A Revolução não será televisionada – Hoje em Brasília!

Acontece hoje a exibição do documentário “A Revolução não será televisionada”  com um posterior debate com a participação da Embaixadora da República Bolivariana da Venezuela e do Jornalista Renato Rovai.
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Segunda-feira 08/06/2015 às 19h
Teatro dos Bancários 314/315 Sul
Entrada franca

Chamada para o evento, da Rádio Cultura FM de Brasília:

Junho e julho na EICTV: conheça quais são as opções de oficinas para estes meses

De Cuba-Cursos

 

EICTV-Cuba

 

 

Junho e julho são os meses em que a escola oferece as “oficinas de verão” que geralmente tem alta demanda e antecedem ao período de recesso escolar de agosto em que a escola permanece fechada.

Este ano entre as opções disponíveis estão: Roteiro Cinematográfico, Design de Figurino para Cinema e TV, Produção de Cinema de Baixo Orçamento e Montagem.

Seguem mais informações:

ROTEIRO CINEMATOGRÁFICO
(2 semanas) junho 22 – julho 3 com FRANCISCO LOPEZ SACHA (Cuba) 1200 Euros
Aulas teóricas e praticas sobre o processo de criação do roteiro cinematográfico passo à passo. Análise e discussão de filmes selecionados e práticas com exercícios de dramaturgia. O objetivo da oficina é converter o aluno (caso ainda não o seja) em um contador de histórias, dominando a arte de narrar aplicada ao roteiro de cinema, para roteiros de curta ou longa-metragem. No final do curso, o estudante terá elaborado um projeto de roteiro de longa ou finalizado um roteiro para um curta de 15 min.
o professor: Francisco López Sacha (Cuba). Escritor e professor de arte. Publicou romances, contos e ensaios em diversos países. Ele é presidente da Associação de Escritores de Cuba. Deu palestras em inúmeras faculdades e universidades em todo o mundo, entre as quais estão: Instituto Internacional de Teatro (ITT) de Praga, o Latinoamerican Youth Center em Washington DC, Casa de América de Madrid, New York e Havana, Universidade de Poitiers, França; Teatro Intimo de Dublin, Universidade de Oxford; Universidade Central da Venezuela, UNAM de México; Veritas, Universidad de San José Costa Rica.
OFICINA INTERNACIONAL vagas: 16

