Encerrada a CELAC, presidentes do bloco apelam à cooperação regional

A IV edição da Cúpula da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELAC), foi encerrada nesta quarta-feira (27) em Quito, no Equador, com declarações dos presidentes do bloco para o enfrentamento de problemas comuns como a crise econômica, o combate à extrema pobreza e a ameaça do Zika vírus

 

Chefes de Estado reunidos na IV Cúpula da CELAC
Chefes de Estado reunidos na IV Cúpula da CELAC (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Encerrada a reunião da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (CELAC) em Quito, o tom geral dos pronunciamentos dos chefes de Estado presentes foi o apelo à cooperação regional como a melhor forma de resistência aos desafios econômicos, sociais e políticos dos 33 países que compõem o bloco.

Anfitrião da Cúpula, o presidente do Equador, Rafael Correa, criticou o domínio dos mercados financeiros sobre o bem-estar dos povos e ressaltou que a sociedade não pode ser tratada como mercadoria.

Além disso, o líder equatoriano também falou sobre as negociações de paz, que estão em curso entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Rafael Correa lembrou ainda aos presidentes e representantes do bloco, que em 2014 a América Latina e o Caribe foi declarada “zona de paz” durante a Cúpula da CELAC ocorrida naquele ano em Havana.

O presidente do Equador também se referiu à necessidade de solucionar o que ele denominou como “o mal chamado mercado laboral”, para que se consiga garantir a todas as pessoas condições dignas de trabalho.

Já o líder da República Dominicana, Danilo Medina, que recebeu do Equador a presidência pro-tempore da CELAC, afirmou que seu país fará o possível para que a CELAC seja um espaço ainda mais integrado de diálogo.

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, que recentemente declarou estado de emergência econômica em seu país, também apelou à união entre os Estados para enfrentar a crise na economia, sugerindo a criação de um plano comum anticrise para a região.

Na Cúpula, em que participaram 33 países da América Latina e do Caribe, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos também se pronunciou sobre os avanços do processo de paz com as FARC que está em andamento com a mediação de Havana.

Ele anunciou que os Chefes de Estado participantes desta IV Cúpula da CELAC, decidiram convocar uma reunião dos seus ministros da saúde para conter o vírus da Zika. Santos se mostrou preocupado por causa da situação em seu país, onde mais de 15.000 pessoas já foram afetadas.

A presidenta Dilma Rousseff defendeu a integração entre os países da CELAC para enfrentar a crise econômica mundial. ​Além disso, ela também propôs uma ação de cooperação regional para combater o vírus da Zika.

Em entrevista coletiva, Dilma ressaltou que, para tratar essa questão, haverá uma reunião do Mercosul em Montevidéu, no Uruguai, na próxima terça-feira (2), além do encontro entre os Ministros da Saúde da CELAC que acontece esta semana.

A CELAC também designou nesta quarta-feira uma missão de chanceleres de 4 países do bloco – Equador, Costa Rica, República Dominicana e Bahamas -, para avaliar a situação eleitoral no Haiti, a pedido do governo do país caribenho. A informação foi divulgada em uma rede social pelo ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño.

Com agências

A luta continua!

 

 

Por: Helena Iono

Na noite de 22 de novembro, após os resultados eleitorais oficiais, pairou um silêncio mortal na Argentina, quase como um black-out, ou um toque de queda em tempos de guerra. Entre a tristeza profunda de 12,5 milhões que renderam o voto de apoio e um “sim” à  continuidade das conquistas sociais dos últimos 12 anos de governo popular e democrático de Néstor e Cristina Kirchner (votando a Scioli), e o silêncio de uma parte dos eleitores que completaram a vitória eleitoral de Macri com uma parquíssima diferença de 2,8%, concedida por uma espécie de “voto inseguro”, dos ludibriados, que provavelmente sentiam temor pelo futuro e que, mesmo após a vitória, vivem de incertezas e quiçá pensavam, sem festejar: “votamos no escuro, a um tipo disfarçado, sem propostas claras e enganosas. Será que demos um tiro no pé?”. Nenhum burburinho de alegria e de festa, salvo um punhado de gente no Obelisco para a imprensa mundial, entre balões e música no melhor estilo norte-americano, calculando como poder agora tirar proveitos pessoais, pisoteando o sonho dos oprimidos, dos trabalhadores, da consciente e culta classe média argentina por um país justo e soberano.

