Encerrada a CELAC, presidentes do bloco apelam à cooperação regional

A IV edição da Cúpula da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELAC), foi encerrada nesta quarta-feira (27) em Quito, no Equador, com declarações dos presidentes do bloco para o enfrentamento de problemas comuns como a crise econômica, o combate à extrema pobreza e a ameaça do Zika vírus

 

Chefes de Estado reunidos na IV Cúpula da CELAC
Chefes de Estado reunidos na IV Cúpula da CELAC (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Encerrada a reunião da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (CELAC) em Quito, o tom geral dos pronunciamentos dos chefes de Estado presentes foi o apelo à cooperação regional como a melhor forma de resistência aos desafios econômicos, sociais e políticos dos 33 países que compõem o bloco.

Anfitrião da Cúpula, o presidente do Equador, Rafael Correa, criticou o domínio dos mercados financeiros sobre o bem-estar dos povos e ressaltou que a sociedade não pode ser tratada como mercadoria.

Além disso, o líder equatoriano também falou sobre as negociações de paz, que estão em curso entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Rafael Correa lembrou ainda aos presidentes e representantes do bloco, que em 2014 a América Latina e o Caribe foi declarada “zona de paz” durante a Cúpula da CELAC ocorrida naquele ano em Havana.

O presidente do Equador também se referiu à necessidade de solucionar o que ele denominou como “o mal chamado mercado laboral”, para que se consiga garantir a todas as pessoas condições dignas de trabalho.

Já o líder da República Dominicana, Danilo Medina, que recebeu do Equador a presidência pro-tempore da CELAC, afirmou que seu país fará o possível para que a CELAC seja um espaço ainda mais integrado de diálogo.

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, que recentemente declarou estado de emergência econômica em seu país, também apelou à união entre os Estados para enfrentar a crise na economia, sugerindo a criação de um plano comum anticrise para a região.

Na Cúpula, em que participaram 33 países da América Latina e do Caribe, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos também se pronunciou sobre os avanços do processo de paz com as FARC que está em andamento com a mediação de Havana.

Ele anunciou que os Chefes de Estado participantes desta IV Cúpula da CELAC, decidiram convocar uma reunião dos seus ministros da saúde para conter o vírus da Zika. Santos se mostrou preocupado por causa da situação em seu país, onde mais de 15.000 pessoas já foram afetadas.

A presidenta Dilma Rousseff defendeu a integração entre os países da CELAC para enfrentar a crise econômica mundial. ​Além disso, ela também propôs uma ação de cooperação regional para combater o vírus da Zika.

Em entrevista coletiva, Dilma ressaltou que, para tratar essa questão, haverá uma reunião do Mercosul em Montevidéu, no Uruguai, na próxima terça-feira (2), além do encontro entre os Ministros da Saúde da CELAC que acontece esta semana.

A CELAC também designou nesta quarta-feira uma missão de chanceleres de 4 países do bloco – Equador, Costa Rica, República Dominicana e Bahamas -, para avaliar a situação eleitoral no Haiti, a pedido do governo do país caribenho. A informação foi divulgada em uma rede social pelo ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño.

Com agências

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Díaz-Canel defende um diálogo construtivo entre a América Latina e a Europa

Fonte: Gramna

 

EU-CELAC-2015

 

O primeiro vice-presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse hoje que existem diferenças e desafios comuns entre a América Latina e o Caribe e a Europa e apelou para um diálogo construtivo entre as duas regiões.

“Há muito tempo a Europa propôs uma relação igualitária para com os países da América Latina e do Caribe, mas nunca realmente chegamos a essa condição de igualdade”, declarou à Prensa Latina.

Portanto, disse ele, cada vez mais as assimetrias e diferenças de desenvolvimento são maiores. Há também diferentes pontos de vista sobre como os países latinoamericanos e caribenhos e os europeus enxergamos os elementos em torno do desenvolvimento, especialmente as políticas a serem implementadas para alcançá-lo.

“Há insatisfação entre as nações de nossa região em relação ao que foi alcançado nesta parceria birregional”, apontou Díaz-Canel, que está em Bruxelas para participar da II Cúpula da Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELAC) e União Europeia (UE), nos dias 10 e 11 de Junho.

Na sua opinião, a Cúpula é o lugar para rever e propor a forma de alcançar e aperfeiçoar este relacionamento. “Estamos em um momento em que vemos que há mais vontade política dos países europeus para termos um diálogo de respeito, não intervencionista, não discriminatório com as nações da América Latina e do Caribe”.

Ele ressaltou que, apesar da existência de muitas diferenças, existem desafios comuns. “Para sobreviver neste mundo tão complexo, é necessária a cooperação birregional e internacional”, disse ele.

Em sua opinião, existe possibilidade de abordar em uma agenda e em um diálogo político e de cooperação, questões como o desenvolvimento sustentável, as questões sociais, de saúde, de segurança pública, os temas migratórios, a luta contra as drogas, como avançar no intercâmbio técnico-científico, educacional, os problemas das alterações climáticas e do meio ambiente.

