Ocupa Brasília – A maior repressão em massa da história do país

 

Rodoviária de Brasília, 24 de maio / Foto: Francisco Proner (Mídia Ninja)

No último dia 24 de maio, Brasília viu uma das maiores manifestações organizadas por movimentos sociais, mas também aquela em que a repressão foi a mais violenta de sua história.

Na noite anterior, milhares de pessoas começaram a chegar em caravanas de ônibus vindos de todos os estados brasileiros para pedir o afastamento de Temer e protestar contra as reformas da previdência e trabalhista.

Na caminhada pacífica, que começou por volta das 10h da manhã, mais de 200 mil pessoas preencheram todo o trajeto de cerca de 5km que vai do Estádio Nacional Mané Garricha até a Esplanada dos Ministérios. Já no meio do caminho, próximo ao Conjunto Nacional, um desproporcional aparato policial armado de escudos e cassetetes tentava fazer as pessoas pararem para que uma a uma fossem revistadas. A reação da massa que descia o Eixo Monumental foi romper a barreira e seguir a caminhada. Mas ao chegar na Esplanada, se depararam com outra barreira que impedia os manifestantes de ocuparem o gramado em frente ao Congresso Nacional, algo também inédito na história da Capital Federal que tantos atos já viu ocorrerem no mesmo local.

Enquanto isso, dentro do Congresso Nacional, a UNE e outras entidades entregavam um abaixo-assinado com mais de 800 mil assinaturas, reunidas em apenas uma semana, ao Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pedindo a renúncia de Michel Temer.

Do lado de fora, por volta das 14h e à medida em que a grande marcha ia se concentrando em frente aos ministérios, a polícia iniciou os ataques aos manifestantes, com balas de borracha, bombas e gás de pimenta. A reação de um pequeno grupo foi descarregar sua indignação contra vidraças de alguns Ministérios. Motivo aliás, usado pelo governo para justificar a repressão, como se o patrimônio público fosse mais importante do que a vida das pessoas.

O descontrolado aparato que reunia soldados da PM e da Força Nacional – solicitada mais cedo por Rodrigo Maia – provocou correria, pânico e muitos feridos. Para piorar a situação, no Palácio do Planalto, o Ministro da Defesa Raul Jungmman (PPS) – que pediu demissão após a divulgação dos áudios da delação premiada da JBS e em menos de 24 horas voltou atrás – anunciava um decreto de última hora assinado por Temer autorizando a entrada das Forças Armadas para conter os manifestantes. À medida em que os caminhões do exército se deslocavam do SMU (Setor Militar Urbano) – para a Esplanda, dezenas de soldados iam se unindo aos agentes policiais e à cavalaria na brutal agressão aos inúmeros manifestantes que resistiam à repressão. Famílias inteiras, incluindo idosos e crianças corriam desesperados tentando escapar da fumaça e dos tiros. O som dos trios elétricos pedindo calma e das bombas e balas de borracha se confundiu com outro mais letal: os estampidos de armas de fogo que soldados da PM passaram a disparar aleatoriamente em direção à multidão.

Aqueles que tentaram se abrigar na Rodoviária de Brasília foram surpreendidos por uma cena ainda mais violenta, que rendeu uma das imagens mais emblemáticas da manifestação (foto acima), capturada pelo fotógrafo Francisco Proner da Mídia Ninja. A fotografia, digna de prêmio, registra o cenário de guerra provocado por um aparato sem precedentes de policiais que, como cães raivosos, partiam para cima inclusive de trabalhadores e estudantes que não participavam do protesto e estavam apenas aguardando pelo transporte na rodoviária central de Brasília.

O saldo desse dia, que começou como luta democrática e terminou com terror, foram duas pessoas atingidas nos olhos por balas de borracha, um homem com a barriga perfurada por arma de fogo, outro atingido na boca por uma pistola .40, um jovem com a mão estraçalhada depois da tentativa de lançar para longe dos companheiros uma das bombas jogadas pela Polícia Militar do DF e outras dezenas de feridos, alguns deles ainda hoje internados no Hospital de Base.