 

Mas, passado o momento emotivo, vamos aos fatos objetivos, compartilhando algumas reflexões de analistas argentinos que circulam após o pleito. Houve uma derrota eleitoral de Scioli da FPV, mas não uma derrota social, nem do projeto econômico-social e político criado e praticado nestes 12 anos. Os 48,6%, correspondentes a 12,5 milhões de votos, estabelecendo uns 700 mil de diferença em relação ao vencedor, e conquistando a maioria na Província de Buenos Aires (onde no 1o. turno perdeu o governo), e o governo de 15 províncias, são votos compactos, conscientes na defesa deste projeto, crescidos no seio de uma reação popular nestas últimas 2 semanas de campanha, frente à ameaça de retrocesso aos anos 90, que não poderá ser imposto sem métodos ditatoriais. A militância das várias agrupações da FPV, independentes, jovens, artistas, jornalistas, cientistas, ocuparam os vários pontos das cidades, parques, bateram de porta em porta, acionaram rádios e tvs comunitárias, fizeram panfletos e vídeos-spot, ocuparam redes sociais difundindo os pontos programáticos que explicitavam que Scioli era a continuidade de um projeto de empoderamento de um Estado democrático e inclusão social. Por outro lado, os 51,4% de Macri são votos de uma junção de partidos (PRO, Unen de L. Carrió, Radicais conservadores) de direita, da oligarquia e grupos financeiros, que se disfarçaram atrás da sigla “Cambiemos”(Mudemos), de palavras vazias, “todos unidos”, “paz e amor”, os do grande capital finaceiro, do neo-liberalismo dos 90, dos agentes da ditadura, do pró-Alca, da Aliança para o Pacífico, do anti-bolivarianismo. Para chegar a esta votação, usaram um marketing fabricado pelo Tio Sam, de que é possível mudar de liderança política, com novas caras “sorridentes”, sem mudar o projeto já existente; ocultou seu projeto neoliberal para enganar parte da nova classe média,  do comerciante e do lúmpen proletariado. São táticas padronizadas, da sedução e do engano, como Capriles Radonski na Venezuela que se disse continuador das missões sociais implementadas por Chávez, e seguidor de Lula, para ocultar seu projeto fascista.

Mas, a governabilidade de Macri será difícil; deverá se confrontar com uma feroz disputa de interesses internos e de poder. A sua intenção de retroceder o país às privatizações, aos acordos com o FMI e aos ajustes neoliberais (*), encontrarão um Congresso onde a FPV tem a maioria (na Câmara dos Deputados não faz quórum, mas tem a maioria; no Senado, faz quórum e tem maioria; podendo barrar algumas tentativas de retrocesso nas leis consolidadas), e nas ruas, bairros e fábricas, 12,5 milhões de mobilizados vão defender o já conquistado. A memória pelos 30 mil desaparecidos não se apaga. Macri deverá olhar por onde pisa. Já lhe puseram um pé no freio para não dar marcha ré:  jornalistas e trabalhadores do jornal “La Nación” contestaram o editorial de ontem em que chamava a não aplicar a lei contra lesa-humanidade que pune os repressores da ditadura. Macri, na primeira coletiva de imprensa, ao ser indagado, teve que dizer que continuará com os julgamentos.

 

