Volveremos, como hicimos siempre.

Por:  ADRIÁN PAENZA.

El pueblo nunca se equivoca, ni siquiera cuando se equivoca.

Nosotros no despreciamos.

Nosotros no odiamos.

Nosotros no tiramos bombas.

Nosotros no hacemos golpes de Estado.

Nosotros respetamos lo que las mayorías eligen, aun cuando creamos que las mayorías eligieron mal.

No va a pasar nada que no conozcamos.

El país del saqueo y la alegría boba

El país de la pobreza y el sálvese quién pueda

El país que se arrodilla ante las potencias

El país que gobernó este país hasta el 2003.

Hicimos lo mejor que pudimos hacer, si no lo hicimos mejor es porque no estuvimos a la altura de las circunstancias.

Hacer autocríticas públicas ahora es dar de comer a los que hoy festejan

No hacer autocríticas en privado es de necios. Echarle la culpa al pueblo es de falsos ilustrados.

Hoy hay que aguantar los trapos.

No le regalemos a los adversarios nuestras tristezas.

Firmes y dignos.

Volveremos, como hicimos siempre.

 

ADRIÁN PAENZA. Profesor de matemàticas

A luta continua!

 

 

Por: Helena Iono

Na noite de 22 de novembro, após os resultados eleitorais oficiais, pairou um silêncio mortal na Argentina, quase como um black-out, ou um toque de queda em tempos de guerra. Entre a tristeza profunda de 12,5 milhões que renderam o voto de apoio e um “sim” à  continuidade das conquistas sociais dos últimos 12 anos de governo popular e democrático de Néstor e Cristina Kirchner (votando a Scioli), e o silêncio de uma parte dos eleitores que completaram a vitória eleitoral de Macri com uma parquíssima diferença de 2,8%, concedida por uma espécie de “voto inseguro”, dos ludibriados, que provavelmente sentiam temor pelo futuro e que, mesmo após a vitória, vivem de incertezas e quiçá pensavam, sem festejar: “votamos no escuro, a um tipo disfarçado, sem propostas claras e enganosas. Será que demos um tiro no pé?”. Nenhum burburinho de alegria e de festa, salvo um punhado de gente no Obelisco para a imprensa mundial, entre balões e música no melhor estilo norte-americano, calculando como poder agora tirar proveitos pessoais, pisoteando o sonho dos oprimidos, dos trabalhadores, da consciente e culta classe média argentina por um país justo e soberano.

 

Mas, passado o momento emotivo, vamos aos fatos objetivos, compartilhando algumas reflexões de analistas argentinos que circulam após o pleito. Houve uma derrota eleitoral de Scioli da FPV, mas não uma derrota social, nem do projeto econômico-social e político criado e praticado nestes 12 anos. Os 48,6%, correspondentes a 12,5 milhões de votos, estabelecendo uns 700 mil de diferença em relação ao vencedor, e conquistando a maioria na Província de Buenos Aires (onde no 1o. turno perdeu o governo), e o governo de 15 províncias, são votos compactos, conscientes na defesa deste projeto, crescidos no seio de uma reação popular nestas últimas 2 semanas de campanha, frente à ameaça de retrocesso aos anos 90, que não poderá ser imposto sem métodos ditatoriais. A militância das várias agrupações da FPV, independentes, jovens, artistas, jornalistas, cientistas, ocuparam os vários pontos das cidades, parques, bateram de porta em porta, acionaram rádios e tvs comunitárias, fizeram panfletos e vídeos-spot, ocuparam redes sociais difundindo os pontos programáticos que explicitavam que Scioli era a continuidade de um projeto de empoderamento de um Estado democrático e inclusão social. Por outro lado, os 51,4% de Macri são votos de uma junção de partidos (PRO, Unen de L. Carrió, Radicais conservadores) de direita, da oligarquia e grupos financeiros, que se disfarçaram atrás da sigla “Cambiemos”(Mudemos), de palavras vazias, “todos unidos”, “paz e amor”, os do grande capital finaceiro, do neo-liberalismo dos 90, dos agentes da ditadura, do pró-Alca, da Aliança para o Pacífico, do anti-bolivarianismo. Para chegar a esta votação, usaram um marketing fabricado pelo Tio Sam, de que é possível mudar de liderança política, com novas caras “sorridentes”, sem mudar o projeto já existente; ocultou seu projeto neoliberal para enganar parte da nova classe média,  do comerciante e do lúmpen proletariado. São táticas padronizadas, da sedução e do engano, como Capriles Radonski na Venezuela que se disse continuador das missões sociais implementadas por Chávez, e seguidor de Lula, para ocultar seu projeto fascista.

