
A Inteligência cubana não necessitava, em absoluto, seguir os movimentos de uma só equipe militar dos Estados Unidos, porque podia ser observado do espaço tudo o que se movia em nosso planeta através da Base de Exploração Radioeletrônica “Lourdes”, ao sul da capital de Cuba. Este centro era capaz de detectar qualquer objeto que se movesse a milhares de mil de nosso país.
Os Cinco Herois antiterroristas, que nunca fizeram dano algum aos Estados Unidos, tratavam de prevenir e impedir os atos terroristas contra nosso povo, organizados pelos órgãos de Inteligência norte-americanos que a opinião mundial sobejamente conhece.
Nenhum dos Cinco Herois realizou suas tarefas em busca de aplausos, prêmio ou glória. Receberam seus honrosos títulos porque não buscaram. Eles, suas esposas, seus pais, seus filhos, seus irmãos e seus concidadãos temos o legítimo direito de nos sentirmos orgulhosos.
Em julho de 1953, quando atacamos o Quartel de Moncada, eu tinha 26 anos e muito menos experiência que a que eles demonstraram. Se estavam nos Estados Unidos não era para provocar dano a esse país ou vingar-se dos crimes que ali se organizavam e abasteciam de explosivos contra nosso país. Tratar de impedi-los era absolutamente legítimo.
O principal na chegada deles era saudar os familiares, amigos e o povo, sem descuidar um minuto da saúde e de rigoroso exame médico.
Estive feliz durante horas ontem. Escutei relatos maravilhosos de heroísmo do grupo chefiado por Gerardo e secundado por todos, inclusive o pintor e poeta a quem conheci enquanto montava uma de suas obras no aeródromo de Santiago de Cuba. E as esposas? Os filhos e filhas? As irmãs e mães? Não irá recebê-los também?, me perguntam. Pois tenho que celebrar, também, o regresso e a alegria com a família!
Ontem, naquele momento, queria trocar ideias com os Cinco Heróis. Durante 5 horas esse foi o tema. Disponho desde ontem, afortunadamente, de tempo suficiente para solicitar-lhes que invistam uma parte de seu imenso prestígio em algo que será sumamente útil a nosso povo.

Fidel Castro Ruz
1º de março de 2015
22h12   

Como a gravidez da mulher de um agente preso por 16 anos nos EUA está comovendo Cuba

Gerardo Hernández e Adriana Pérez
Gerardo Hernández e Adriana Pérez

Publicado na EFE.
A gravidez da esposa de Gerardo Hernández, agente cubano condenado duas vezes à prisão perpétua nos Estados Unidos que foi libertado na semana passada, surpreendeu e comoveu toda Cuba, onde a história de amor do casal marcou a campanha pela libertação do grupo conhecido como “Los Cinco”.

No dia 17 de dezembro, quando Hernández, preso nos EUA desde 1998, retornou a Cuba junto com outros dois agentes de “Los Cinco”, a maioria dos cubanos aguardou seu reencontro com Adriana Pérez, sua esposa, a quem Washington nunca deu um visto para que o visitasse na prisão.

As emocionantes imagens da reunião do casal comoveram a ilha, onde sua relação se tornou um símbolo da resistência. Ao mesmo tempo, o reencontro surpreendeu o país, já que Adriana, de 44 anos, recebeu Hernández grávida, fato que até então não era público em Cuba.

Como Adriana Pérez nunca pôde visitar seu marido na prisão nos últimos 16 anos, começaram a surgir especulações de todo tipo sobre a paternidade do bebê.

O primeiro a responder aos rumores foi o próprio Hernández, de 49 anos, que admitiu a jornalistas em Havana que o casal estava se divertindo com as reações das pessoas.

“Todo mundo está perguntando, nós nos divertimos muito com todos os comentários e especulações”, disse.

O agente argumentou que não foram revelados muitos detalhes para não “prejudicar ninguém, nem às pessoas que tiveram boas intenções para ajudar”.

“Tivemos que fazê-la por controle remoto, mas tudo correu bem”, explicou Hernández, em referência à filha, que deve nascer em duas semanas e se chamará Gema.

Na última terça-feira a imprensa oficial cubana começou a publicar notas sobre o tema citando publicações e fontes americanas. O site “Cubadebate” indicou que o governo de Barack Obama atendeu ao pedido de Adriana Pérez para que lhe permitissem ter um filho com seu marido.

Um porta-voz do Departamento de Justiça confirmou a notícia à Agência Efe em Washington, e o senador americano Patrick Leahy intermediou para que fosse autorizada a inseminação artificial, como parte das negociações secretas entre Cuba e Estados Unidos que permitiram a libertação dos agentes e o restabelecimento de relações diplomáticas bilaterais entre os países.

Outras fontes citadas pelo “Cubadebate” indicam que a inseminação aconteceu no Panamá e foi custeada pelo governo cubano.

A esposa do agente vive o momento com uma emoção “indescritível” e disse que “valeu a pena esperar todo esse tempo”.

Hernández, formado em Relações Internacionais em 1989, recebeu a pena mais dura das que os Estados Unidos impuseram ao grupo de cinco agentes em 2001, ao ser condenado duas vezes à prisão perpétua.

Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Ramón Labañino, Fernando González e René González – considerados “heróis” e “antiterroristas” em Cuba – integravam a rede de espionagem “Vespa”, desmantelada pelo FBI em 1998.

Todos admitiram ser agentes do governo cubano “não declarados” aos Estados Unidos, mas disseram espionar “grupos terroristas de exilados” que conspiravam contra o então presidente Fidel Castro, e não o governo americano.

O fato de ser o mais jovem dos agentes e o único a receber prisão perpétua, assim como seu carisma e força, colocou a causa de Hernández entre as mais populares e desesperadas do grupo, e Adriana Pérez se tornou uma das principais porta-vozes da campanha por sua libertação.

Engenheira de profissão, Pérez chegou a ser deputada na Assembleia Nacional, e foi uma das defensoras mais presentes no caso perante parlamentos, juristas e políticos do mundo.

Casados em 1988, mas com uma relação que vem desde a adolescência, Adriana Pérez e Gerardo Hernández foram separados quando ela tinha 28 anos e ele 33.

O imaginário dos cubanos transformou o caso em uma espécie de épico romântico à medida em que Pérez compartilhava seus relatos do amor à distância, apesar de os outros três agentes presos também estarem longe de suas esposas.

No último sábado, Pérez e Hernández apareceram de mãos dadas e chorando de emoção em uma apresentação na televisão do cantor cubano Silvio Rodríguez, que celebrou o retorno de “Los Cinco”.

Para muitos na ilha essas imagens foram uma espécie de confirmação do final feliz do casal que viveu a história mais dramática entre “os cinco”, um caso que marcou o impasse político entre Cuba e Estados Unidos nos últimos anos.