Evidentemente, a cara nefasta dos planos de governo neo-liberal de Macri vão se manifestar mais rapidamente no plano da política internacional. Este governo, é uma ameaça à unidade latino-americana conquistada por Chávez e Cuba nos últimos anos, à solidificação de Mercosul, Unasul, Celac, Brics e à integridade dos governos progressistas e revolucionários na Venezuela e Brasil. Macri já se pronunciou pela aplicação da Carta Democrática para expulsar a Venezuela do Mercosul, alinhando-se com os golpistas venezuelanos. O resultado das eleições presidenciais na Argentina alteram as relações de forças na América Latina, reforçando no seu interior, os agentes desestabilizadores que provém da Europa EUA e Otan contra os países progressistas do Oriente Médio, Síria e Irã. Porém, a batalha não está vencida.  Não vai ser fácil a Macri manter uma política de enfrentamento com a Venezuela, pois já o Brasil e Uruguai se manifestaram contra a posição a Argentina nesse quesito do Mercosul.  No Irã acabam de se reunir, Putin, Maduro, Evo, com Khamenei para convênios de intercâmbio que injetam gás à unidade dos países que reforçam a resistência às guerras de ocupação e golpes reacionários. Tudo isso, no bojo de uma Rússia que com Putin lançou a ação na defesa da integridade do povo e governo democrático da Siria. A chamada “nova Argentina” não poderá apagar da noite ao dia os acordos econômicos com a Rússia e a China (que deram vida, graças as nacionalizações, ao transporte ferroviário argentino), ceder ao FMI e Fundos Abutres, sem desmantelar direitos sociais e enfrentar uma reação popular de proporções inimagináveis. Sem falar na bomba da política cambial e de desvalorização do peso que está por implementar; a oligarquia vibra com o fim das retenções às exportações, e as pequenas e médias empresas, temem o fim dos subsídios, o aumento dos preços com a desvalorização, pressão trabalhista por aumento salarial, e desemprego; e a ameaça ao fim das paritárias já agita o movimento sindical.

 

No cômputo das reflexões é preciso inserir os erros e as falhas que levaram a esta derrota eleitoral, que é um verdadeiro golpe. Este não assume a cara violenta como no golpe contra Allende em 1973.  É a época dos “golpe suaves”. O preâmbulo foi o constante ataque à imagem de Néstor que enfrentou a Alca, e Cristina que cortou as asas dos Fundos Abutres, instigado pela eterna e não erradicada aliança entre a mídia (Clarin, e La Nación, Canal telefisivo TN) e o poder Judiciário, evidenciada no caso Nisman. Apesar da implementação da “Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual” (Lei da Mídia) que limita o poder da mídia privada, a sua aplicação encontra dificuldades; uma recente decisão judicial da Corte Suprema rechaçou a apelação contra a medida cautelar que exime o Clarin de adequar-se a essa lei. Não obstante a acertada utilização da TV Pública e das cadeias nacionais para comunicar discursos e medidas presidenciais, e programas de informação objetiva e formação política como o 6,7,8, o poder e a guerra dos grandes proprietários midiáticos são implacáveis e não foram debelados. O papa Francisco, chamou acertadamente ao voto de consciência. Mas, a dificuldade em construir consciências é enorme como no Brasil onde encontramos várias semelhanças no comportamento psíquico-social de uma parte da classe média instrumentalizada pela direita. Seja na época de Hipólito Irigoyen, como de Perón, a nova classe média beneficiada pelas medidas de inclusão social, voltaram-se contra e foram base de golpes de direita. O mesmo ocorreu nesta eleição na Argentina, onde a era Kirchner reduziu a 5,9% o desemprego, desendividou o país e deu dignidade aos humildes, soberania e cultura. Não obstante, a nova classe média quer mais e oscila, sem a consciência do proletariado, envenenada pela campanha midiática do “medo”, do terror, da insegurança. Sectores como este, são midiaticamente induzidos ao racismo, ao egoísmo, e até a considerar obras culturais como a transformação do velho Correio Central em Centro Cultural Kirchner, com dezenas de salas de exposição, cursos, teatro e espaço infantil, espetáculos, totalmente gratuitos, possibilitando o acesso dos pobres à cultura, como gasto inútil do dinheiro público.  Paira no ar a dúvida do que ocorrerá com todos os patrimônios da Memória, como o Museu da ESMA, do Museu da Memória e Vida (ex- Mansão Seré, recentemente violada por fascistas). Não há dúvidas de que o povo argentino, saberá defender todas as conquistas dos 12 anos de dignidade: o subsídio universal por filho, o matrimônio igualitário, a lei de identidade de gênero, o das empregadas domésticas, a Aerolíneas Argentinas, a YPF, as ferrovias nacionalizadas e os trens chineses, a aposentadoria mais alta da A. Latina, os 118 netos e filhos de desaparecidos, o Fundo estatal das aposentadorias (AFJP), Tecnópolis, os 2 satélites nacionais, os programas infantis de Paka-Paka, o Canal “Encuentro”, o Museu da TV Pública, e o do Bicentenário, as “madres y abuelas de Plaza de Mayo”, a visita dominical livre na Casa Rosada, as Malvinas argentinas, etc…