Tudo isto deve ser levado em conta sem ignorar a dívida histórica que os países europeus tem com a América Latina e o Caribe. “Esperamos chegar a um acordo que possa ser capaz de termos um programa mais realista sobre isso que se tem chamado de parceria birregional”, disse ele.

“O contexto é diferente, desde que se iniciaram este tipo de cúpulas e nessa relação tem ocorrido coisas muito importantes: a América Latina e o Caribe estão integradas na CELAC e a Europa transitou desde 2007 pelo Tratado de Lisboa”, disse ele.

Díaz-Canel expressou que a isso se soma o processo de restabelecimento e posterior normalização das relações entre Cuba e os Estados Unidos. “Nosso relacionamento com a Europa também está matizado por esses eventos que marcam não só a nossa dimensão nacional, mas também a da América Latina e do Caribe e da Europa.”

“Os laços da ilha caribenha com o chamado Velho Continente são históricos. Tem a ver com a nossa história e a nossa cultura, e há até mesmo os laços familiares entre a maior das Antilhas e os países europeus”, disse ele.

O primeiro vice-presidente cubano ressaltou que “tem havido uma relação mais fluida com os países europeus desde que se restabeleceu a cooperação e agora estamos em um caminho importante porque também se restabeleceu o diálogo político para realmente chegarmos a um acordo nesse sentido”.

“Há muitos pontos em comum entre os dois lados em que podemos trabalhar como as mudanças climáticas, o desenvolvimento sustentável, o intercâmbio técnico-científico, estudantil, educacional e as questões de saúde” destacou.

Nós podemos inclusive cooperar Europa-Cuba vinculadas a terceiros países, ou seja, uma relação tripartite em que podemos incluir nações africanas e latinoamericanas. “Nós podemos fornecer recursos humanos e outros poderiam se encarregar de colocar os recursos financeiros e tecnológicos. Isso teria que se julgar, claro, de acordo com o interesse desses países”.

Segundo ele, há um cenário favorável para se chegar a um diálogo construtivo mas tanto a CELAC como Cuba vão à Cúpula esta posição de diálogo construtivo, desde que sua soberania seja respeitada e que não haja ingerência em seus assuntos internos.

“Acho que existem condições para um progresso real, até mesmo mais maduras que em outros momentos e tudo isso será visto nas discussões que ocorrerão na quarta e na quinta-feira em sessão plenária”, acrescentou.

 

Tradução: Juliana MSC

Cronologia das relações entre a UE e a América Latina

Na esteira da realização da II Cúpula CELAC-UE, que acontece entre os dias 10 e 11 de junho em Bruxelas, dando continuidade aos encontros multidisciplinares que Europa e América Latina iniciaram ainda na década de 70 com as conferências entre seus parlamentos, reproduzimos abaixo uma cronologia da relação entre as duas regiões, publicada pelo portal de notícias La Vanguardia:

 

– 1974: Iniciam-se as conferências semestrais entre o Parlamento Europeu e o Parlatino.

– 1975: Criação do grupo ACP (África, Caribe e Pacífico) e assinatura da Convenção de Lomé (UE-ACP).

– 1976: Primeiras atividades de cooperação entre a Comunidade Europeia (CE) e a América Latina.

– 1983: Assinatura do primeiro acordo de cooperação com o Pacto Andino.

– 1984: Em meio à crise da América Central, começa o diálogo político de San Jose entre a CE e a América Central, em apoio ao processo de paz regional.

– 1985: Assinatura do acordo de cooperação CE-América Central.

– 1986: Criação do Grupo do Rio.

– 1987: Primeiro encontro informal, em Nova York, entre a CE e o Grupo do Rio.

– 1988: Cuba é o primeiro país não-europeu do antigo Comecon a estabelecer relações diplomáticas com a CE.

– 1989: A República Dominicana e o Haiti são aceitos como membros da Convenção de Lomé.

– 1990: A Conferência de Roma institucionaliza o diálogo político entre a UE e o Grupo do Rio.

– 1991: Conferência Ministerial inaugural UE-Grupo do Rio em Luxemburgo.

Em março de 1991 é assinado o Tratado de Assunção que cria o Mercosul.

– 1992: Criação do Cariforum. A UE oferece concessões para as exportações dos países da América Central.

– 1993: Marco do Acordo UE-Pacto Andino de terceira geração, que inclui o diálogo político, a cooperação antidrogas e a cláusula democrática.

– 1994: IV Encontro Ministerial UE-Grupo do Rio, que adota uma declaração sobre “parceria estratégica”.

– 1995: Assinatura em Madrid do Acordo de Cooperação Interregional entre a UE e o Mercosul.

– 1996: Assinatura em Florença do Acordo de Cooperação UE-Chile, etapa anterior ao livre comércio.

Naquele ano, a XII Conferência Ministerial de San Jose define novas áreas de cooperação com a América Central, para apoiar a integração regional.

Se realiza a primeira reunião de alto nível entre a UE e o Pacto Andino sobre o combate às drogas.

– 1997: UE e México assinam um Acordo de Associação Econômica, de Concertação Política e de Cooperação, que entrou em vigor em Outubro de 2000.

– 1998: Cuba é aceita como observadora na Convenção de Lomé que integra 71 países da ACP.

