Comitê General Abreu e Lima manifesta apoio ao movimento de resistência no Equador

O Comitê Anti-imperialista General Abreu e Lima entregou na manhã de sexta-feira, 11 de outubro, um manifesto em solidariedade ao povo equatoriano. Participaram do ato ativistas de vários partidos e movimentos que integram o comitê, que em reunião com o embaixador do Equador, Diego Ribadeneira, deixaram claro o protesto à violência e servilismo do presidente Moreno ao imperialismo. Abaixo segue a nota entregue a Chancelaria equatoriana.

MANIFESTO DE APOIO AO RECHAÇO POPULAR, A CONSTRUÇÃO DA GREVE GERAL EQUATORIANA CONTRA O PAQUETAZO DE MORENO E CONTRA A INGERÊNCIA DOS EUA NA AMÉRICA LATINA

O Comitê Anti-imperialista General Abreu e Lima, frente ao decreto sancionado no primeiro dia de outubro passado pela Presidência do Equador, torna público o absoluto repúdio à radicalização neoliberal produzida pelo anúncio das novas medidas econômicas como contrapartida para a liberação de um empréstimo milionário por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI). Por extensão, em solidariedade ao direito de mobilização do povo equatoriano, este comitê condena com veemência a escalada repressiva instaurada por Lenin Moreno a partir do Decreto Ejecutivo 884, que suspendeu as garantias constitucionais e decretou o estado de exceção por todo o país.

O paquetazo econômico de Lenin Moreno, visa compensar os efeitos perversos da crise econômica nacional e assegurar os interesses do grande capital, impõe medidas econômicas que aprofundam a deterioração das condições de trabalho e vida da classe trabalhadora ao intensificar os mecanismos de superexploração da força de trabalho.

As semelhanças com o Caracazo saltam aos olhos. Conjunturalmente, verificam-se desde a eliminação do subsídio estatal sobre a gasolina e a majoração nos bilhetes de transporte coletivo ao anúncio de substanciais reajustes salariais e flexibilização dos direitos laborais, perpassando pelo congelamento de gastos públicos e pelo encarecimento dos gêneros de primeira necessidade. A violência governamental, apoiada em um discurso contra as forças populares, justificam o arbítrio em curso.

Convocada pelos trabalhadores do setor de transportes, centralizados pela Federación Nacional de Cooperativas de Transporte Público de Pasajeros de Ecuador (Fenacotip), tendo recebido a expressiva adesão de movimentos indígenas organizados, como a Confederación de Nacionalidades Indígenas de Ecuador (CONAIE) e o Movimiento Indígena y Campesino de Cotopaxi (MICC), estudantes e demais setores descontentes ocuparam a capital, Quito, mostrando a disposição de seguir com a greve geral. O movimento reivindica a revogação do decreto antipovo, bem como de todas as medidas anunciadas e a renúncia de Moreno.

Demonstrando a covardia própria das lideranças ilegítimas, Moreno transferiu a sede governamental a Guayaquil, na região costeira, fugindo dos manifestantes. Também intensificou o volume do aparato coercitivo para 24.000 militares e 5.000 reservistas. Diariamente tem ocorrido confronto direto entre a polícia e os manifestantes, que fortalecem sua unidade, organização e disposição de luta. Centenas de manifestantes, ativistas sociais e dezenas de jornalistas estão detidos. A polícia já cometeu vários assassinatos, inclusive de um recém-nascido.

Resta claro que os descontentamentos populares no Equador tornam explícita a deterioração do governo Moreno, com o esgotamento do modelo neoliberal, que tem levado ao aprofundamento da exploração do trabalho e riquezas naturais, com uma feroz violência contra os povos que ousam enfrentar o imperialismo, como tem ocorrido com Cuba, Venezuela e o povo equatoriano, que ousa lutar e combater os opressores. Deriva daí o enorme potencial revolucionário da classe indígena equatoriana e das classes trabalhadoras na região, já vislumbrada por Mariátegui no contexto da luta de classes peruana em meados do século XX.

A escalada autoritária para a qual caminha o modo de acumulação neoliberal exige que a utopia se imponha no horizonte, que a unidade na luta contra as agressões imperialistas, que atacam a soberania de nações e conquistas sociais, seja capaz de seguir o exemplo de Marighella, Che Guevara, Fidel Castro e Hugo Chávez. Por esta razão, declaramos apoio irrestrito aos insurgentes equatorianos e todos os povos que se disponham a conquistar outro amanhã, com dignidade, igualdade e o socialismo.

EM DEFESA DA GREVE GERAL EQUATORIANA!
TODA SOLIDARIEDADE AOS POVOS NA LUTA ANTI-IMPERIALISTA!
VIVA A UNIDADE DO POVO LATINO AMERICANO!!

Brasília, DF, Brasil, 11 de outubro de 2019

Comitê Anti-imperialista General Abreu e Lima

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ARGENTINA – O DEBATE, O ENCERRAMENTO, O QUADRO DE MOBILIZAÇÃO. CRÔNICA DO DIA 3

Fonte: Jornalistas Livres

Por Cobertura Colaborativa Fora OMC
Tradução Juliana Medeiros / Jornalistas Livres

APÓS UMA MANHÃ DE FECHAMENTO DOS FÓRUNS E MESAS DE DEBATE; PARA OUTRO DIA DE UMA COLORIDA MARCHA, RESPONDIDA PELO GOVERNO NACIONAL COM REPRESSÃO E DETENÇÕES; NO TERCEIRO DIA DE ATIVIDADE DE DEZENAS DE FÓRUNS, SEMINÁRIOS E MESAS DE DEBATE, ONDE ATIVISTAS, MILITANTES E PARTICIPANTES DA SOCIEDADE CIVIL CONSTRUÍRAM UMA DINÂMICA DE INFORMAÇÃO SOBRE OS PROBLEMAS GLOBAIS DO CAPITALISMO ATUAL; DEPOIS DE MESES DE COORDENAÇÃO INTERNACIONAL ATIVA EM QUESTÕES LOGÍSTICAS, COMUNICATIVAS, METODOLÓGICAS; APESAR DA REJEIÇÃO DE INGRESSO AO PAÍS DE DEZENAS DE ATIVISTAS INTERNACIONAIS E DO VETO À SAÍDA DE MILITANTES AFRICANOS PARA PARTICIPAR DO INÍCIO DA ASSEMBLEIA DA CONFLUÊNCIA, ONDE SE APRESENTARAM AS CONCLUSÕES DO TRABALHO DA CÚPULA DOS POVOS, FRENTE A UMA DEFINIÇÃO FINAL.