 

Após estas eleições, muitas reflexões serão feitas. Porque, não obstante tudo isso, venceu o voto pela mudança-retrocesso. Pergunta-se se o reformismo, neste contexto mundial de crise capitalista, na Europa e no mundo, está chegando ao seu limite, e se é possível continuar indefinidamente avançando somente com a dependência a pleitos eleitorais? Pode-se enumerar algumas falhas: o descuido com a comunicação direta com o povo, através dos organismos de bairro, da base sindical, das escolas; e a mais profunda, que tem sido a ausência de medidas muitas de ruptura com o sistema capitalista, com o poder dos bancos, a falta do monopólio estatal do comércio exterior; tudo isso poderia ter avançado nestes últimos anos. É provável que estava no projeto de Cristina Kirchner e sua equipe, de aprofundar estas metas na próxima gestão peronista-kirchnerista com Scioli, com apoderamento popular, limpezas burocráticas e superação de carreirismos; relações internacionais decisivas com a Rússia e a China. Sem avançar em direção a uma estrutura econômica-político-institucional de ruptura do Estado em direção a um Estado Revolucionário, e real poder popular não há eleição que suporte um processo linear de avanço de um projeto profundo de transformação social. É hora de pensar em como os governos progressistas devem partir da democracia representativa à democracia participativa. Evidentemente, a crise mundial encurta os prazos, e a onda reacionária tenta impedir que todas as tarefas e metas revolucionárias se cumpram a tempo. Néstor e Cristina deixaram um legado e não se equivocaram jamais num ponto central: sem a unidade socialista dos povos e governos progressistas da América Latina e do mundo não há como edificar a soberania de nenhum país. Por isso, é fundamental que nas próximas eleições de dezembro na Venezuela toda a América Latina esteja atenta e apoie o triunfo do governo bolivariano de Nicolás Maduro. O povo argentino sofreu um golpe, mas tem memória e saberá estar em pé de luta e defender com força a sua dignidade e soberania.

 

  1.  Helena Iono

 

 

 

Helena  Iono

Colaboradora da TV Cidade Livre

(canal comunitário de Brasília)

 

(*) Mais sobre quem é Macri: “O capitão que conseguiu os votos”,  de Martin Granovsky publicado no jornal argentino Página 12, do dia 23 de novembro, e no Carta Maior http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/O-capitao-que-conseguiu-os-votos/6/35041

Em busca de alternativas de cooperação #UE-CELAC

Fonte: Cuba por Siempre

2cadndice
 A II Cúpula Acadêmica CELAC-União Europeia (UE) começou nesta segunda-feira, a fim de ampliar e aprofundar o espaço para o ensino superior, a ciência, a tecnologia e a inovação.

O encontro, ocorrido antes da II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (CELAC)  e UE nos dias 10 e 11 de Junho, incentivou o trabalho conjunto para avançar e consolidar estas iniciativas em matéria de ensino superior.

Neste contexto, Cuba, presente no encontro na capital da Bélgica, clamou pelo reforço na cooperação entre as universidades dos países da CELAC e da UE.

“Queremos transcender da teoria para a prática e que possamos concretizar mais projetos em áreas de interesse comum”, declarou o reitor da Universidade da província cubana de Camagüey, Santiago Lajes Choy, em sua intervenção durante o fórum.

Enquanto a reitora da Universidade Agrária de Havana, Maria Irene Balbín, referiu-se às possibilidades deste encontro para promover a cooperação em ensino superior, a formação de profissionais, a investigação e a inovação tecnológica.

Roberto Escalante, secretário-geral da União de Universidades da América Latina e do Caribe, disse que ambas as regiões têm realidades diferentes, mas existem áreas de interesse comum, como a luta contra as alterações climáticas e pela segurança alimentar.

A Cúpula Acadêmica possibilitou para as comunidades acadêmicas das duas regiões, trabalharem a fim de avançar e consolidar as propostas geradas na Cúpula anterior, realizada em janeiro de 2013 em Santiago do Chile.