Todos os protocolos internacionais de segurança que preconizam a contenção de manifestações como essa foram esquecidos pelos policiais e militares em uma única tarde e deixaram evidentes o despreparo das forças de segurança da capital do país. O horror e as centenas de violações aos direitos humanos foram noticiados pelos principais jornais de todo o mundo, na mesma medida em que foi praticamente ignorado pela imprensa brasileira.

Mas qual o motivo de tamanha repressão contra os manifestantes que participavam do histórico #OcupaBrasília?

O Governo Michel Temer sabe que está acabado e que é apenas uma questão de dias para que dê seu último suspiro. Depois de conspirar para o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Temer e seus aliados iniciaram ao longo dos últimos meses o maior desmonte dos direitos sociais que o país já teve notícia.

A imprensa de um modo geral – emissoras de TV e jornais – que ajudaram no processo de mobilização contra o governo popular eleito em 2014, passou a vender a ideia de que as reformas seriam necessárias para “salvar” a economia do país. No entanto, inúmeros estudos apresentados por especialistas (CESIT-Unicamp, Diap, Anfip, IPEA, etc) e até mesmo as vozes de analistas estrangeiros (como o cientista político estadunidense Noam Chomski) que vêm observando o que ocorre no Brasil desde o Golpe de Estado do ano passado, denunciam a estratégia de mascarar números e calar a população por meio da intimidação e mentiras usadas para convencer o povo a aceitar calado o que vem ocorrendo.

A razão é que o Brasil vem sendo diariamente entregue aos interesses do mercado financeiro às custas do suor dos trabalhadores que vão pagar a conta pelos que foram iludidos pela propaganda da FIESP e seu pato amarelo. E a maior prova disso é que desde que vieram à tona a sucessão de escândalos envolvendo não só o presidente Michel Temer mas todos os nomes do primeiro escalão de seu governo e também do parlamento, não cessou por um segundo as negociações de bastidores. O objetivo é chegar a um consenso, um nome que agrade àqueles que desejam controlar o país, e que ocupe a cadeira de Temer por meio de eleições indiretas.

A possibilidade de reversão do impeachment por via judicial também é remota, dado o envolvimento de parte do judiciário no golpe, especialmente os Ministros do Supremo Gilmar Mendes, flagrado em conversas nada republicanas com o Senador Aécio Neves (PSDB), e o Ministro Alexandre Moraes que substituiu Teori Zavatscki depois que este morreu em um acidente aéreo até hoje não explicado. Assim, se não há condições para que o país devolva à Dilma Rousseff – sobre a qual não pesa nenhuma das acusações que hoje inundam o cenário político do país – o mandato que lhe foi conferido por mais de 54 milhões de votos, é mais do que chegada a hora das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros se unirem para evitar que a Nação brasileira continue sendo tomada de assalto. O ideal é que fosse possível inclusive a antecipação de eleições gerais, dado que as últimas operações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal deixam claro que mais de 80% do Congresso Nacional foi eleito por meio de propinas, caixa 2, conchavos e corrupção. O poder econômico como via de obtenção de votos precisa ser varrido do sistema eleitoral brasileiro por meio de uma profunda Reforma Política. Mas nesse exato momento, é certo que a simples permanência de Michel Temer no Palácio do Planalto ou sua substituição por um nome saído deste Congresso, agora escancaradamente corrupto, é uma verdadeira provocação ao povo brasileiro.

A tragédia vista neste mês de maio em Brasília é um sinal do quanto a mobilização popular assusta aqueles que detém o poder no país. Mais do que nunca, é hora de sair às ruas e gritar: #ForaTemer e #DiretasJá!

República dilui-se a cada minuto

É grande a pressão para que o presidente Michel Temer renuncie ao mandato. A assessoria da presidência já avisou à imprensa que ele deve fazer um pronunciamento nas próximas horas. Temer ainda está reunido com ministros e membros da base aliada.

Até o início da madrugada, chegou a ser veiculada a informação de que ele se recusava a renunciar e queria ter acesso ao conteúdo das gravações feitas pelos delatores da JBS. No entanto, com a crescente repercussão da notícia, a base aliada passou a reverberar a renúncia como solução para evitar o aprofundamento da crise.