Ao mesmo tempo, outra marcha chega à Avenida de ‘Mayo y 9 de Julio’. É a que foi convocada pela CTEP (Confederação de Trabalhadores da Economia Popular), a CCC (Corrente Classista e Combativa, agrupamento político e sindical argentino promovido pelo Partido Comunista Revolucionário) e a organização ‘Barrios de Pié’ (Bairros de Pé) contra a reforma da lei de previdência, que está sendo discutida no Congresso [Argentino] nesse momento. Cerca de 100 mil pessoas enchem as ruas da área, enquanto as cercas da polícia protegem uma Cúpula da OMC (Organização Mundial do Comércio) que se sabe que vai afundar. Eles não conseguiram assinar um documento conjunto devido à dinâmica protecionista dos Estados Unidos e as negociações para o acordo de livre comércio Mercosul-UE não avançam.

Diante dessa afirmação, os(as) responsáveis por cada fórum realizam diante de uma assembleia com algumas centenas de pessoas, uma síntese do que foi analisado e dos acordos de cada fórum. Em suma, a análise conjuntural ressalta uma nova ofensiva do capital contra o trabalho que se encontra com sindicatos fragmentados na Europa e na América Latina; a geração de monopólios e as consequentes restrições no acesso à saúde com base na globalização das patentes médicas; a tentativa da OMC de se apropriar das demandas das lutas de gênero, ao incluí-las dentro de seus itens de discussão; o papel subordinado das mulheres na economia e o ataque às identidades de gênero e às orientações sexuais; a fragmentação do campo popular e um clima de falta de otimismo; o avanço do aquecimento global e da crise ecológica; o crescente lugar de poder de corporações, agências internacionais de crédito no controle sobre as formas de vida; a repressão como ferramenta central neste momento do capitalismo; a expulsão de povos originários de suas terras, impulsionados pelo agronegócio e o extrativismo, com assassinatos como os de Berta Cáceres¹, Santiago Maldonado² e Rafael Nahuel; o crescimento do aparato militar-industrial que gera um círculo vicioso de necessidade/estímulo à produção de guerras em todo o mundo; o avanço do Estado de Israel sobre os direitos do povo palestino, com uma clara manifestação na definição de Trump esta semana de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel; a ocupação do Haiti e o bloqueio à Cuba; a manipulação dos resultados eleitorais; a definição de várias(os) sobre (e este cronista concorda com ela) uma crise civilizatória, onde as relações estabelecidas pelo sistema capitalista, o patriarcado, o racismo, o tratamento dado à natureza, a manipulação do clima, a democracia e os sistemas atuais de governo atuais chegaram a um momento de tensão que se deve enfrentar, não mais como uma lista de conflitos locais, mas como expressões heterogêneas e imbuídas da necessidade de uma transformação geral do significado com o qual a humanidade habita o planeta.

Diante disso, se propõe uma série de dinâmicas de enfrentamento. Também em síntese restrita, estas são: a aposta pela soberania educacional, para que os povos definam a medida de seus valores, formas e conteúdos; a preparação de uma forte greve de mulheres para o próximo 8 de março; reconhecermo-nos diante dos sistemas de dívida como povos credores em termos econômicos, sociais e culturais, tomando medidas contra o pagamento da dívida pública; compreender as diferentes formas de soberania como complementos que residem nos povos e não nos Estados; construir territórios de paz onde os camponeses, pescadores, artesãos e pastores possam produzir alimentos saudáveis para a humanidade contra o avanço do capitalismo sob a forma de um suposto progresso; a busca de confluências gerais desde abaixo, com a democracia na mesma linha da necessidade de uma resposta sistêmica, de classe, anti-patriarcal e anti-racista.

As contribuições dos fóruns são seguidas por um rascunho do documento, que dá origem a uma discussão sobre determinados conceitos com os quais a síntese é apresentada. A abertura ou o fechamento de certos conceitos, as omissões e a construção de acordos que representem o que foi falado nestes dias são discutidos com franqueza e intensidade. A definição sobre o(s) imperialismo(s) ou o império e o lugar dos Estados Unidos e do sionismo; o chamado a diferentes instâncias de luta no próximo ano; as definições de gênero e os níveis que abarcam, a visibilidade do avanço ou não de determinadas lutas em função de certos conceitos utilizados. O longo debate é resolvido com a intervenção de Norita Cortiñas, recém-chegada da marcha, encarregada de relatar a repressão, a necessidade de fechar o documento e sua tradicional injeção geral de otimismo, alegria e esforço na luta.

Descemos para o pátio, caem gotas de chuva, alguém toca uma música. Se conversa sobre o que aconteceu há algum tempo, nos dias de hoje, do que sempre acontece, do que queremos que aconteça. Pela rua Santiago del Estero cruzam colunas [da marcha] que se dispersam desde o Congresso e cada vez que passam, cantamos com elas. Começam a chegar notícias do gigantesco aparato de repressão mobilizado, da repressão, de novas detenções. Neste contexto, o macrismo aposta por acelerar a reforma da previdência e a mobilização geral e crescente que enche as ruas é finalmente acompanhada pela CGT, obrigada a intervir depois de longos lobbies, piscadelas e acordos com o Estado argentino para o progresso das reformas liberalizadoras. O encerramento da Cúpula dos Povos nesta noite também sinaliza a expectativa de um amanhã, onde a resistência, a rebelião e a esperança mobilizarão a transformação do mundo em que habitamos.

Notas da Edição:

1 – Berta Cárceres: Berta Isabel Cáceres Flores, ativista ambiental Hondurenha, líder indígena e co-fundadora e coordenadora do Conselho Popular de Organizações Indígenas de Honduras (COPINH).Foi assassinada em sua casa por homens armados, depois de anos de ameaças.

2 – Santiago Maldonado: Santiago Maldonado, jovem morador da Patagônia argentina, foi detido em 1º de agosto durante um despejo forçado de um acampamento mapuche – nação indígena – para onde havia se mudado, decidido a apoiar a luta daquele povo originário. Desde então, foi dado como desaparecido e se iniciou uma campanha com apoio internacional por sua aparição com vida. Em 17 de outubro deste ano, seu cadáver foi encontrado próximo ao local em que desapareceu. As investigações sobre as condições de sua desaparição forçada, seguida de morte, continuam. 

3 – Rafael Nahuel: Rafael Nahuel, 22 anos, de Bariloche, foi atingido por uma bala disparada pela repressão das forças de segurança local, durante uma operação contra um ato da Resistência Ancestral Mapuche.

República dilui-se a cada minuto

É grande a pressão para que o presidente Michel Temer renuncie ao mandato. A assessoria da presidência já avisou à imprensa que ele deve fazer um pronunciamento nas próximas horas. Temer ainda está reunido com ministros e membros da base aliada.

Até o início da madrugada, chegou a ser veiculada a informação de que ele se recusava a renunciar e queria ter acesso ao conteúdo das gravações feitas pelos delatores da JBS. No entanto, com a crescente repercussão da notícia, a base aliada passou a reverberar a renúncia como solução para evitar o aprofundamento da crise.

Na entrada da chapelaria do Senado Federal a movimentação é grande por conta da Operação de busca e apreensão da PF que ainda acontece dentro de gabinetes do Congresso Nacional.