Nas linhas traçadas na capital chilena, estão propostos quatro grupos de análise temática, entre eles o fortalecimento da integração birregional dos sistemas de educação superior, que incluem subtópicos como os valores universais e a diversidade cultural. Outra linha é a promoção da integração birregional dos sistemas de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, centrada na universidade como promotora da inovação e da criatividade, com foco no desenvolvimento sustentável.

A cooperação birregional entre as instituições de ensino superior e suas relações com a sociedade, particularmente com o setor produtivo; a inovação e os direitos de propriedade intelectual; são outros dos eixos. Além disso, as tecnologias como facilitadoras e promotoras, bem como o papel social das universidades no século XXI. Da mesma forma, as ligações entre a comunidade acadêmica e as políticas públicas, incluindo aspectos como a educação para a inclusão social: pedagogia pré-escolar e pré-universitária, a formação de professores e a formação permanente.

Os resultados dessas deliberações serão apresentados aos Chefes de Estado e de Governo durante a II Cúpula da CELAC-UE através de um documento que conterá as ideias e propostas da comunidade acadêmica, com vistas a avançar neste espaço comum e consolidar a parceria estratégica birregional.

Esta semana, Bruxelas é o palco onde a região latinoamericana e caribenha, juntamente com a União Europeia, pretendem dar um novo impulso em suas relações, em um contexto muito diferente ao de 15 anos atrás.

Aproximadamente 40 Chefes de Estado e de Governo e delegações de alto nível de 61 países devem participar desta cúpula, que se realiza no Justus Lipsius, sede do Conselho da UE. (Cubaminrex / PL)

Tradução: Juliana MSC

Díaz-Canel defende um diálogo construtivo entre a América Latina e a Europa

Fonte: Gramna

 

EU-CELAC-2015

 

O primeiro vice-presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse hoje que existem diferenças e desafios comuns entre a América Latina e o Caribe e a Europa e apelou para um diálogo construtivo entre as duas regiões.

“Há muito tempo a Europa propôs uma relação igualitária para com os países da América Latina e do Caribe, mas nunca realmente chegamos a essa condição de igualdade”, declarou à Prensa Latina.

Portanto, disse ele, cada vez mais as assimetrias e diferenças de desenvolvimento são maiores. Há também diferentes pontos de vista sobre como os países latinoamericanos e caribenhos e os europeus enxergamos os elementos em torno do desenvolvimento, especialmente as políticas a serem implementadas para alcançá-lo.

“Há insatisfação entre as nações de nossa região em relação ao que foi alcançado nesta parceria birregional”, apontou Díaz-Canel, que está em Bruxelas para participar da II Cúpula da Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELAC) e União Europeia (UE), nos dias 10 e 11 de Junho.

Na sua opinião, a Cúpula é o lugar para rever e propor a forma de alcançar e aperfeiçoar este relacionamento. “Estamos em um momento em que vemos que há mais vontade política dos países europeus para termos um diálogo de respeito, não intervencionista, não discriminatório com as nações da América Latina e do Caribe”.

Ele ressaltou que, apesar da existência de muitas diferenças, existem desafios comuns. “Para sobreviver neste mundo tão complexo, é necessária a cooperação birregional e internacional”, disse ele.

Em sua opinião, existe possibilidade de abordar em uma agenda e em um diálogo político e de cooperação, questões como o desenvolvimento sustentável, as questões sociais, de saúde, de segurança pública, os temas migratórios, a luta contra as drogas, como avançar no intercâmbio técnico-científico, educacional, os problemas das alterações climáticas e do meio ambiente.

Tudo isto deve ser levado em conta sem ignorar a dívida histórica que os países europeus tem com a América Latina e o Caribe. “Esperamos chegar a um acordo que possa ser capaz de termos um programa mais realista sobre isso que se tem chamado de parceria birregional”, disse ele.

“O contexto é diferente, desde que se iniciaram este tipo de cúpulas e nessa relação tem ocorrido coisas muito importantes: a América Latina e o Caribe estão integradas na CELAC e a Europa transitou desde 2007 pelo Tratado de Lisboa”, disse ele.