Na entrada da chapelaria do Senado Federal a movimentação é grande por conta da Operação de busca e apreensão da PF que ainda acontece dentro de gabinetes do Congresso Nacional.

O deputado Alessandro Molon (REDE) comentou agora há pouco que pediu ao presidente da Casa, Rodrigo Maia, para que coloque em pauta o pedido de impeachment de Michel Temer, protocolado por ele na noite desta quarta-feira, e não o anexe ao outro processo que já havia na casa desde o período em que Eduardo Cunha era o presidente da Câmara. Isso para que haja celeridade e para que seja analisado o processo a partir das últimas denúncias.

Os partidos que compõem a base aliada do governo Temer já começaram a fazer reuniões também, para avaliar os próximos passos. Há uma movimentação atípica para uma quinta-feira no Congresso e já se sabe que a oposição acordou em paralisar os plenários da Câmara e do Senado até que saia a renúncia.

A Operação da PF prendeu agora há pouco a irmã de Aécio, Andreia Neves, na região central de Belo Horizonte (MG) mas ainda não foi esclarecido o motivo desta prisão. O próprio Senador Aécio Neves pode ser preso ainda hoje. Há um pedido da PGR, pelo procurador-geral Rodrigo Janot, mas o relator da Lava Jato no STF preferiu apenas afastá-lo do cargo e levar ao plenário da côrte a decisão sobre a prisão.

Aécio Neves, supostamente aparece nas gravações (que ainda não foram liberadas por Fachin) pedindo $ 2 milhões para a JBS. O dinheiro teria sido entregue à família Perrela, já envolvida no chamado escândalo do Helicoca, quando foi apreendido pela PF um helicóptero com meia tonelada de pasta base de cocaína.

A discussão agora passa pelas muitas possibilidades de transição. Ela pode acontecer de maneira diferente da prevista, se for aprovada a PEC das Diretas Já, protocolada pelo Deputado Miro Teixeira ainda no ano passado. Confira o texto da PEC que dá nova redação ao Artigo 81 da Constituição:

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 227, DE 2016*
(Do sr. DEPUTADO MIRO TEIXEIRA E OUTROS)

Prevê eleições diretas no caso de vacância da Presidência da República, exceto nos seis últimos meses do mandato.

Dê-se ao § 1º do Artigo 81 da Constituição Federal a seguinte redação:

*Art. 81 – Vagando os cargos de Presidente e VicePresidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga. § 1º – Ocorrendo a vacância nos últimos seis meses do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei. (NR)*

O GOLPE DENTRO DO GOLPE

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O Brasil amanhece com a notícia de que a Polícia Federal realiza mandados de busca e apreensão em mais de 40 endereços pelo país, especialmente em Brasília e no Rio de Janeiro. Dentre os alvos da operação, o Senador Aécio Neves. Envolvido, junto com o Presidente Michel Temer em uma denúncia publicada pelo Jornal O Globo, o Senador foi visto ao final da sessão de ontem a noite saindo discretamente, logo depois de ter sido fotografado lendo as notícias que já corriam pela internet.

De fato, o furo do jornalista Lauro Jardim parece ter implodido a república brasileira nas últimas horas.

Depois do impeachment de Dilma Rousseff, a revelação de que delatores da JBS (que representa a Friboi), GRAVARAM o presidente Michel Temer em negociações de propina para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, parece ter conseguido o feito de unificar o país dividido de um ano atrás. Até líderes de movimentos como o MBL – um dos principais mobilizadores para a derrubada de Dilma – ocuparam as redes esta noite para pedir a renúncia de Michel Temer.

A Globo (aberta) anunciou em seu plantão, pouco antes do Jornal Nacional ir ao ar, que o colunista havia publicado as revelações “ainda sem os áudios, mas com confirmação dos investigadores da Lava Jato”. No referido material, diálogos gravados pelos delatores supostamente comprovam que Temer sabia do esquema de pagamento de “mesadas” à Eduardo Cunha, preso e condenado, para que este “não falasse o que sabe”. Além disso, outros trechos indicam que o Senador Aécio Neves também estaria envolvido, tendo pedido $ 2 milhões aos empresários da JBS e ainda, aparentemente, sugerido o assassinato de um dos envolvidos “antes que ele delatasse” o esquema.