O deputado Alessandro Molon (REDE) comentou agora há pouco que pediu ao presidente da Casa, Rodrigo Maia, para que coloque em pauta o pedido de impeachment de Michel Temer, protocolado por ele na noite desta quarta-feira, e não o anexe ao outro processo que já havia na casa desde o período em que Eduardo Cunha era o presidente da Câmara. Isso para que haja celeridade e para que seja analisado o processo a partir das últimas denúncias.

Os partidos que compõem a base aliada do governo Temer já começaram a fazer reuniões também, para avaliar os próximos passos. Há uma movimentação atípica para uma quinta-feira no Congresso e já se sabe que a oposição acordou em paralisar os plenários da Câmara e do Senado até que saia a renúncia.

A Operação da PF prendeu agora há pouco a irmã de Aécio, Andreia Neves, na região central de Belo Horizonte (MG) mas ainda não foi esclarecido o motivo desta prisão. O próprio Senador Aécio Neves pode ser preso ainda hoje. Há um pedido da PGR, pelo procurador-geral Rodrigo Janot, mas o relator da Lava Jato no STF preferiu apenas afastá-lo do cargo e levar ao plenário da côrte a decisão sobre a prisão.

Aécio Neves, supostamente aparece nas gravações (que ainda não foram liberadas por Fachin) pedindo $ 2 milhões para a JBS. O dinheiro teria sido entregue à família Perrela, já envolvida no chamado escândalo do Helicoca, quando foi apreendido pela PF um helicóptero com meia tonelada de pasta base de cocaína.

A discussão agora passa pelas muitas possibilidades de transição. Ela pode acontecer de maneira diferente da prevista, se for aprovada a PEC das Diretas Já, protocolada pelo Deputado Miro Teixeira ainda no ano passado. Confira o texto da PEC que dá nova redação ao Artigo 81 da Constituição:

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 227, DE 2016*
(Do sr. DEPUTADO MIRO TEIXEIRA E OUTROS)

Prevê eleições diretas no caso de vacância da Presidência da República, exceto nos seis últimos meses do mandato.

Dê-se ao § 1º do Artigo 81 da Constituição Federal a seguinte redação:

*Art. 81 – Vagando os cargos de Presidente e VicePresidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga. § 1º – Ocorrendo a vacância nos últimos seis meses do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei. (NR)*

AL REVES – O INVERSO – THE OPPOSITE

Un texto escrito por la profesora e investigadora venezolana Pasqualina Curcio, que desde la ironía, ofrece respuestas a la tesis esgrimida por la oposición venezolana y por la derecha de la Asamblea Nacional del país, así como aquellos que en el escenario internacional los apoya, como el Secretario General de la OEA, Luis Almagro.

Entre otros planeamientos, la autora cuestiona la violencia promovida por la oposición, citando el caso del reciente incendio en un Hospital Materno Infantil, en el que fue necesario evacuar a recién nacidos y madres. Para Curcio, la ironía es decir que la “responsabilidad” de lo ocurrido es del gobierno de Maduro por haber controlado la situación y dispersado a los manifestantes que atacaron el centro de salud.

El texto, dividido en temas, también contiene cifras comparativas que ayudan a comprender mejor la situación política en Venezuela y la supuesta “crisis económica” por la que pasa el país.

Fonte: 15 y Último – Resuelva de ideas

A continuación las versiones en portugués e Inglés.
Abaixo, versões em português e em inglês.
Below are versions in Portuguese and English.

 

 

Ataque de opositores venezuelanos ao Hospital Materno Infantil – Foto: reprodução da internet

 

 

 

AL REVES

Por Pasqualina Curcio

 

“Hace ciento treinta años, después de visitar el país de las maravillas, Alicia se metió en un espejo para descubrir el mundo al revés. Si Alicia renaciera en nuestros días [y en Venezuela], no necesitaría atravesar ningún espejo; le bastaría con asomarse a la ventana.” – Eduardo Galeano

 

1. Venezuela es uno de los pocos países, si no el único, con un régimen dictatorial cuyo dictador ejerce la tiranía después de haber abandonado el cargo. Pero además, siendo dictador, se da un autogolpe: en enero de 2017, la Asamblea Nacional, con la votación de la representación mayoritariamente opositora al Gobierno Nacional, decidió que el presidente Nicolás Maduro había abandonado el cargo, un mes más tarde, los mismos representantes diputados, incorporaron en su discurso que estábamos ante la presencia de una dictadura encabezada por el presidente de la República (el mismo que abandonó el cargo un mes antes). Un mes más tarde, ya siendo dictador, y según los mismos representantes, este presidente dio un golpe de Estado.

2. Entre 1958 y 1998, en 40 años, se realizaron 24 procesos electorales, un promedio de 1 elección cada 2 años. Después de 1999, en 18 años, se han realizado 25 comicios, incluyendo referendos revocatorios y constitucionales, en promedio casi dos elecciones anuales. Ha habido 3 elecciones los últimos 4 años, desde 2013. Según los factores que actualmente hacen oposición al gobierno nacional, a partir de 1999 los venezolanos han estado sometidos a un régimen dictatorial, cada vez más tirano, sobre todo después de 2013.

3. De las más de 1.000 emisoras de radio y televisión a las que el gobierno les ha otorgado permisos para operar en el espectro electromagnético, el 67% son privadas, 28% están en manos de las comunidades y el 5% son de propiedad estatal. De los 108 diarios que hay, 97 son privados y 11 públicos. El 67% de la población venezolana tiene acceso a internet. Según los factores políticos que hacen oposición al gobierno nacional, en Venezuela no hay libertad de expresión.

4. El presidente de la República, en pleno ejercicio de sus funciones, en el marco del período presidencial de 6 años, ante actos de violencia de parte de factores locales, que buscan la desestabilización económica, social y política, ha convocado a un diálogo por la paz a los sectores de la oposición. La oposición no acude al llamado, prefiere promover actos de violencia en las calles. El presidente es un tirano y dictador, los demócratas son los de la oposición.

5. Todas las organizaciones políticas (los partidos) se encuentran en un proceso de renovación. Convocatoria realizada por uno de los cinco poderes públicos, el Consejo Nacional Electoral. Todos han acudido al llamado de renovación. Están en puerta las elecciones regionales y municipales. Mientras tanto, dirigentes y seguidores de los factores locales de oposición, vociferan: ¡Estamos en una dictadura!

6. En Venezuela se están violando todos los derechos humanos, hay que aplicarle la Carta Democrática Interamericana. Es lo que afirmaba en Washington, Luis Almagro, secretario general de la Organización de Estados Americanos. Simultáneamente, en Ginebra, la Organización de Naciones Unidas, aprobaba de manera abrumadora el Examen Periódico Universal presentado por Venezuela. Examen que tiene como objeto supervisar la situación de derechos humanos en cada uno de los 193 países miembros de esta organización.