Díaz-Canel expressou que a isso se soma o processo de restabelecimento e posterior normalização das relações entre Cuba e os Estados Unidos. “Nosso relacionamento com a Europa também está matizado por esses eventos que marcam não só a nossa dimensão nacional, mas também a da América Latina e do Caribe e da Europa.”

“Os laços da ilha caribenha com o chamado Velho Continente são históricos. Tem a ver com a nossa história e a nossa cultura, e há até mesmo os laços familiares entre a maior das Antilhas e os países europeus”, disse ele.

O primeiro vice-presidente cubano ressaltou que “tem havido uma relação mais fluida com os países europeus desde que se restabeleceu a cooperação e agora estamos em um caminho importante porque também se restabeleceu o diálogo político para realmente chegarmos a um acordo nesse sentido”.

“Há muitos pontos em comum entre os dois lados em que podemos trabalhar como as mudanças climáticas, o desenvolvimento sustentável, o intercâmbio técnico-científico, estudantil, educacional e as questões de saúde” destacou.

Nós podemos inclusive cooperar Europa-Cuba vinculadas a terceiros países, ou seja, uma relação tripartite em que podemos incluir nações africanas e latinoamericanas. “Nós podemos fornecer recursos humanos e outros poderiam se encarregar de colocar os recursos financeiros e tecnológicos. Isso teria que se julgar, claro, de acordo com o interesse desses países”.

Segundo ele, há um cenário favorável para se chegar a um diálogo construtivo mas tanto a CELAC como Cuba vão à Cúpula esta posição de diálogo construtivo, desde que sua soberania seja respeitada e que não haja ingerência em seus assuntos internos.

“Acho que existem condições para um progresso real, até mesmo mais maduras que em outros momentos e tudo isso será visto nas discussões que ocorrerão na quarta e na quinta-feira em sessão plenária”, acrescentou.

 

Tradução: Juliana MSC

Cronologia das relações entre a UE e a América Latina

Na esteira da realização da II Cúpula CELAC-UE, que acontece entre os dias 10 e 11 de junho em Bruxelas, dando continuidade aos encontros multidisciplinares que Europa e América Latina iniciaram ainda na década de 70 com as conferências entre seus parlamentos, reproduzimos abaixo uma cronologia da relação entre as duas regiões, publicada pelo portal de notícias La Vanguardia:

 

– 1974: Iniciam-se as conferências semestrais entre o Parlamento Europeu e o Parlatino.

– 1975: Criação do grupo ACP (África, Caribe e Pacífico) e assinatura da Convenção de Lomé (UE-ACP).

– 1976: Primeiras atividades de cooperação entre a Comunidade Europeia (CE) e a América Latina.

– 1983: Assinatura do primeiro acordo de cooperação com o Pacto Andino.

– 1984: Em meio à crise da América Central, começa o diálogo político de San Jose entre a CE e a América Central, em apoio ao processo de paz regional.

– 1985: Assinatura do acordo de cooperação CE-América Central.

– 1986: Criação do Grupo do Rio.

– 1987: Primeiro encontro informal, em Nova York, entre a CE e o Grupo do Rio.

– 1988: Cuba é o primeiro país não-europeu do antigo Comecon a estabelecer relações diplomáticas com a CE.

– 1989: A República Dominicana e o Haiti são aceitos como membros da Convenção de Lomé.

– 1990: A Conferência de Roma institucionaliza o diálogo político entre a UE e o Grupo do Rio.

– 1991: Conferência Ministerial inaugural UE-Grupo do Rio em Luxemburgo.

Em março de 1991 é assinado o Tratado de Assunção que cria o Mercosul.

– 1992: Criação do Cariforum. A UE oferece concessões para as exportações dos países da América Central.

– 1993: Marco do Acordo UE-Pacto Andino de terceira geração, que inclui o diálogo político, a cooperação antidrogas e a cláusula democrática.

– 1994: IV Encontro Ministerial UE-Grupo do Rio, que adota uma declaração sobre “parceria estratégica”.

– 1995: Assinatura em Madrid do Acordo de Cooperação Interregional entre a UE e o Mercosul.

– 1996: Assinatura em Florença do Acordo de Cooperação UE-Chile, etapa anterior ao livre comércio.