DESIGN DE FIGURINO PARA CINEMA E TV
(4 semanas) junho 22 – julho 17, 2015 com DERUBÍN JÁCOME (Cuba), DIANA FERNÁNDEZ (Cuba – Espanha), RAÚL RODRÍGUEZ (Cuba), EDUARDO EIMIL (Cuba), NIEVES LAFERTÉ (Cuba) 1800 Euros
Este curso – por meio de palestras, workshops e master-classes irá aprofundar a compreensão das peculiaridades criativas e organizacionais do design de figurino para cinema, desenvolvendo habilidades para a translação de instâncias dramatúrgicas à expressividade visual dos personagens, todas baseadas na atmosfera estética do filme.
Módulos:
Design de figurino para cinema. Projeto. 2) Teoria e História do Traje. 3) Linguagem cinematográfica. 4) Dramaturgia. 5) Fundamentos técnicos para os figurinos de cinema.
os professores:
Derubín Jácome: Estudou arquitetura, design teatral, e teatrologia. Também realizou estudos de pós-graduação de Design para Teatro, Cinema e Televisão da Escola de Artes Cênicas. DAMU, Praga, República Checa. Projetou cenários, luzes e / ou figurinos para mais de cinqüenta peças teatrais recebendo Prêmios e Menções pelo seu trabalho. Foi Diretor de Arte, Designer de Produção e Figurinista de mais de quarenta filmes, entre eles alguns dos mais importantes filmes cubanos: “La Bella del Alambra”, “Un Hombre de Éxito”, ”Cecilia” e “Juan de los Muertos”. Tem mais de 30 anos de experiência no ensino, fazendo planos e currículos para diferentes níveis de ensino do design na cena. Lecionou e dado seminários em várias instituições em Cuba, México, Checoslováquia, Sto. Domingo, Finlândia e Espanha. É membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha.
Diana Fernández: Estudo Design para Teatro e Teatrología. Como designer teatral criou os figurinos para mais de vinte peças. No cinema, criou figurinos para mais de vinte longas-metragens, curtas-metragens e séries de televisão No ensino, tem mais de trinta anos de experiência em Cuba, Espanha e outros países, como Equador, México, Nicarágua, Polônia, Finlândia e República Checa. Ele tem artigos e livros escritos e publicados em sua especialidade, entre eles: El traje: glossário de términos(1990),El traje: fundamentos para su diseño en la escena(1991); El traje: apuntes sobre su evolución histórica(1991), La moda en el vestir: consideraciones sobre su valor comunicativo(1996). Colaboradora regular de artigos em revistas como a arqueologia do século XXI. Ela recebeu prêmios e citações para suas pesquisas.
Raúl Rodríguez Formou-se no ICAIC (órgão oficial de cinema em Cuba) como editor de documentários em 35mm. Foi perador de câmara de documentários, longas metragens, e telejornais desde 1965. Desde 1976 fez a direção de fotografia de mais de 30 longas em 35 mm. Como fotógrafo documental e operador de sua filmografia abrange mais de 200 filmes. Ele apresenta no canal de televisão educativo cubano: “A arte do cinematógrafo”, um programas educacional sobre esta especialidade. Hoje trabalha fundamentalmente em vídeo digital.
Eduardo Eimil é roteirista e diretor de “El Televisor” e “La Maldita Circunstancia”, entre outras. Professor de atuação do Instituto Superior de Arte (ISA). Professor de Direção de Atores e de Realização Videográfica de Ficção na Universidad Autónoma de Cali, a Universidad del Valle e a Universidad Javeriana da Colômbia. Diretor e Dramaturgo de “Nuestro Pueblo”, “Zoológico de Cristal” “El Gallo Electrónico”, entre outras. Ganhador de vários prêmios Nacionais e Internacionais.
Nieves Laferté Estudou design na Escuela Nacional de Arte. Ganhou uma bolsa de estudos e foi estudar em Bratislava, uma espécie de Meca do teatro e do palco na Europa socialista. Trabalhou em pesquisa, ensino e projetos para cinema e outros gêneros. Sua obra está presente em filmes cubanos como Kangamba, La Anunciación, Verde, verde, entre outros.
CURSO DE ALTOS ESTUDOS vagas: 14

PRODUÇÃO DE CINEMA DE BAIXO ORÇAMENTO
(2 semanas) junho 29 – julho 10, 2015 com HÉCTOR TOKMAN (Argentina) 1200 Euros
A produção criativa nos filmes de “baixo orçamento”. Realização de um “Design de Produção” desde o ponto de vista dos novos formatos digitais. Análise de roteiro para cada etapa da produção. Ferramentas para resolver aslimitações de orçamento. Atividades práticas incluindo improvisação: Business Roundtable com “Pitching”.
o professor: Héctor Tokman: Comunicador Audiovisual da Faculdade de Cinema da Universidad Nacional de La Plata. Trabalha profissionalmente com câmera, fotografia, roteiro, direção e produção.
Co-fundador da Escola de Cinema em Mendoza e Diretor da Escola de Cinema, Vídeo e Televisão da Escola de Comunicação da Universidad del Mar em Valparaiso. (2002-2011). É o produtor executivo de três longas-metragens feitos por alunos da Escola de Cinema. Atualmente trabalha como professor no ERCCV, desenvolve projetos como roteirista e diretor, assessorias e treinamento para INCAA e a Secretaria de Cultura da Província de Mendoza.
OFICINA INTERNACIONAL vagas: 15