7. La ultraderecha, que hace oposición al gobierno nacional, financia y promueve acciones de violencia y terrorismo: bloquea calles, avenidas y principales arterias viales; atenta contra escuelas y establecimientos de salud; en un acto fascista, terrorista y demencial se valen de mercenarios para asediar e incendiar el Hospital Materno Infantil “Hugo Chávez Frías” de El Valle, en el que hubo que evacuar a 58 neonatos y parturientas asfixiados por el humo. Según estos factores políticos de oposición, la responsabilidad es del gobierno nacional por controlar la situación, dispersar a los mercenarios y por evacuar a los niños y mujeres.

8. Hay escasez de algunos alimentos, medicamentos y productos de higiene. Las empresas encargadas de su producción, importación y distribución, las grandes transnacionales, han recibido, de parte del gobierno nacional, las divisas a tasa preferencial; han recibido la materia prima a precio subsidiado; se les ha incrementado el precio de los productos en casi 4.000% en menos de un año (2016); el pueblo venezolano hace largas colas para adquirir estos productos. Los bienes siguen sin aparecer en los anaqueles. En Venezuela esto no es ineficiencia de la empresa privada, es un fracaso del modelo socialista.

9. A pesar de que aumentó su precio 3.700% (pasó de 19,00 bolívares en marzo de 2016 a 700,00 bolívares en diciembre), cifra muy superior a la inflación anual, cientos de clientes hacen largas colas para adquirir la harina de maíz precocida para la arepa (el Pan de los venezolanos). Los dueños de las empresas, al ver a todos sus clientes haciendo largas colas para adquirir su marca, respondieron disminuyendo 80% la producción de la harina.

10. Se escucha en los programas de opinión de las radios, sobre todo aquellas con una línea editorial manifiestamente contraria al gobierno nacional: “Estamos en la peor crisis económica, requerimos ayuda humanitaria, nos estamos muriendo de hambre, no hay comida, exigimos que se abra el canal humanitario”. Luego se escucha: “Y ahora publicidad… los invitamos a visitar el Restaurant “X”, allí podrán degustar variedades en carnes y pescados, postres exquisitos, ubicado en la calle tal, lleve a toda su familia este fin de semana”… “Querido amigo, querida amiga, ¿se va de vacaciones esta Semana Santa?, no deje de pasar por el supermercado “Y”, allí encontrará todo lo que busca, variedad y frescura a buenos precios para disfrutar de unas excelentes vacaciones y descansar como usted lo merece”. Final de la publicidad: “Regresamos con nuestro invitado de hoy, experto en economía, y seguimos conversando acerca de la necesidad urgente de abrir el canal humanitario en Venezuela por la falta de alimentos”.

11. Los últimos 4 años los campesinos han abastecido de frutas, verduras, hortalizas al pueblo venezolano. Son pequeños productores del campo, sin mucha capacidad financiera para resistir situaciones económicas y financieras difíciles. Las grandes empresas nacionales y transnacionales de la agroindustria, grandes monopolios y oligopolios con capacidad de cartelizarse, y sin duda con gran músculo financiero, no han abastecido al pueblo a pesar de recibir materia prima subsidiada y divisas a tasa preferencial.

12. Entre 1980 y 1998, en el marco del sistema capitalista neoliberal, la pobreza aumentaba a la par del crecimiento económico. En 1999, con la aprobación popular de una nueva Constitución, cambia el modelo económico y social a uno de justicia social, desde ese año los aumentos de la producción implican disminución de la pobreza. Para algunos venezolanos fracasó el modelo socialista, el que se aprobó en 1999.

13. La principal empresa del Estado venezolano, Petróleos de Venezuela, provee del 95% de las divisas del país, el otro 4% corresponde a otras empresas del Estado. Las empresas privadas generan el 1% restante. En Venezuela, las empresas privadas son eficientes y exitosas, las del Estado son ineficientes.

14. En Venezuela, el valor de la moneda en el mercado ilegal es el marcador de los precios internos de la economía. Cuando son manipulados intencional y desproporcionadamente esos valores en los mercados ilegales inducen la inflación. El gobierno, ante la inflación inducida, para proteger el poder adquisitivo de la clase trabajadora, decreta aumentos de salarios. El responsable de la inflación es el gobierno por haber aumentado los salarios y no los terroristas de la economía que han manipulado 38.732% el tipo de cambio ilegal desde 2013 hasta la fecha.

15. La producción nacional per cápita en Venezuela los últimos 4 años es, en promedio, 9% mayor a la de los últimos 30 años. La tasa de desocupación, la históricamente más baja en 30 años, 6,6%. Venezuela está en la peor crisis y caos económicos.

16. Las principales industrias del sector farmacéutico, las que importan, producen y distribuyen más del 90% de los medicamentos y material médico quirúrgico en Venezuela, recibieron de parte del gobierno nacional y a tasa preferencial 1.660 millones de US$ en 2008 para importar los bienes. En 2015 recibieron 1.789 millones de US$ (más que en 2008). En 2008 no había escasez de medicinas, en 2015 sí. El responsable de que no haya medicinas es el gobierno.

17. La República canceló más de 60 mil millones de US$ por concepto de compromisos de deuda externa durante los últimos 4 años. Lo hizo de manera completa y puntual. Venezuela es calificada como el país con mayor índice de riesgo financiero en el mundo.

18. El Citibank decidió de manera repentina cerrar las cuentas bancarias del gobierno nacional mediante las que se realizaban los pagos y transferencias para cumplir con los compromisos financieros y comerciales en el exterior. La razón fue que el Estado venezolano es muy riesgoso. Citibank no cerró las cuentas de los particulares privados. Quizás el Estado venezolano es muy riesgoso porque cuenta con la principal reserva de petróleo a nivel mundial, la segunda de gas, la de agua dulce, coltán, diamantes, oro, y otros recursos más. Tal condición debe implicar mucho riesgo para el Citibank.

19. En el Salón Ayacucho del Palacio de Miraflores, sede del Poder Ejecutivo, un 12 de abril de 2002, se autoproclamaba como presidente de la República Pedro Carmona Estanga, luego de dar un golpe de Estado al presidente Hugo Chávez. En el evento de autoproclamación, se leyó el siguiente decreto: “Se suspenden de sus cargos a los diputados principales y suplentes a la Asamblea Nacional, se destituyen de sus cargos al presidente y demás magistrados del Tribunal Supremo de Justicia, así como al fiscal general de la República, al contralor general de la República, al defensor del pueblo, y a los miembros del Consejo Nacional Electoral”. Los presentes en el acto en el que se disolvieron todos los poderes públicos mediante un decreto que constituye la mayor ofensa a la Constitución Nacional, gritaban emocionados: “¡libertad y democracia!”.

20. Quienes gritaban “¡libertad y democracia!”, un 12 de abril de 2002 en el Salón Ayacucho, aprueban hoy el supuesto abandono del cargo del presidente de la República. Son los que hoy gritan “¡abajo el dictador!”, refiriéndose al presidente constitucionalmente electo con la mayoría de los votos del pueblo venezolano. Ante los ojos de algunos, ellos son los demócratas.