Em meio a esse cenário, uma das coisas que chamou a atenção da opinião pública foi o claro “desembarque” da Globo do governo que a própria emissora ajudou a colocar no poder. Mas alguns fatores podem estar por trás desta atitude, como o interesse numa transição de governo capitaneada pela Ministra Carmem Lúcia do STF e a posterior convocação de eleições indiretas, ou seja, decidida pelo Congresso, que podem levar ao poder algum aliado do mercado financeiro.

É bom lembrar que completado um ano de governo Temer, a economia ainda apresenta números negativos e o empresariado ( especialmente aqueles representados pela FIESP), vêm demonstrando insatisfação em relação ao tímido resultado apresentado. E dentro da linha sucessória, tanto Rodrigo Maia, presidente da Câmara, quanto Eunício Oliveira do Senado, estariam teoricamente impedidos de assumirem um “mandato tampão”, por serem investigados pela Operação Lava Jato. Um desdobramento em consequência da ação que destituiu Renan Calheiros da presidência do Senado pelo mesmo motivo.

Essa linha de raciocínio explicaria o jantar do qual a Ministra participou há alguns dias, com FHC, empresários e até um membro da Família Marinho. Carmem Lúcia pode representar ainda uma possibilidade de suspensão do calendário de 2018, com o argumento de “estabilizar o país” e concluir a Operação Lava Jato. No entanto, isso também poderia ser visto como uma tentativa de impedir a eleição do ex-presidente Lula, que vem aparecendo em primeiro lugar nas intenções de voto em todos os cenários e por institutos de pesquisa diferentes.

Figuras como o Senador Ronaldo Caiado pedindo abertamente a renúncia de Michel Temer também indicam que a aliança formada para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, começou a se diluir assim que as revelações começaram a circular.

O Planalto soltou uma nota, cerca de uma hora depois que as notícias foram divulgadas, em que afirma que o presidente Michel Temer “não participou de nenhuma conversa” com aquele teor. Também o Senador Aécio Neves nega qualquer participação na negociação. Ambos disseram por meio desses comunicados que “confiam nas investigações e aguardam que o judiciário se pronuncie”.

Pouco antes de uma multidão tomar as ruas em frente ao Palácio do Planalto em Brasília, também na Avenida Paulista e em várias outras cidades, os Ministros do STF fizeram algo bastante incomum para os jornalistas acostumados a cobrir a Côrte. Foi solicitado que a imprensa se retirasse e em seguida, fecharam as portas do Supremo. Ali, acredita-se que o Ministro Edson Fachin tenha se reunido com seus pares, não só para avaliar o tamanho da crise, mas também pelo fato de que agora ele está sendo pressionado a revelar rapidamente o conteúdo das conversas citadas.

O Ministro Edson Fachin assumiu a relatoria da Operação Lava Jato depois que o avião que levava o Ministro Teori Zavatscki caiu e onde morreram todos os ocupantes, um acidente que ainda está sob investigação. Por sinal, o filho do Ministro, Francisco Zavatscki, chegou a publicar em seu perfil nas redes sociais uma espécie de “desabafo” em que pergunta “se o PMDB teria coragem de matar o pai dele”. Com a repercussão, o post foi apagado, mas já havia se espalhado pela internet. Francisco menciona ainda o Ministro Teori, dizendo que pouco antes de morrer, o pai estava “preocupado com o PMDB”, que segundo ele “tentava parar a Operação Lava Jato”.

Também chamou atenção da opinião pública nos minutos seguintes em que a cúpula do Governo Temer começava rapidamente a ruir com a notícia, o fato de que há poucos dias foi revelado que o Juiz Sérgio Moro, que conduz de Curitiba a 1ª instância da Operação Lava Jato, disse em despacho que negava um pedido da defesa de Eduardo Cunha porque este havia tentado “chantagear Michel Temer”. Fica a pergunta no ar: se Moro sabia da tentativa do PMDB de parar a Operação, porque tentou censurar o que Eduardo Cunha tinha a dizer? Será que foi esse o motivo que levou os irmãos da JBS à procurarem a PGR e não Sérgio Moro, para fechar o acordo de delação premiada?