MONTAGEM: ESTRUTURA E RITMO
(2 semanas) julho 6 -17, 2015 com BERTA FRIAS (Espanha) 1300 Euros
Ao longo do workshop será feita a montagem de diferentes seqü.ncias para serem analisadas posteriormente. Da análise comparativa surgirá uma reflexão sobre as várias propostas narrativas e sobre as diferentes sensibilidades e pontos de vista. Sendo uma oficina teórica e prática, os temas abordados na fase teórica, serão revisitados ao aparecerem as dificuldades práticas durante o processo de montagem. Estudos de caso de seqüIencias selecionadas de grandes diretores, em oposição às seqü.ncias de séries de TV.
a professora: Berta Frias tem uma vasta experiência como montadora / editora, tendo participado em 10 longas metragens. Também liderou equipes de edição de curtas-metragens, making of e programas de TV. Neste link você pode ver uma amostra de seu importante trabalho como editora.
OFICINA INTERNACIONAL vagas: 15

Estados Unidos: El precio del poder

24 Feria Internacional del Libro. Se presentó en la Sala Nicolás Guillen el libro Estados Unidos el Precio del Poder del autor Alejandro Castro, este fue presentado por el Asesor del Presidente de los Consejos de Estado y Ministros Abel Prieto
El autor agregó que este nuevo volumen no es más que una continuidad histórica más actualizada de lo que está ocurriendo en estos momentos Foto: Alberto Borrego

Como un libro esencial, de gran utilidad y doblemente importante en los momentos actuales fue catalogado por el escritor Abel Prieto, asesor del presidente de los Consejos de Estado y de Ministros, el volumen Estados Unidos: El precio del poder, del politólogo e investigador Alejandro Castro Espín.

“Es una investigación acuciosa, muy completa, hecha desde una mirada científica y con un punto de vista analítico que termina siendo demoledor”, expresó Prieto, quien tuvo a su cargo la presentación de la nueva edición del título, que aconteció en la Sala Nicolás Guillén de la Cabaña, durante la penúltima jornada de la Feria Internacional del Libro.

Alejandro parte de un análisis que nos ubica en el contexto actual y trata de ir desmontando cómo se gestó la élite de poder de Estados Unidos. Es una gran contribución al pensamiento antiimperialista, tan necesario en estos momentos, manifestó sobre el libro, cuya reciente entrega ve la luz bajo el sello de la Casa Editorial Capitán San Luis.

“Distribuido en cinco capítulos, con una información muy organizada, el texto nos da muchas claves para entender los conflictos del mundo de hoy. Cuando uno termina de leerlo siente que tiene más argumentos para ser radicalmente antiimperialista”, aseguró el presentador.

Por su parte, el autor agregó que este nuevo volumen no es más que una continuidad histórica más actualizada de lo que está ocurriendo en estos momentos.

“Cuando vemos los acontecimientos que estamos viviendo, luego del 17 de diciembre, uno trata de buscar los orígenes que condujeron a la élite de Estados Unidos a hacerse un replanteamiento de la política hacia Cuba”, agregó Castro Espín, quien además consideró que la obra puede contribuir a que las más jóvenes generaciones conozcan las esencias del imperio norteamericano.

Publicado en inglés, árabe, ruso, griego, chino y francés, Estados Unidos: El precio del poder es unainvestigación que desentraña muchas interrogantes de dos siglos de ínfulas hegemónicas de los Emperadores del Terror, que en función de sus intereses usurpan el mandato del pueblo norteamericano.

Entre sus páginas, el lector encontrará igualmente pruebas contundentes sobre la esencia imperial de las fuerzas que ejercen el poder desde la fundación de la nación y los métodos empleados para preservarlo.

La presentación en La Cabaña contó con la presencia de los Cinco Héroes antiterroristas cubanos; Julián González Toledo, Ministro de Cultura; Zuleica Romay, presidenta del Instituto Cubano del Libro, así como destacados intelectuales y escritores cubanos y extranjeros.