21. Se escucha a algunos venezolanos, quizás confundidos o mal informados: “Ojalá y el Comando Sur de los Estados Unidos termine de tomar la decisión de invadirnos, así acaba con este modelo fracasado, y el país prosperaría”. Irak, Libia y Siria, por mencionar algunos países bombardeados e invadidos por Estados Unidos, se encuentran en guerra, no han prosperado, están destruidos. ¿Tendrán algún ejemplo de país invadido por Estados Unidos que haya prosperado?

22. Venezuela es una amenaza extraordinaria e inusual para los intereses de Estados Unidos. Eso decretó Barack Obama, presidente del imperio y de la gran potencia militar mundial, responsable de invasiones y de guerras.

Los venezolanos patriotas, pueblo de paz, insistimos que es al revés.


 

Um texto redigido pela professora e pesquisadora venezuelana Pasqualina Curcio, carregado de ironias, questiona as afirmações da oposição venezuelana e parte da Assembleia Nacional do país, bem como daqueles que no cenário internacional os apoia, como o secretário geral da OEA, Luis Almagro.

Dentre outras ironias, a autora questiona os atos violentos promovidos pela oposição, como o recente incêndio em um Hospital Materno Infantil, do qual foi necessário evacuar recém-nascidos e parturientes. Para Curcio, a ironia é dizer que a “responsabilidade” pelo ocorrido é do governo Maduro por haver controlado a situação e dispersado os manifestantes que atacavam o local.

O texto, dividido em tópicos, traz ainda números comparativos que ajudam a compreender melhor a situação política da Venezuela e a alegada “crise econômica” pela qual passa o país.

 

O INVERSO

Por: Pasqualina Curcio

 

“Faz cento e trinta anos, depois de visitar o país das maravilhas, que Alice se meteu em um espelho para descobrir o mundo do inverso. Se Alice renascesse em nossos dias [e na Venezuela], não precisaria atravessar nenhum espelho; bastaria-lhe olhar pela janela.” – Eduardo Galeano

 

A Venezuela é um dos poucos países, se não o único, com um regime ditatorial cujo ditador exerce a tirania depois de ter abandonado o cargo. Mas, além disso, sendo ditador, dá-se um auto-golpe: em janeiro de 2017 a Assembleia Nacional, em votação da representação majoritariamente opositora ao Governo Nacional, decidiu que o presidente Nicolás Maduro tinha “abandonado o cargo”; um mês mais tarde, os mesmos representantes deputados, incorporaram em seu discurso que estávamos diante de uma “ditadura” encabeçada pelo Presidente da República (o mesmo que abandonou o cargo um mês antes). E um mês mais tarde, já sendo “ditador”, e segundo os mesmos representantes, o próprio presidente deu um “golpe de estado”.

2. Entre 1958 e 1998, ou seja, em 40 anos realizaram-se 24 processos eleitorais, uma média de 1 eleição a cada 2 anos. Depois de 1999, em 18 anos, realizaram-se 25 comícios, incluindo referendos revogatórios e constitucionais, ou seja, uma média de quase duas eleições anuais. Houve 3 eleições nos últimos 4 anos, desde 2013. Mas segundo os elementos que atualmente fazem oposição ao governo nacional, a partir de 1999 os venezuelanos estiveram submetidos a um regime ditatorial, cada vez mais tirano, sobretudo depois de 2013 (ano das últimas eleições presidenciais).

3. Das mais de 1.000 emissoras de rádio e televisão às quais o governo outorgou permissões para operar no espectro eletromagnético, 67% são privadas, 28% estão em mãos das comunidades e 5% são de propriedade estatal. Dos 108 jornais que existem no país, 97 são privados e 11 públicos. Cerca de 67% da população venezuelana tem acesso à internet. Mas segundo os elementos políticos que fazem oposição ao governo nacional, “na Venezuela não há liberdade de expressão”.

4. O Presidente da República, em pleno exercício de suas funções, no marco do período presidencial de 6 anos, ante os atos de violência de parte de elementos locais que procuram a desestabilização econômica, social e política, convocou setores da oposição à um diálogo pela paz. Mas a oposição não compareceu ao chamado, preferiu promover atos de violência nas ruas. Ou seja, o Presidente é um “tirano e ditador”, os “democratas” são os da oposição.

5. Todas as organizações políticas (os partidos) encontram-se em um processo de renovação através da Convocatória realizada por um dos cinco poderes públicos, o Conselho Nacional Eleitoral. Todos compareceram ao chamado de renovação. Estão neste momento às portas das eleições regionais e municipais. Mas enquanto isso, dirigentes e seguidores desses elementos de oposição, vociferam: “Estamos em uma ditadura”!

6. Na Venezuela “se está violando todos os direitos humanos, terão que lhe aplicar a Carta Democrática Interamericana”. É o que afirmava em Washington, Luis Almagro, secretário geral da Organização de Estados Americanos. Simultaneamente, em Genebra, a Organização das Nações Unidas, aprovava de maneira absoluta o ‘Exame Periódico Universal’ apresentado pela Venezuela. Exame que tem como objeto fiscalizar a situação dos direitos humanos em cada um dos 193 países membros desta organização.

7. A ultradireita, que faz oposição ao governo nacional, financia e promove ações de violência e terrorismo: bloqueia ruas, avenidas e principais trechos; atenta contra escolas e estabelecimentos de saúde; em um ato fascista, terrorista e demencial se valem de mercenários para assediar e incendiar o Hospital Materno Infantil “Hugo Chávez Frias”, do qual foi necessário evacuar 58 recém-nascidos e parturientes asfixiados pela fumaça. Mas segundo estes elementos políticos de oposição, a responsabilidade é do governo nacional por haver controlado a situação, dispersado os mercenários e evacuado do local, mulheres e crianças.

8. Há escassez de alguns alimentos, medicamentos e produtos de higiene. As empresas encarregadas de sua produção, importação e distribuição, as grandes transnacionais, receberam do governo nacional divisas com taxa preferencial; receberam ainda a matéria-prima a preço subsidiado; tiveram um ajuste do preço dos produtos de quase 4.000% em menos de um ano (2016); mas o povo venezuelano faz largas filas para adquirir estes produtos e os bens seguem sem aparecer nas prateleiras. Ou seja, na Venezuela isto não é ineficiência da empresa privada, é o “fracasso do modelo socialista”.

9. Apesar de ter aumentado seu preço em 3.700% (passou de 19,00 bolívares em março de 2016 a 700,00 bolívares em dezembro), cifra muito superior à inflação anual, centenas de clientes fazem largas filas para adquirir a farinha de milho pré-cozida para a “arepa” (o pão dos venezuelanos). Os donos das empresas, ao ver todos esses clientes fazendo largas filas para adquirir sua marca, responderam, não reduzindo seu preço, mas diminuindo em 80% a produção da farinha.