Naquele ano, a XII Conferência Ministerial de San Jose define novas áreas de cooperação com a América Central, para apoiar a integração regional.

Se realiza a primeira reunião de alto nível entre a UE e o Pacto Andino sobre o combate às drogas.

– 1997: UE e México assinam um Acordo de Associação Econômica, de Concertação Política e de Cooperação, que entrou em vigor em Outubro de 2000.

– 1998: Cuba é aceita como observadora na Convenção de Lomé que integra 71 países da ACP.

– 1999: I Cúpula de Chefes de Estado e de Governo UE-América Latina-Caribe em 28 de junho, no Rio de Janeiro, em que é criada uma Associação Estratégica Birregional.

São aprovados mandatos de negociação de Acordos de Livre Comércio com o Mercosul e o Chile.

– Março de 2000: Assinatura do Acordo Global com o México, que entra em vigor em outubro seguinte.

– Junho de 2000: A UE e os 77 países da ACP, assinam em Cotonou (Benim) um novo Acordo de Cooperação, em vigor desde Abril de 2003.

– Dezembro de 2000: Cuba torna-se o primeiro país da ACP não-pertencente ao Acordo de Cotonou, a ser admitida como membro pleno.

– Dezembro de 2001: A UE aprova o programa de cooperação eletrônica “Aliança para a Sociedade da Informação”, iniciado em abril seguinte, em Sevilha (Espanha).

– Abril de 2002: Reunião Ministerial UE-América Latina e Caribe, em Sevilha. Aprovado o Acordo Global UE-Chile.

– Maio de 2002: II Cúpula Euro-Latinoamericana, em Madrid. Entre as conquistas, a assinatura do Acordo de Associação UE-Chile, os programas Alban de bolsas de estudo para pós-graduação e Alis sobre novas tecnologias. Se abre para a Comunidade Andina de Nações (CAN) e América Central (SICA) a perspectiva de negociar acordos de parceria.

– Junho de 2002: A UE adota uma estratégia de cooperação com a América Central, com ajuda de 444,5 milhões de euros entre 2002-2006.

– Dezembro de 2003: Assinados em Roma os Acordos de Diálogo Político e Cooperação com a América Central e a Comunidade Andina aprovados pelo Parlamento Europeu em Março seguinte.

– Maio de 2004: III Cúpula UE-LAC em Guadalajara (México), a primeira com a UE ampliada em vinte e cinco. Iniciam-se as negociações sobre um Acordo de Parceria Econômica com quinze países do Caribe.

– Dezembro de 2005: Aprovação do SPG Plus (SPG +), que permite a países andinos e centroamericanos exportarem à UE 7.200 produtos sem tarifas alfandegárias até 2008.

– Abril de 2006: A Venezuela anuncia sua intenção de deixar a Comunidade Andina.

– Maio de 2006: IV Cúpula UE-LAC em Viena, que estreitou laços. Se anuncia a abertura de negociações UE-América Central, classificada como “histórica” ​​pelos países centroamericanos.

– Maio de 2008: Lima cedia a V Cúpula UE-LAC e se subscreve a Declaração de Lima que incluiu um programa conjunto sobre alterações climáticas, batizado de “Euroclima“.

– Maio de 2010: Madrid é a sede da VI Cúpula UE-LAC, cujo tema central é a crise econômica. O multilateralismo é defendido e é acordada a Fundação UE-LAC para fortalecer as parcerias entre as duas regiões.

– Dezembro de 2011: Nasce oficialmente em Caracas a Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELAC), em que se consolida tanto o Grupo do Rio como a Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC).

– Janeiro de 2013: A VII Cúpula UE-ALC é concluída em Santiago do Chile com o objetivo de incentivar os laços econômicos. Foi a primeira entre as duas regiões desde a criação da CELAC.

– 29 de janeiro 2015: No contexto americano, tem lugar a II Cúpula de Chefes de Estado da CELAC em Belém (Costa Rica). A declaração final expressa a vontade dos países de combater a pobreza e a desigualdade.

– 10-11 junho de 2015: Bruxelas é sede da II Cúpula entre a UE-CELAC.

 

Tradução: Juliana MSC