“A grande escola revolucionária de Cuba foi a participação”

Por Sheila Fonseca,

Daniel Planel/Agência Ponto de Equilíbrio Imagens

23 de abril de 2014 – 14h40

O professor, escritor, cientista político e ex-ministro da Cultura de Cuba, Abel Prieto, esteve no Brasil neste mês para participar da 2ª Bienal do Livro e Leitura, em Brasília, e também do encontro da Rede de Artistas e Intelectuais em Defesa da Humanidade, no Rio. Prieto concedeu uma entrevista exclusiva ao Vermelho, onde fala dos desafios enfrentados no atual período de abertura comercial cubana e do futuro da integração latino-americana.

Segundo o ex-ministro da Cultura de Cuba, a integração das Américas acontecerá através da cultura. Segundo o ex-ministro da Cultura de Cuba, a integração das Américas acontecerá através da cultura.

“Se realmente se pretende construir na América Latina uma aliança que perdure, ligada por afetos, relações reais e diálogo, a cultura tem que estar presente”. Essa é a ideia central que dá o tom à entrevista e define em boa parte o legado político e sociocultural de Abel Prieto.

Formado em Literatura Hispânica pela Universidade de Havana, ocupou o cargo de ministro da Cultura de Cuba por 15 anos, de 1997 a 2012, implementando em sua gestão a ampliação do diálogo cultural com países da América do Sul. Prieto também foi diretor do Editorial Letras Cubanas e presidente da União de Escritores e Artistas de Cuba, antes de tornar-se ministro. É autor dos romances “Los bitongos y los guapos” (1980), “Noche de sábado” (1989) e “El vuelo del gato” (1999). Atualmente ocupa o cargo consultivo de assessor do presidente Raúl Castro.

Bem-humorado, carismático e de discurso otimista, Prieto fala de questões relevantes para o Brasil, como o desenvolvimento do projeto de integração através da Rede de Artistas e Intelectuais em Defesa da Humanidade e faz uma previsão: “Prevejo, no futuro, uma Cuba em que o consumo não esteja associado à ideia de felicidade.”

Vermelho: A Revolução Cubana sempre atribuiu como um dos elementos centrais a questão do fortalecimento da cultura popular como resgate da identidade do povo cubano, num sentido abrangente. As manobras externas buscando a desestabilização desse modelo sociocultural e sociopolítico cubano foram as mais diversas desde o início da Revolução. O filósofo e ativista político Noam Chomsky chegou a afirmar certa vez que “Cuba foi vítima de mais terrorismo que qualquer outro país do mundo”. Na opinião do senhor, em meio à questões econômicas e políticas tão extremas, como embargos que Cuba vivencia, o que se conseguiu consolidar da cultura popular cubana, de forma a ter um papel protagonista na definição da identidade do país?

Abel Prieto: O campo da política educacional e cultural sempre foram prioridades, pois são pilares da Revolução Cubana. Fidel dizia que uma revolução somente pode ser filha da cultura e das ideias. Então houve um trabalho muito duro, um processo de descolonização, de resgate da cultura popular, folclórica e de valorização da cultura africana, que havia sido oprimida, perseguida através dos anos, desde a colonização espanhola. Criou-se ainda nos anos 1960, o Conjunto Folclórico Nacional, que foi muito importante, foi um marco nesse processo de resgate cultural. Expressões da religiosidade africana, subestimadas pela igreja (católica), começaram a ser valorizadas nesta época através da consciência revolucionária, permitindo que novos valores fossem surgindo e se consolidando em Cuba. Investiu-se também como política na alfabetização de adultos, fazendo um trabalho duro para tirar o povo da ignorância. Criamos a “Casa de Las Américas”, que foi um divisor de águas na política cultural cubana, logo no inicio da revolução. Buscamos um projeto de valorização da nossa cultura, da cultura popular, mas nunca de maneira simplificadora. A grande escola revolucionária foi a participação. O que permitiu que a Revolução Cubana pudesse avançar, ter êxito e persistir até os dias de hoje, foi esse trabalho de resgate do nosso patrimônio cultural e a democratização do acesso à cultura.

Qual o impacto cultural do bloqueio norte-americano a Cuba? O senhor acredita na possibilidade de estarmos nos aproximando do fim desse bloqueio?