10. Escuta-se nos programas de opinião das rádios, sobretudo aquelas com uma linha editorial expressamente contrária ao governo nacional: “Estamos na pior crise econômica, requeremos ajuda humanitária, estamos morrendo de fome, não há comida, exigimos que se abra um canal humanitário”. E em seguida se escuta: “E agora nossa publicidade… convidamos você a visitar o Restaurant “X”, ali poderão degustar variedades em carnes e pescados, deliciosas sobremesas, leve toda sua família neste fim de semana”… ou ainda “Querido amigo, querida amiga, vai aproveitar este feriado de Semana Santa?, não deixe de passar pelo supermercado “E”, ali você vai encontrar tudo o que precisa, variedade e frescura a bons preços para desfrutar do feriado e descansar como você merece”. Final da publicidade: “Retornamos com nosso convidado de hoje, perito em economia, e seguimos conversando a respeito da necessidade urgente de abrir o canal humanitário na Venezuela pela falta de alimentos”.

11. Nos últimos 4 anos os camponeses abasteceram de frutas, verduras e hortaliças o povo venezuelano. São pequenos produtores do campo, sem muita capacidade financeira para resistir à situações econômicas e financeiras difíceis. Isso porque as grandes empresas nacionais e transnacionais do agronegócio, grandes monopólios e oligopólios com capacidade de cartelizar-se, e sem dúvida com grande capacidade financeira, não abasteceram o povo apesar de receberem [incentivos como] matéria-prima subsidiada e divisas em taxa preferencial.

12. Entre 1980 e 1998, no marco do sistema capitalista neoliberal, a pobreza aumentava ao mesmo tempo que o crescimento econômico. Em 1999, com a aprovação popular de uma nova Constituição, troca-se o modelo econômico e social por um de justiça social. Desde esse ano os aumentos na produção implicam em diminuição da pobreza. Mas para alguns venezuelanos “fracassou o modelo socialista”, aprovado em 1999.

13. A principal empresa do Estado venezuelano, ‘Petróleos da Venezuela’, provê CERCA DE 95% das divisas do país, os outros 4% correspondem a outras empresas do Estado. As empresas privadas geram o 1% restante. Mas na Venezuela, as empresas privadas são eficientes e bem-sucedidas, e as do Estado são “ineficientes”.

14. Na Venezuela, o valor da moeda no mercado ilegal é o marcador dos preços internos da economia. Quando são manipulados intencional e desproporcionalmente esses valores nos mercados ilegais induzem a inflação. O governo, ante a inflação induzida, e para proteger o poder aquisitivo da classe trabalhadora, decreta aumento de salários. Mas, claro, o responsável pela inflação é o governo por ter aumentado os salários e não os terroristas da economia que vem manipulando 38.732% desse tipo de câmbio ilegal desde 2013 até esta data.

15. A produção nacional per capita na Venezuela nos últimos 4 anos é, em média, 9% maior que a dos últimos 30 anos. A taxa de desocupação, é historicamente a mais baixa em 30 anos, 6,6%. Mas a Venezuela está “na pior das crises” e no “caos econômico”.

16. As principais indústrias do setor farmacêutico, as que importam, produzem e distribuem mais de 90% dos medicamentos e material médico-cirúrgico na Venezuela, receberam por parte do governo nacional, e a taxa preferencial, US$ 1.660 milhões em 2008 para importar os bens. Em 2015 receberam US$ 1.789 milhões (mais que em 2008). Em 2008 não havia escassez de remédios, em 2015 sim. Mas o responsável por não haver remédios é o governo.

17. A República pagou mais de US$ 60 bilhões pelo compromisso de dívida externa durante os últimos 4 anos. Fez de maneira completa e pontual. Mas a Venezuela é qualificada como o país com o “maior índice de risco financeiro no mundo”.

18. O Citibank decidiu de maneira repentina fechar as contas bancárias do governo nacional onde se realizavam os pagamentos e transferências para cumprir com os compromissos financeiros e comerciais no exterior. A razão foi que o Estado venezuelano é “muito arriscado”. Mas o Citibank não fechou as contas dos clientes privados. Possivelmente porque o Estado venezuelano é muito arriscado já que conta com a principal reserva de petróleo em nível mundial, a segunda de gás, de água doce, de minério coltán, diamantes, ouro, e outros recursos mais. Tal condição deve implicar em “alto risco” para o Citibank.

19. No Salão Ayacucho do Palácio de Miraflores, sede do Poder Executivo, em 12 de abril de 2002, se autonomeava como “Presidente da República” Pedro Carmona Estanga, logo depois de dar um golpe de estado contra o Presidente Hugo Chávez. No evento de autonomeação, leu-se o seguinte decreto: “suspendem-se de seus cargos os deputados principais e suplentes da Assembleia Nacional, destituem-se de seus cargos o presidente e demais magistrados do Tribunal Supremo de Justiça, assim como o fiscal geral da República, O controlador geral da República, o ministério público, e os membros do Conselho Nacional Eleitoral”. Os presentes neste ato, no que se dissolveram todos os poderes públicos, mediante um decreto que constitui a maior ofensa à Constituição Nacional, gritavam emocionados: “liberdade e democracia!”.

20. Os mesmos que gritavam “liberdade e democracia!”, naquele 12 de abril de 2002 no Salão Ayacucho, aprovam hoje o suposto “abandono do cargo” do Presidente da República. E são os mesmos que hoje gritam “abaixo o ditador!”, referindo-se ao presidente constitucionalmente eleito com a maioria dos votos do povo venezuelano. Ante os olhos de alguns, esses são os “democratas”.

21. Escuta-se de alguns venezuelanos, possivelmente confundidos ou mal informados: “Tomara que o Comando Sul dos Estados Unidos tome logo a decisão de nos invadir, assim acaba com este modelo fracassado, e o país pode prosperar”. Bem, o Iraque, a Líbia e a Síria, para mencionar alguns países bombardeados e invadidos pelos Estados Unidos, encontram-se em guerra, não prosperaram e estão destruídos. Esses que dizem isso, teriam algum exemplo de país invadido pelos Estados Unidos que tenha prosperado?

22. A Venezuela é uma “ameaça extraordinária e incomum” para os Estados Unidos. Isso decretou o ex-mandatário Barack Obama, então presidente do império e grande potência militar mundial, responsável por invasões e guerras.

Nós, venezuelanos patriotas, povo de paz, insistimos que é o inverso.

 

Tradução e edição: Juliana Medeiros

 


 

An article written by the Venezuelan professor and researcher Pasqualina Curcio, full of ironies, questioning the statements of the Venezuelan opposition and part of the National Assembly, as well as those who in the international scenario support them, such as the General Secretary of OAS Luis Almagro.

Among other irony, the author questioned the violent acts that promoted by the opposition, such as the recent fire at a Maternal and Child Hospital, from which it was necessary to evacuate newborns and parturients asphyxiated by smoke. For Curcio, the irony is to say that the “responsibility” for what happened is from Maduro government for controlling the situation, dispersed the demonstrators who attacked the place and removed from there, women and children.

The text, divided into topics, also has comparative numbers that help to better understand the political situation in Venezuela and the alleged “economic crisis” that the country is going through.

