Contra o ebola, Cuba e EUA se aproximam

sex, 31/10/2014 – 15:31

por Miriam L.

Em Cuba, EUA participam de reunião convocada pela Alba para debater prevenção ao ebola

Havana e Washington romperam relações nos anos 1960; participação é para assegurar resposta a uma possível introdução do vírus na região

Em uma cooperação sem precedentes nos últimos 40 anos, o governo norte-americano enviou especialistas para participar da reunião técnica convocada pela Alba (Aliança Boliviariana para os Povos de Nossa América), em Cuba, com o objetivo de coordenar estratégias de prevenção e luta contra o ebola na região. Os países romperam relação nos anos 1960.

O encontro foi estipulado durante a cúpula extraordinária que a Alba realizou em Cuba na semana passada e da qual participaram 254 representantes de 32 países. Também foram convidados os integrantes da Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos) e da OPS (Organização Pan-americana da Saúde).

O ministro da Saúde de Cuba, Roberto Morales, afirmou que o objetivo fundamental do encontro é o intercâmbio de critérios para enfrentar a doença. “Cada país tem que estar preparado para dar uma resposta [se surgirem casos]. Não teremos tempo para chegar a uma resposta internacional”, disse na abertura do encontro.

O diretor dos CDC (Centros para o Controle e Prevenção de Doenças) do governo dos Estados Unidos para a América Central, Nelson Arboleda, ressaltou a importância da união dos países para o controle do vírus. “Estamos apoiando os países e os ministérios da Saúde nas Américas para assegurar que tenham as capacidades adequadas para poder responder a uma possível introdução do ebola”.

[Nelson Arboleda disse que EUA estão agindo para que “todas as respostas ao vírus sejam coordenadas e eficientes”]

O programa inclui uma visita ao Instituto de Medicina Tropical Pedro Kourí, onde são treinados os profissionais que integram a brigada de funcionários médicos cubanos que participarão da luta contra o surto do vírus na África Ocidental.

Cuba contra o ebola

Cuba se destacou no cenário internacional por enviar mais de 250 profissionais da saúde para cooperar com a luta internacional contra o ebola em Serra Leoa, Libéria e Guiné, na África Ocidental. A ação foi elogiada pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

Em editorial, o principal jornal dos Estados Unidos, The New York Times, destacou o trabalho desempenhado pelo país e ressaltou que, mesmo sendo Cuba uma “ilha empobrecida”, vai enviar “centenas de profissionais às linhas de frente da epidemia”, posição que deve ser “elogiada e copiada”, diz. O jornal pede ainda que Washington coloque à disposição das brigadas médicas cubanas equipes e capacidades logísticas norte-americanas.

Cuba e Washington não mantêm relações diplomáticas oficiais desde 1961. Apesar das reiteradas condenações da Assembleia Geral das Nações Unidas, os Estados Unidos mantêm, desde 1962, um bloqueio contra a ilha.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), 13.703 pessoas se infectaram com o vírus do ebola desde o início da epidemia em março.

Do Opera Mundi

CONTRA O EBOLA, FIDEL OFERECE AJUDA A OBAMA

Alba fará cúpula presidencial extraordinária para definir ações para ebola

O encontro reunirá em Havana ministros de Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, Cuba, Antígua e Barbuda, Dominica, Santa Lúcia, e São Vicente e Granadinas
Publicação: 15/10/2014 20:14Atualização: 15/10/2014 21:26
Havana – Os chefes de Estado e de governo dos nove países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) se reunirão na segunda-feira em uma cúpula “extraordinária”, em Havana, para definir ações de luta contra o Ebola, informou nesta quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores de Cuba.
“Com o objetivo de ajustar a cooperação regional para a prevenção e o enfrentamento do Ebola, será realizada em Havana, na segunda-feira, 20 de outubro, uma Cúpula Extraordinária da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América”, anunciou a Chancelaria em um comunicado publicado em seu site.
Mais cedo, a ministra venezuelana da Saúde, Nancy Pérez, explicou que o encontro de segunda-feira reunirá em Havana ministros da Saúde dos países da Alba: Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, Cuba, Antígua e Barbuda, Dominica, Santa Lúcia, e São Vicente e Granadinas.
A Chancelaria cubana explicou no comunicado que a reunião contará com “chefes de Estado e de governo, assim como outros altos representantes dos países-membros da Alba e de organismos internacionais”.
O propósito do encontro será definir a forma como os países do bloco farão sua “contribuição comum frente a este importante desafio sanitário para evitar a propagação da doença na região da América Latina e do Caribe”.
A cúpula da Alba em Havana é a primeira iniciativa regional contra o Ebola na América Latina. Cuba anunciou o envio de 461 médicos para ajudar a combater o vírus em Serra Leoa, dos quais 165 começaram a trabalhar no começo de outubro ao lado de médicos voluntários de outros países.
A convocação dos presidentes da Alba é feita “em consonância com o chamado feito pelo secretário-geral das Nações Unidas (Ban Ki-moon) para unir os esforços internacionais na prevenção e no combate à epidemia de Ebola, que hoje afeta o oeste e o centro da África”, acrescentou a Chancelaria.
A epidemia causada pelo vírus Ebola matou 4.493 pessoas de um total de 8.997 casos registrados em sete países (Libéria, Serra Leoa, Guiné, Nigéria, Senegal, Espanha e Estados Unidos), segundo o último registro divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira com base em dados coletados até 12 de outubro.

publicado en CORREIOBRAZILIENSE