O bloqueio limita de muitas formas. Há o impacto político, social, econômico. Na cultura, limita os artistas, os escritores, porque os EUA são o principal mercado consumidor de arte. Então isso limita economicamente. E perde-se de ambos os lados, os músicos, escritores, artistas plásticos deixam de se apresentar em um mercado consumidor e os EUA, por sua vez, ficam privados da riqueza da cultura cubana. Eu creio que sem o embargo as escolas de arte teriam mais recursos, poderíamos investir mais. Recentemente o presidente norte-americano, Barack Obama, concedeu uma autorização à artistas cubanos para se apresentarem nos EUA. Mas é uma autorização muito precária, muito limitada, porque é em caráter acadêmico e não remunerado. Os artistas seriam liberados para se apresentarem em eventos específicos e não poderiam receber por seu trabalho. É difícil fazer previsões sobre o fim do embargo. Obama tem sido perseguidor implacável, talvez até pior do que a gestão Bush.

Como exemplo, recentemente houve uma polêmica com um medicamento patenteado cubano chamado Heberprot-P. Esse medicamento tem ação única no mundo, ele trata de feridas, úlceras nos pés causadas pelo diabetes, que são responsáveis por amputações. O Heberprot-p é o medicamento com melhor resposta na cicatrização dessas feridas. E em decorrência do bloqueio o remédio não podia ser comercializado nos EUA, deixando de beneficiar os cidadãos norte-americanos. Penso que para o fim do bloqueio falta um ato de valentia política.

O senhor acha que Cuba tem sido bem sucedida no seu modelo educacional e cultural? E qual a leitura crítica o senhor faz? No que e como pode melhorar?

Sem dúvida teve melhora na qualidade da educação. Creio que o que se pode fazer para melhorar é investir na melhora da qualidade dos professores. Cem por cento da população cubana hoje pode estudar. Somos um povo instruído, mas não somos um povo culto. Acho importante o investimento na formação ética de valores e conduta.

Cuba se situa na região do Caribe, que, tradicionalmente possui forte ascendência da cultura norte-americana. O senhor acha que a Revolução Cubana teve êxito no distanciamento e resgate cultural. Ou a ascendência americana ainda persiste?

Em Cuba fomentamos o sentimento anti-imperialista, mas não antiamericano. Há diferença. Publicamos autores como Edgard Allan Poe, mantemos um Museu da Casa de Hemingway, onde o escritor norte-americano Ernest Hemingway morou. Então há a valorização da nossa cultura, mas respeito pela cultura de qualidade estrangeira. Mas hoje ainda há uma influência da cultura americana. Através das emissoras de língua espanhola, se consome seriados de baixa qualidade, sem senso crítico, reality shows, programas culturalmente medíocres. A maneira de combater isso é buscar informar os jovens, para que eles tenham referências e discernimento. Como diz Fidel, “ser culto é a única maneira de ser livre”. É o que buscamos.

Em sua opinião a juventude cubana de hoje é politizada? Ou o senhor acha que houve uma despolitização? O jovem cubano se preocupa com a manutenção do modelo político e cultural de Cuba? Há esse desejo na juventude?

Não se pode generalizar. Pode-se dizer que hoje há uma vanguarda na juventude cubana. De jovens que leem muito, que escrevem, que produzem pensamento e são politizados. Uma parcela da juventude ativa, que debate e que está bem comprometida em levar adiante o projeto revolucionário cubano. Mas também há segmentos de nossa juventude que se deixam ganhar por esse tipo de mensagem superficial, trazida pela TV, por enlatados, pela internet e por outros meios. E o caminho para se combater isso não é a censura, é o fortalecimento da cultura nacional. A sociedade cubana é mais heterogenia que as outras. Há a questão do emprego como uma preocupação da juventude, que está buscando trabalho em profissões que não são as profissões das quais se formaram. Acho que tem que se escutar o jovem. Eu prefiro um jovem crítico.

O senhor foi ministro da Cultura por 15 anos. Qual foi o projeto cultural implementado por Cuba na sua gestão?