 

 

THE OPPOSITE

By Pasqualina Curcio

 

“One hundred and thirty years after visiting Wonderland, Alice got into a mirror to discover the world in the opposite. If Alice was reborn in our days [and in Venezuela], she would not have to go through any mirror; she would just look out the window. ” – Eduardo Galeano

 

Venezuela is one of the few, if not the only, countries with a dictatorial regime whose dictator exercises tyranny after leaving the office. But in addition, being a dictator, that have him a self-coup: in January 2017 the National Assembly, in a vote of the majority opposition to the National Government, decided that President Nicolás Maduro had “left the post”; A month later, the same representatives, incorporated in their speech that we were facing a “dictatorship” headed by the President of the Republic (the same one who left the office a month earlier). And a month later, already being “dictator”, and according to the same representatives, the own president gave a “coup d’etat”.

2. Between 1958 and 1998, that is, in 40 years there were 24 electoral processes, an average of 1 election every 2 years. After 1999, in 18 years, 25 rallies were held, including recall and constitutional referendums, that is, an average of almost two annual elections. We have been 3 elections in the last 4 years since 2013. But according to the elements that currently oppose the national government, since 1999, Venezuelans have been subjected to a dictatorial regime, increasingly tyrannical, especially after 2013 (year of the last Presidential elections).

3. Of the more than 1,000 radio and television stations to which the government has granted permits to operate on the electromagnetic spectrum, 67% are private, 28% are in the hands of communities and 5% are state-owned. Of the 108 newspapers in the country, 97 are private and 11 are public. About 67% of the Venezuelan population has access to the internet. But according to the political elements that oppose the national government, “in Venezuela there is no freedom of expression.”

4. The President of the Republic, in full exercise of his functions, within the framework of the 6-year presidential term, before acts of violence by local elements seeking economic, social and political destabilization, called to sectors of the opposition to a dialogue for peace. But the opposition did not attend the call, preferred to promote acts of violence on the streets. That is, the President is a “tyrant and dictator”, the “democrats” are those of the opposition.

5. All the political organizations (parties) are in a process of renewal through the convocation by one of the five public powers, the National Electoral Council. All attended the call for renewal. They are now at the doors of regional and municipal elections. But in the meantime, leaders and followers of these elements of opposition, shout: “We are in a dictatorship!”

6. In Venezuela “all human rights are being violated, we will have to apply the Inter-American Democratic Charter”. This is what Luis Almagro, General Secretary of the Organization of American States, said in Washington. At the same time, in Geneva, the United Nations absolutely approved the ‘Universal Periodic Review’ submitted by Venezuela. These examination aimed to monitoring the human rights situation in each of the 193 member countries of this organization.

7. The ultra-right, which opposes the national government, finances and promotes acts of violence and terrorism: it blocks streets, avenues and main stretches; against schools and health facilities; in a fascist, terrorist and insane act, they use mercenaries to harass and burn down the “Hugo Chávez Frias Maternal and Child Hospital”, from which it was necessary to evacuate 58 newborns and parturients asphyxiated by smoke. But according to these opposition political elements, it is a responsibility of the national government for to have controlled the situation, dispersed the mercenaries and evacuated the place, women and children.

8. There is a shortage of certain foods, medicines and hygiene products. The companies in charge of their production, import and distribution, the large transnational companies, received from the national government currencies with preferential rate; They also received raw materials at a subsidized price; Had a price adjustment of almost 4,000% in less than a year (2016); But the Venezuelan people make long lines to buy these products and the goods remain without appearing on the shelves. That is, in Venezuela this is not inefficiency of private enterprise, it is the “failure of the socialist model.”

9. Despite having increased its price by 3,700% (from 19.00 bolívares in March 2016 to 700,00 bolívares in December), a figure that is much higher than the annual inflation, hundreds of customers make large lines to buy maize flour pre-cooked for the “arepa” (the bread of the Venezuelans). The owners of the companies, seeing all these customers making long lines to acquire their brand, responded, not reducing their price, but reducing by 80% the flour production.

10. Listen to the opinion programs of the radio stations, especially those with an editorial line expressly opposed to the national government: “We are in the worst economic crisis, we require humanitarian aid, we are starving, there is no food, we demand a opened humanitarian corridor”. And then we hear: “And now our publicity … “we invite you to visit Restaurant “X”, there you can taste varieties in meat and fish, delicious desserts, take your whole family this weekend” … or “Dear friend, are going to enjoy this Easter holiday? Be sure to stop by the supermarket “E”, there you will find everything you need, variety and freshness at good prices to enjoy the holiday and rest as you deserve”. End of the publicity: “We return with our guest today, expert in economics, and we continue talking about the urgent need to open the humanitarian corridor in Venezuela due to lack of food.”

11. In the last 4 years the peasants have supplied the Venezuelan people with fruits and vegetables. They are small producers of the countryside, with little financial capacity to withstand difficult economic and financial situations. This is because the large national and transnational agribusiness companies, large monopolies and oligopolies with the capacity to cartelize, and undoubtedly with great financial capacity, did not supply the people despite receiving [incentives like] subsidized raw materials and foreign exchange at a preferential rate.

12. Between 1980 and 1998, within the framework of the neoliberal capitalist system, poverty increased at the same time as economic growth. In 1999, with the popular approval of a new Constitution, the economic and social model was changed to one of social justice. Since that year, increases in production have led to a reduction in poverty. But for some Venezuelans “the socialist model” approved in 1999 failed.

13. The main Venezuelan state-owned company, ‘Petróleos de Venezuela’, provides about 95% of the country’s foreign exchange, the other 4% correspond to other state enterprises. Private companies generate the remaining 1%. But in Venezuela, private companies are efficient and successful, and those of the state are “inefficient.”

14. In Venezuela, the value of money in the illegal market is the marker of domestic prices of the economy. When these values ​​are manipulated intentionally and disproportionately in illegal markets, they induce inflation. The government, in the face of induced inflation, and to protect the purchasing power of the working class, decrees wage increases. But of course, the government is responsible for inflation because it has raised wages, not the terrorists in the economy who have been manipulating 38.732% of that illegal exchange rate since 2013 to this date.

15. The per capita national production in Venezuela in the last 4 years is, on average, 9% higher than in the last 30 years. The unemployment rate is historically the lowest in 30 years, 6.6%. But Venezuela is “in the worst of crises” and “economic chaos.”

16. The main industries in the pharmaceutical sector, which import, produce and distribute more than 90% of medicines and medical and surgical equipment in Venezuela, received the national government, and with the preferential rate, US$ 1,660 million in 2008 to import The goods. In 2015 they received US$ 1,789 million (more than in 2008). In 2008 there was no shortage of drugs, in 2015 yes. But the government is responsible for not having drugs.

17. The Republic paid more than US$ 60 billion for the foreign debt commitment over the past 4 years. He did it completely and punctually. But Venezuela is qualified as the country with the “highest financial risk index in the world”.

