Coletes Amarelos: Um Movimento Francês?

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Coletes Amarelos / França – Foto: Etienne de Malglaive / Getty Images

 

Por Pedro Augusto Pinho

Desde o início das manifestações que há um mês tomam as ruas de Paris e muitas cidades francesas, com seus coletes amarelos, uma questão está sem resposta. Quem patrocinou? Deu visibilidade, espaço nas comunicações, que possibilitou milhares de pessoas contestarem o Governo Macron?

Movimentos espontâneos são tão prováveis quanto orientações extraterrenas. Uma das boas análises li em Ramin Mazaheri, correspondente na França da imprensa iraniana. Ele mostra que desde as movimentações de 2010, contra a reforma da previdência, a vida dos franceses da classe média, que não são 20%, como no Brasil, mas representam cerca de 50% da população, tem piorado sempre, a cada ano. Quer em relação ao poder de compra de suas receitas – de trabalho ou de negócios – quer em relação a opções de emprego e ausência de clientes e consumidores, quer em relação à carga tributária, nominal e real crescentes. E, além disso, com os novos ônus de um Estado cada vez mais ausente, pelas privatizações e pela redução dos benefícios sociais. Em síntese, estas pessoas tiveram oito anos para refletir sobre as razões de sua desesperança.

Muito se tenta culpar a extrema direita de Marine Le Pen. Mas seu discurso se concentra nos imigrantes que tiram lugar dos franceses no trabalho e nos postos de atendimento público, além de uma “agressão cultural” ao orgulho civilizatório do Império. Os coletes amarelos não são árabes, negros ou imigrantes. É visível pelas imagens em Paris e nas entrevistas por toda França. Logo, se há eleitores do Rassemblement National (União Nacional), não foi sua articulação partidária quem os colocou na rua.

Tampouco a esquerda da França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon, que vem sendo sabotado pela “grande imprensa”. Há sem dúvida eleitores de La France Insoumise, mas não são os condutores da revolta.

Seria o próprio Emmanuel Macron? Eleito com 66% de aprovação, em maio de 2017, tinha apoio de 39% dos franceses em julho/2018, 34%, em agosto, e 29%, em novembro/18, de acordo com pesquisas reportadas pelo Deutsche Welle, e chega agora a 23% , conforme Les Échos.

Ora, seu projeto neoliberal de demolição do Estado Nacional ainda não está completo e seus patrões do Banco Rothschild e outros gigantes das finanças mundiais estão cobrando. Fazer explodir um movimento nacional, com infiltrados agentes depredadores, para justificar a repressão, gera uma situação indesejável e pode ser o caminho para os poderes especiais com que concluiria a encomenda do sistema financeiro (banca).

Mas os Estados Unidos da América (EUA), não da banca, mas do Presidente Trump, não quer uma Europa forte e desafiante. O Brexit, um caos na França, uma oposição à União Europeia na Itália, se espalhando pelo Velho Continente pode ser a oportunidade de tornar vitorioso o American First. A conferir.

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Deputados destacam legado da Revolução Russa

via Blog do Renato Rabelo

SESSÃO SOLENE REVOLUÇÃO DE OUTUBRO - 25-10-2017

A Revolução de Outubro de 1917 foi tema de sessão solene na Câmara dos Deputados

Assim como na Revolução Francesa, a reorganização da sociedade russa adveio dos desejos populares por mais participação, mais democracia, mais oportunidades e menos privilégios às classes dominantes na Rússia do Czar.

Para o deputado comunista Daniel Almeida (BA), muito do que se tem hoje de direitos foram inspirados e construídos a partir da experiência da União Soviética. “Portanto, comemorar 100 anos é resgatar essa possibilidade do novo, do revolucionário. Resgatar o sonho, da utopia se materializar”, enfatizou o parlamentar.

A forte presença das mulheres nas mais diversas lutas da história foi exaltada por Ana Maria Prestes, doutora em Ciência Política e representante da Fundação Maurício Grabois. “Já em 1917, Alexandra Kollontai era na época a única mulher membro do Comitê Central do Partido. E ela deixou uma pauta, uma agenda que nós mulheres do século 21 ainda tateamos. Em pouco tempo, ela fez com que a mulher russa tivesse direito ao aborto, ao divórcio civil, direito ao trabalho”.

Alexandra Mikhailovna Domontovich nasceu, em 31 de março de 1872. Foi figura histórica nas lutas das trabalhadoras russas por seus direitos, contra a exploração capitalista, o conservadorismo e o machismo.

De acordo com a presidente nacional do Partido Comunista do Brasil, deputada Luciana Santos (PE), a atualidade da resistência socialista está demonstrada na incapacidade do capitalismo de resolver as mazelas da desigualdade. “Nós vivemos o mundo da guerra, da concentração de renda, de bilhões que vivem abaixo da linha da pobreza. De um mundo em que o capital especulativo representa três vezes o PIB (Produto Interno Bruto) de todas as nações”.

“É um sistema que vem perdendo na geopolítica a sua força unipolar e criando vários pólos, entres eles a experiência do socialismo nos países em que esse está se desenvolvendo. Num momento como esse legados e lições precisam cada vez mais ser afirmadas”, disse Luciana.