O que fiz foi só dar continuidade. Armando Hart, que foi ministro da educação de Cuba, responsável pelo programa de alfabetização, de erradicação do analfabetismo, foi que iniciou tudo isso e fez um trabalho insuperável para os artistas. Temos como meta a democratização da cultura sem concessões. Fomentamos o acesso à cultura. Na literatura, Don Quixote, de Cervantes, foi considerado um marco, com prensagem de 500 mil exemplares, e era vendido em bancas, por 1 peso na década de 1960. Não adotamos uma política cultural “chauvinista” apesar da necessidade de resgate da nossa cultura. Criamos a Universidade para Todos, dentre outros programas de democratização. A ideia é fazer aliança com a vanguarda artística.

Recentemente, em junho de 2013, o senhor deu uma declaração na conferência do Centro Cultural de la Cooperación, na Argentina, onde afirmou que “a integração de nossas Américas, se não for cultural, não haverá integração. Pode haver integração comercial, tratados de grande transcendência, mas todo esse conjunto de ações termina sendo reversível sem uma plataforma de integração cultural. Sem esse respaldo (cultural) a integração é frágil”. Qual a integração, o diálogo cultural entre Cuba e a América Latina hoje? Fale-me sobre a Rede de Artistas e Intelectuais em Defesa da Humanidade.

Há de fato um esforço de aliança cultural. Se realmente se pretende construir na América Latina uma aliança que perdure, ligada por afetos, relações reais e diálogo, a cultura tem que estar presente. Os programas de aliança foram exitosos pela rede de distribuição de troca cultural. Há algum tempo, junto com representantes da Venezuela, Bolívia, podemos dizer que existia um Fórum de Ministros sobre o tema de alianças e distribuição cultural na América Latina, mas muito se falava, muito se discutia e em pouco resultava. Quando Cuba foi expulsa da OEA todos romperam, menos o México. Um ato de justiça poética. Hoje a América mudou muito e há melhores condições para o diálogo. A Rede de Artistas e Intelectuais é um caminho. Há um desafio tremendo, sei que poder haver traições, mas é um passo extraordinário.

O que o senhor acha da transição de abertura que Cuba passa no momento, na atual gestão de Raúl Castro. Há receio por parte de analistas políticos, de que a abertura política culmine em uma volta ao capitalismo. O senhor acha que há de fato essa possibilidade? Quais os impactos disso já podem ser vistos na identidade cultural Cubana?

Não há nenhuma possibilidade de que Cuba regresse ao capitalismo. Nos documentos estão estabelecidos os princípios do país se mantém na mão do Estado. As mudanças dizem respeito à gestão de não estatais; não se fala de privatização. Cuba não permite latifúndio. O conceito de privatização está excluído como política. Absolutamente. Portanto, não há nenhuma alternativa de retorno ao capitalismo. Estamos arrendando terras às cooperativas e famílias, e os camponeses têm a obrigação de fazer a terra produzir, porém, a propriedade permanece sendo do Estado e de todo o povo cubano. Ninguém vai ficar desamparado. A saúde gratuita para todos se mantém reduzidos os índices de mortalidade infantil. Fazemos uma medição de peso todas às crianças, para calcular os índices de nutrição e termos uma estatística. As famílias com crianças abaixo do peso recebem auxílio e são amparadas pelo Estado. Quantas tragédias se escondem atrás de estatísticas? O acesso à educação gratuita se mantém. A valorização e democratização da cultura continua sendo um elemento central e inegociável.

Por último, muito obrigada pela entrevista. Eu vejo que o senhor tem uma visão otimista. Como o senhor vê o futuro de Cuba para daqui a dez anos?

Não sou muito bom em futurologia… Mas prevejo uma Cuba socialista e soberana. Mais eficiente e mais produtiva. Com uma vida cultural intensa e diversificada. Uma Cuba com um sistema educacional eficiente, que transmite valores morais e éticos elevados. Que não dependa de petróleo, que possua uma economia renovada. Uma Cuba onde o consumo não esteja associado à felicidade. Que nosso modelo futuro tenha um componente de felicidade.