Não se sabe ao certo muitas respostas e nem o que vai acontecer nas próximas horas, mas uma coisa é certa: o grito ouvido nas ruas nesta quarta-feira e a reação na internet foi unificada: #RenunciaTemer e #DiretasJá. E é a primeira vez, desde o impeachment de Fernando Collor na década de 90, que aparentemente todo o país se uniu em torno de uma ideia em comum. Não é pouca coisa.

 

O povo que marchou com #Fidel no #1odeMaio em Cuba

1º de maio de 2017 em Cuba / Foto: Gramna

Por Yuniel Labacena Romero

A festa operária foi toda um sucesso. Milhares de cubanos se aprontaram desde muito cedo para tomar as ruas em uma outra mostra gigante de apoio a uma Revolução, que continua a nascer do suor, da confiança e do sacrifício de seus melhores filhos. Cada local foi um formigueiro de amor e justiça, de disciplina e combatividade, de energia e entusiasmo e, claro, de uma alegria infinita.

Muitos sabem – e outros tentam ignorá-lo – que no nosso caso não é sobre protestos contra demissões em massa, ou manifestações para exigir direitos trabalhistas e menos ainda exigimos igualdade de tratamento em relação ao sexo, origem étnica e condições de trabalho seguras. Aqui, a realidade é diferente, e todos marchamos por uma Cuba que conseguiu ganhar a sua liberdade e seu futuro socialista, próspero e sustentável.

Ninguém queria ficar em casa em tal ocasião, em que damos outra lição formidável de unidade, firmeza e confiança em nossa força e no futuro. Assim, os cubanos e cubanas, e milhares de amigos chegaram de outras latitudes e fomos para as principais praças da nação para celebrar o Dia Internacional dos Trabalhadores, e mais ainda para seguir acompanhando ao nosso Fidel, esse gigante da humanidade que se converteu em rocha eterna.

Acaso ele poderia estar ausente neste Primeiro de Maio? Apenas um exemplo remove essa dúvida: nessa mesma Praça da Revolução José Martí, em Havana – onde sua luz nos guia – o eterno jovem rebelde de todos os tempos deu uma definição que se tornou a bússola de um povo. Foi também em um Primeiro de Maio, mas em 2000, quando lançou seu conceito de Revolução, esse que milhões de cubanos e cubanas depois de sua partida para a imortalidade juramos cumprir até o fim.

Eram tempos de uma luta longa e simbólica que poderia resgatar o pequeno Elián González Brotons, que foi seqüestrado nos Estados Unidos. Fidel resumiu, em essência, o passado, história presente e sobretudo o futuro da nação. Em seguida, ele expressou sua tese central de Revolução, o resultado de uma longa experiência de combatente e síntese perfeita de mais de dois séculos de luta do povo. Apenas um homem da sua estatura, que desde a sua juventude acolheu, incentivou e consolidou os princípios revolucionários poderia fazê-lo.

Esses preceitos estabelecidos nesta definição, há 17 anos, tem guiado os cubanos desde então e permitem exibir ao mundo os resultados de um país que está mudando “tudo o que deve ser mudado.” Que levou para os locais mais remotos do país, a saúde, educação, cultura, amor … no meio do desafio de “poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional”.

Como não estará Fidel quando o tema central desta comemoração diz que: “A nossa fortaleza é a unidade”? Ele foi o líder desta Revolução, como o melhor discípulo de José Martí, que nos ensinou que a unidade é tão crucial que sem ela não é possível avançar um único passo, e não por acaso esse sentimento enraizado sempre foi o alvo de todos os ataques de nossos inimigos.

Ninguém pode esquecer que a maioria das pessoas unidas é o que tem mantido a Revolução. Fidel sempre alertou sobre isso: “As divisões nos derrotaram mais de uma vez na história, exceto na fase final da nossa Revolução. Então, a história nos ensinou outra lição: a necessidade de estar unidos acima de tudo; e foi a estreita unidade das forças revolucionárias e de nosso povo que lhes deram, de Moncada e, acima de tudo, desde o primeiro de janeiro de 1959, a força invencível que caracteriza a nossa revolução.”