O surgimento do socialismo alimentou no Brasil e no mundo a esperança de um futuro livre da exploração, da opressão e da miséria. A experiência soviética teve repercussão em todo planeta e impactou a formação dos Partidos Comunistas em todos os países, inclusive a criação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), fundado em 1922.

Entre as ideias poderosas que atravessaram o século passado, o socialismo apresentou ao mundo os princípios para a formação dos direitos sociais e dos trabalhadores. A Revolução Russa de 1917 foi responsável pela ruptura com o capitalismo, apresentando uma nova configuração do Estado que estivesse à serviço e fosse controlado pelo povo.

Fonte: PCdoB na Câmara

VENEZUELA: A DITADURA ONDE O POVO PARTICIPA DAS DECISÕES

Talvez sem o mesmo frisson da promulgação da Constituição Bolivariana de 1999, referendada por voto popular, assim como de outros referendos da era Chávez, a Venezuela promoverá neste domingo, 30/07, a votação para a eleição dos delegados da assembleia nacional constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

A direita venezuelana entendeu a morte de Hugo Chávez como uma fenda de oportunidade política para, com patrocínio dos Estados Unidos, golpear a chamada Revolução Bolivariana.

Henrique Capriles, candidato opositor a Maduro, nunca aceitou a apertadíssima derrota eleitoral de 2013 (50,75% x 49,25%).

Desde então, o país foi mergulhado numa onda de violência e guerra econômica.

Os setores empresariais passaram a esconder os produtos das gôndolas dos supermercados para criarem um caos que justificasse alguma intervenção política e a consequente derrubada do governo.

Diante desse desgaste, a direita venezuelana venceu as eleições legislativas de 2015, na qual obteve amplíssima maioria e o pronto reconhecimento dos resultados pelo governo de Maduro.

Mesmo assim, insiste em dizer que há uma ditadura no país.

Conhecida como Arábia Saudita das Américas, a Venezuela somente teve seu contraste social alterado quando os lucros da exportação do petróleo passaram a ser investidos na transformação social do povo, que passou a ter acesso a casas, escolas e à segurança alimentar.

Entretanto, a guerra econômica provocada pela direita foi agravada pela crise internacional do petróleo no início de 2015, pois as divisas obtidas da importação diminuíram com a queda brusca do preço.

Para se ter uma ideia a Venezuela é membro da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Com o objetivo de restabelecer a paz e criar uma nova matriz econômica que não dependa exclusivamente do petróleo, o presidente Nicolás Maduro convocou a assembleia nacional constituinte, com base nos artigos 347, 348 e 349 da Constituição, cujos 537 delegados serão eleitos neste domingo.

Primeiramente, o eleitor venezuelano votará num universo de 364 delegados em nível territorial, algo equivalente a um delegado municipal se as eleições fossem no Brasil.

Posteriormente, votará em um dos 173 delegados de nível nacional dentre os setoriais temáticos designados para a constituinte: empresários, camponeses e pescadores, pessoas com deficiência, estudantes, trabalhadores, representantes das comunas e dos conselhos comunais e aposentados.

Toda a votação é eletrônica e, terminada, um comprovante do voto é impresso e depositado na urna física, o que proporciona plena possibilidade de conferência, pois a contagem de ambas as urnas deve ser idêntica.

Todavia, sabemos que não adianta explicar para quem não quer entender.

No Brasil, terra mundial do desdém mesmo com prova em contrário, jamais permitirão a mínima compreensão do que se passa na Venezuela.

No primeiro país independente da América do Sul haverá um novo processo constituinte em menos de 20 anos no qual espera-se a participação de mais de 19 milhões de eleitores num país de 31 milhões de habitantes, enquanto aqui a atual Constituição, vilipendiada por um golpe de Estado, já foi emendada mais de 100 vezes sem qualquer participação popular.

Onde é a ditadura chavista-comunista-petrolífera-bolivariana?

Lá, claro.

A única ditadura no mundo onde o povo vota além de eleições periódicas.

Blog Chianéllico

Talvez sem o mesmo frisson da promulgação da Constituição Bolivariana de 1999, referendada por voto popular, assim como de outros referendos da era Chávez, a Venezuela promoverá neste domingo, 30/07, a votação para a eleição dos delegados da assembleia nacional constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

A direita venezuelana entendeu a morte de Hugo Chávez como uma fenda de oportunidade política para, com patrocínio dos Estados Unidos, golpear a chamada Revolução Bolivariana.

Henrique Capriles, candidato opositor a Maduro, nunca aceitou a apertadíssima derrota eleitoral de 2013 (50,75% x 49,25%).

Desde então, o país foi mergulhado numa onda de violência e guerra econômica.

Os setores empresariais passaram a esconder os produtos das gôndolas dos supermercados para criarem um caos que justificasse alguma intervenção política e a consequente derrubada do governo.

Diante desse desgaste, a direita venezuelana venceu as eleições legislativas de 2015, na qual obteve amplíssima maioria e o pronto reconhecimento…

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