– 1999: I Cúpula de Chefes de Estado e de Governo UE-América Latina-Caribe em 28 de junho, no Rio de Janeiro, em que é criada uma Associação Estratégica Birregional.

São aprovados mandatos de negociação de Acordos de Livre Comércio com o Mercosul e o Chile.

– Março de 2000: Assinatura do Acordo Global com o México, que entra em vigor em outubro seguinte.

– Junho de 2000: A UE e os 77 países da ACP, assinam em Cotonou (Benim) um novo Acordo de Cooperação, em vigor desde Abril de 2003.

– Dezembro de 2000: Cuba torna-se o primeiro país da ACP não-pertencente ao Acordo de Cotonou, a ser admitida como membro pleno.

– Dezembro de 2001: A UE aprova o programa de cooperação eletrônica “Aliança para a Sociedade da Informação”, iniciado em abril seguinte, em Sevilha (Espanha).

– Abril de 2002: Reunião Ministerial UE-América Latina e Caribe, em Sevilha. Aprovado o Acordo Global UE-Chile.

– Maio de 2002: II Cúpula Euro-Latinoamericana, em Madrid. Entre as conquistas, a assinatura do Acordo de Associação UE-Chile, os programas Alban de bolsas de estudo para pós-graduação e Alis sobre novas tecnologias. Se abre para a Comunidade Andina de Nações (CAN) e América Central (SICA) a perspectiva de negociar acordos de parceria.

– Junho de 2002: A UE adota uma estratégia de cooperação com a América Central, com ajuda de 444,5 milhões de euros entre 2002-2006.

– Dezembro de 2003: Assinados em Roma os Acordos de Diálogo Político e Cooperação com a América Central e a Comunidade Andina aprovados pelo Parlamento Europeu em Março seguinte.

– Maio de 2004: III Cúpula UE-LAC em Guadalajara (México), a primeira com a UE ampliada em vinte e cinco. Iniciam-se as negociações sobre um Acordo de Parceria Econômica com quinze países do Caribe.

– Dezembro de 2005: Aprovação do SPG Plus (SPG +), que permite a países andinos e centroamericanos exportarem à UE 7.200 produtos sem tarifas alfandegárias até 2008.

– Abril de 2006: A Venezuela anuncia sua intenção de deixar a Comunidade Andina.

– Maio de 2006: IV Cúpula UE-LAC em Viena, que estreitou laços. Se anuncia a abertura de negociações UE-América Central, classificada como “histórica” ​​pelos países centroamericanos.

– Maio de 2008: Lima cedia a V Cúpula UE-LAC e se subscreve a Declaração de Lima que incluiu um programa conjunto sobre alterações climáticas, batizado de “Euroclima“.

– Maio de 2010: Madrid é a sede da VI Cúpula UE-LAC, cujo tema central é a crise econômica. O multilateralismo é defendido e é acordada a Fundação UE-LAC para fortalecer as parcerias entre as duas regiões.

– Dezembro de 2011: Nasce oficialmente em Caracas a Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELAC), em que se consolida tanto o Grupo do Rio como a Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC).

– Janeiro de 2013: A VII Cúpula UE-ALC é concluída em Santiago do Chile com o objetivo de incentivar os laços econômicos. Foi a primeira entre as duas regiões desde a criação da CELAC.

– 29 de janeiro 2015: No contexto americano, tem lugar a II Cúpula de Chefes de Estado da CELAC em Belém (Costa Rica). A declaração final expressa a vontade dos países de combater a pobreza e a desigualdade.

– 10-11 junho de 2015: Bruxelas é sede da II Cúpula entre a UE-CELAC.

 

Tradução: Juliana MSC

O espantoso crescimento do turismo cubano

Fonte: TTC

 

Turistas em Havana Velha
Turistas em Havana Velha

Somente em janeiro, registrou-se um aumento de 16% na chegada de turistas na ilha caribenha, mais de 50 mil passageiros foram registrados no mesmo período do ano passado.

Segundo o Bureau Nacional de Estatísticas e Informações, no final do mês havia chegado ao país 371.160 visitantes internacionais e o Canadá se manteve como o principal mercado emissor, com 48% dos turistas que chegaram à Cuba.

Os dados divulgados revelam que o Canadá segue entre os maiores emissores, seguido pela Alemanha (15.832), Inglaterra (14.526), ​​França (13.591), Itália (12.998), Venezuela (6770) Argentina (6704), México (6587), Espanha (5929) e Rússia (5529).

Se destacam os crescimentos do Chile (4856, + 21,8%), Polônia (3315, + 83%), Suíça (2833 + 28,2%), China (2.674, + 13,9%) e Áustria (2560, + 19,6%).

Cuba se encontra atualmente na alta temporada, permanecendo até abril. Neste período, a modalidade de cruzeiro tem sido uma das mais reanimadas, com um aumento registrado no início de 2015 que trouxe 76% de passageiros a mais do que no ano passado.

No final de 2014 o país ultrapassou, pela primeira vez, os três milhões de turistas e para este ano se espera um crescimento superior que, segundo números preliminares, é uma meta alcançável.