Há mais um exemplo: essa modéstia, desinteresse, altruísmo, heroísmo e solidariedade que o líder da Revolução nos ensinou e que não podemos abandonar jamais, segue presente em todos, especialmente agora que o povo irmão e Governo Bolivariano estão ameaçados pela ingerência norteamericana e continua como milhares de nações no mundo em sua luta pela soberania e auto-determinação.

Trabalhadores, intelectuais, camponeses, homens e mulheres criadores de riquezas, tomaram as praças para reiterar que o pensamento revolucionário do fundador da Revolução Cubana está em seus corações. Dizer povo cubano é dizer unidade, Fidel, Raul, Socialismo … Se trata desse povo que não abandona jamais nenhum de seus filhos, se aperta e de mãos dadas se torna um escudo de combate. E é esse mesmo povo que marchou com Fidel.

Na mídia oficial, a verdade entrou em greve – Editorial dos Jornalistas Livres

Manifestação de centrais sindicais no Largo da Batata, SP, 28.04.2017 / Foto: Stuckert

10h45, na TV. Fala o apresentador: “Aos poucos, tudo vai se normalizando em São Paulo. O transporte já está funcionando. Vamos saber ao vivo como está a situação nas estações de trem”.

Repórter: “Vamos falar com um passageiro”.

Passageiro: “Poxa, vi na televisão e ouvi no rádio que já tinha trem e vim prá cá. Cheguei há meia hora e tá tudo parado.”

Volta rápido para o apresentador com sorriso amarelo: “Bem, o transporte tá voltando aos poucos…”, nem aí para as imagens ao fundo mostrando trilhos absolutamente vazios, sem nenhum vestígio de vagões. Algo como descrever uma chuva torrencial num dia que todos veem ensolarado.

Situações parecidas, dignas de pastelão, povoaram a grande mídia durante toda a manhã. Num esforço patético, âncoras histéricos anunciavam de minuto em minuto o esvaziamento da greve, quando as imagens e a frustração dos (poucos) candidatos a passageiros provavam o contrário. A paralisação não arrefecia. Mas dane-se a verdade.

Os “comentaristas”, esses então fizeram um pacto com o ridículo. “Essa greve foi um tiro no pé. Uma minoria radicalizada tentando impedir as pessoas de trabalhar”, ouviu-se na rádio CBN. Pouco importa se o movimento se alastrou por 25 estados mais o Distrito Federal, informação facilmente verificada mesmo nos portais ligados aos conglomerados nos quais trabalham os tais “comentaristas”.

“Ah, mas a greve foi só dos transportes, por isso ninguém foi trabalhar”. O mantra foi martelado sem cessar pelos porta-vozes da liquidação dos direitos do povo. Primeira questão: alguém já viu uma greve geral exitosa no mundo ou na história em que os transportes não ocupem um papel vital? Segunda: como explicar o que ocorreu no ABC, onde os operários fizeram questão de ir até a porta das montadoras para decidir em assembleias não entrar nas fábricas?

Uma das maiores provas do sucesso retumbante da greve geral foi o número diminuto, quase inexistente, de conflitos entre os próprios trabalhadores. Sabe-se muito bem: quando movimentos não contam com a adesão da maioria, multiplicam-se confrontos, muitas vezes sangrentos, entre piquetes e os que se recusam a aderir. Hoje isso praticamente inexistiu. Na falta disso, as TVs –Globo principalmente— reprisaram um conflito localizado no aeroporto Santos Dumont para vender a imagem de um movimento sustentado na violência.

Violência houve, e está havendo. Sua origem é a ação covarde, como habitual, das forças de repressão. Mais uma vez, muitos trabalhadores indefesos sofreram com bombas, cacetadas e humilhações. Dezenas foram presos por exercer o direito democrático de se manifestar. Tais imagens não tiveram destaque na mídia oficial, embora apareçam às centenas nos veículos da mídia independente. Basta consultar as páginas dos Jornalistas Livres.