18. Citibank suddenly decided to close the national government bank accounts where payments and transfers were made to comply with financial and commercial commitments abroad. The reason was that the Venezuelan state is “very risky”. But Citibank did not close the accounts of private clients. Possibly because the Venezuelan state is very risky since it has the main oil reserve in the world, the second of gas, fresh water, ore coltan, diamonds, gold, and other resources more. Such a condition should imply “high risk” for Citibank.

19. In the Ayacucho Hall of the Miraflores Palace, seat of the Executive Power, on April 12, 2002, Pedro Carmona Estanga appointed himself as “President of the Republic”, following a coup against President Hugo Chávez. In the event of self autonomy, the following decree was read: “the principal deputies and alternates of the National Assembly are suspended from their positions, the president and other magistrates of the Supreme Court of Justice are dismissed from their positions, as well as the attorney general Of the Republic, the general controller of the Republic, the public prosecutor, and the members of the National Electoral Council”. Those present in this act, in which all the public powers dissolved, by means of a decree that constitutes the greatest offense to the National Constitution, shouted excitedly: “freedom and democracy!”.

20. The same people who shouted “freedom and democracy!” on April 12, 2002 in the Ayacucho Hall, this days approve the supposed “abandonment of the office” by the President of the Republic. And they are the same ones that today shout “down the dictator!”, referring to the constitutionally elected president with the majority of the votes of the Venezuelan people. In the eyes of some, these are the “democrats.”

21. Some Venezuelans are heard, possibly confused or misinformed: “I hope that the United States Southern Command will soon decide to invade us, so it ends with this failed model, and the country can prosper.” Well, Iraq, Libya, and Syria, to name a few countries bombed and invaded by the United States, are at war, have not thrived, and are destroyed. Those who say this, would have some example of a country invaded by the United States that has prospered?

22. Venezuela is an “extraordinary and unusual threat” to the United States. This was decreed by former President Barack Obama, then president of the empire and the world’s greatest military power, responsible for invasions and wars.

We, patriotic Venezuelans, people of peace, insist that it is the opposite.

 

Translation and Editing: Juliana Medeiros and Aref Hamdoush

A vingança da burguesia

Por Pedro César Batista

 

1 – No Brasil, entre 1964 e 1985, a ditadura civil-militar que chegou ao poder, usando o argumento do combate a corrupção, não teve escrúpulos em perseguir, torturar e matar, a fim de servir aos interesses do grande capital. Foram anos de entregas e saques das riquezas nacionais para a burguesia, milhares de torturados e mortos. Decorridos 31 anos, mesmo com todos os criminosos devidamente identificados, os fatos comprovados e com o relatório oficial da Comissão Nacional da Verdade detalhando todos esses crimes, os responsáveis permanecem impunes.

2 – Na luta pela redemocratização do país todas as forças contrárias ao arbítrio se uniram. O PT ao chegar ao governo em 2002 simbolizou a esperança de serem realizadas as reformas necessárias: política, tributária, agrária, sanitária, urbana e assegurar a apuração dos crimes da ditadura e a devida punição dos criminosos. As reformas não foram feitas, a apuração do período de escuridão da ditadura foi feita, mas os criminosos seguiram impunes. O PT no lugar de aprofundar a democracia sustentou-se politicamente com as mesmas bases fisiológicas do governo FHC e das oligarquias. Um grande erro.

3 – Mesmo o artigo 224, da Constituição Federal, assegurando a criação de um Conselho para definir as regras para democratizar as comunicações no Brasil, nada foi feito, nem mesmo pelo governo petista. Isso permitiu que os principais veículos de comunicação, especialmente a Rede Globo de Televisão, nascida como suporte da ditadura, desenvolvesse ao longo desses anos uma campanha continua contra os que combateram a ditadura e o governo petista. O que fazem nestes últimos anos, meses, semanas e dias, é a reafirmação de um discurso inverter os fatos, visando responsabilizar aqueles que não são de seu grupo pelo saque do Estado e das riquezas nacionais que a burguesia pratica secularmente.

4 – Em 14 anos de governo petista, mesmo sem a realização das reformas necessárias, foi realizada uma profunda mudança socioeconômica no país, com a execução de políticas sociais, como os programas Bolsa Família, o ENEN, o Pró-UNE, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, Cisternas, entre outros que permitiram a ascensão ao consumo e melhoria na qualidade de vida de milhões de habitantes, os quais antes viviam em completa exclusão. Essa mudança nunca foi aceita pelas oligarquias.

5 – O capital internacional nunca deixou de lado seus interesses econômicos. Financiaram e organizaram os golpes na América Latina, desenvolvem uma ação criminosa no Oriente Médio e Norte da África, com a invasão, por meio de mercenários ou mesmo diretamente, na Líbia, no Iraque e na Síria. Atuam de forma feroz contra os governos da Venezuela, Equador, Bolívia e Brasil. Conseguiram eleger um títere na Argentina. O grande capital é uma verdadeira águia de rapina que não tem pátria, interessando-lhe apenas assegurar a concentração e o aumento de suas riquezas. O petróleo é a meta no Brasil, Venezuela e Ira, assim como foi o motivo da invasão no Iraque e na Líbia.

6 – O poder judiciário, através de Moro, atua de forma arbitrária, aliado a mídia, levando às massas a um sentimento falso de justiça, pois a campanha da mídia contra o presidente Lula e os petistas tem a finalidade de aplicar uma pauta de vingança contra aqueles que, em parte da história, assumiram o protagonismo, deixando de lado a representação da burguesia e permitiram melhorar a vida dos setores mais pobres e explorados. A pauta da vingança da burguesia não se limita a longa campanha que vem sendo realizada pela mídia, essa campanha prende, tortura e mata, assim tem sido feito ao longo da história da humanidade, sempre que os oprimidos ousam enfrentar os opressores, a crueldade se abate contra os rebelados. Isso vem desde Espártacus até os dias atuais. Não importa se a ação se da conforme as regras da democracia burguesa, como foi no Chile, com Salvador Allende, ou na Venezuela, ou aqui no Brasil. Quando a luta dos explorados ousa construir um outro mundo de forma radical, como foi na ex-URSS, as calúnias, mentiras e agressões persistem sem limites. O que a burguesia busca é desanimar a luta dos trabalhadores, retirar o sonho e tentar desconstruir a utopia.

7 – Toda solidariedade ao PT, Lula, seus familiares e a todos que estão sendo violentados pela sórdida campanha da mídia, sustentada por parte de um poder judiciário originário da ditadura e serviçal do grande capital. Assim começou a campanha contra Joao Goulart, com Carlos Lacerda comandando uma cínica campanha contra a corrupção, semelhante ao que a mídia faz agora. A burguesia quer vingar a luta e conquistas do povo. Não nos calaremos, nem recuaremos em nossa caminhada contra a exploração do homem pelo homem e na busca de uma sociedade justa e fraterna. Os fascistas e seus serviçais não passaram e, cedo ou tarde, pagarão pelos seus crimes contra a humanidade.