Mas, a governabilidade de Macri será difícil; deverá se confrontar com uma feroz disputa de interesses internos e de poder. A sua intenção de retroceder o país às privatizações, aos acordos com o FMI e aos ajustes neoliberais (*), encontrarão um Congresso onde a FPV tem a maioria (na Câmara dos Deputados não faz quórum, mas tem a maioria; no Senado, faz quórum e tem maioria; podendo barrar algumas tentativas de retrocesso nas leis consolidadas), e nas ruas, bairros e fábricas, 12,5 milhões de mobilizados vão defender o já conquistado. A memória pelos 30 mil desaparecidos não se apaga. Macri deverá olhar por onde pisa. Já lhe puseram um pé no freio para não dar marcha ré:  jornalistas e trabalhadores do jornal “La Nación” contestaram o editorial de ontem em que chamava a não aplicar a lei contra lesa-humanidade que pune os repressores da ditadura. Macri, na primeira coletiva de imprensa, ao ser indagado, teve que dizer que continuará com os julgamentos.

 

Evidentemente, a cara nefasta dos planos de governo neo-liberal de Macri vão se manifestar mais rapidamente no plano da política internacional. Este governo, é uma ameaça à unidade latino-americana conquistada por Chávez e Cuba nos últimos anos, à solidificação de Mercosul, Unasul, Celac, Brics e à integridade dos governos progressistas e revolucionários na Venezuela e Brasil. Macri já se pronunciou pela aplicação da Carta Democrática para expulsar a Venezuela do Mercosul, alinhando-se com os golpistas venezuelanos. O resultado das eleições presidenciais na Argentina alteram as relações de forças na América Latina, reforçando no seu interior, os agentes desestabilizadores que provém da Europa EUA e Otan contra os países progressistas do Oriente Médio, Síria e Irã. Porém, a batalha não está vencida.  Não vai ser fácil a Macri manter uma política de enfrentamento com a Venezuela, pois já o Brasil e Uruguai se manifestaram contra a posição a Argentina nesse quesito do Mercosul.  No Irã acabam de se reunir, Putin, Maduro, Evo, com Khamenei para convênios de intercâmbio que injetam gás à unidade dos países que reforçam a resistência às guerras de ocupação e golpes reacionários. Tudo isso, no bojo de uma Rússia que com Putin lançou a ação na defesa da integridade do povo e governo democrático da Siria. A chamada “nova Argentina” não poderá apagar da noite ao dia os acordos econômicos com a Rússia e a China (que deram vida, graças as nacionalizações, ao transporte ferroviário argentino), ceder ao FMI e Fundos Abutres, sem desmantelar direitos sociais e enfrentar uma reação popular de proporções inimagináveis. Sem falar na bomba da política cambial e de desvalorização do peso que está por implementar; a oligarquia vibra com o fim das retenções às exportações, e as pequenas e médias empresas, temem o fim dos subsídios, o aumento dos preços com a desvalorização, pressão trabalhista por aumento salarial, e desemprego; e a ameaça ao fim das paritárias já agita o movimento sindical.

 

No cômputo das reflexões é preciso inserir os erros e as falhas que levaram a esta derrota eleitoral, que é um verdadeiro golpe. Este não assume a cara violenta como no golpe contra Allende em 1973.  É a época dos “golpe suaves”. O preâmbulo foi o constante ataque à imagem de Néstor que enfrentou a Alca, e Cristina que cortou as asas dos Fundos Abutres, instigado pela eterna e não erradicada aliança entre a mídia (Clarin, e La Nación, Canal telefisivo TN) e o poder Judiciário, evidenciada no caso Nisman. Apesar da implementação da “Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual” (Lei da Mídia) que limita o poder da mídia privada, a sua aplicação encontra dificuldades; uma recente decisão judicial da Corte Suprema rechaçou a apelação contra a medida cautelar que exime o Clarin de adequar-se a essa lei. Não obstante a acertada utilização da TV Pública e das cadeias nacionais para comunicar discursos e medidas presidenciais, e programas de informação objetiva e formação política como o 6,7,8, o poder e a guerra dos grandes proprietários midiáticos são implacáveis e não foram debelados. O papa Francisco, chamou acertadamente ao voto de consciência. Mas, a dificuldade em construir consciências é enorme como no Brasil onde encontramos várias semelhanças no comportamento psíquico-social de uma parte da classe média instrumentalizada pela direita. Seja na época de Hipólito Irigoyen, como de Perón, a nova classe média beneficiada pelas medidas de inclusão social, voltaram-se contra e foram base de golpes de direita. O mesmo ocorreu nesta eleição na Argentina, onde a era Kirchner reduziu a 5,9% o desemprego, desendividou o país e deu dignidade aos humildes, soberania e cultura. Não obstante, a nova classe média quer mais e oscila, sem a consciência do proletariado, envenenada pela campanha midiática do “medo”, do terror, da insegurança. Sectores como este, são midiaticamente induzidos ao racismo, ao egoísmo, e até a considerar obras culturais como a transformação do velho Correio Central em Centro Cultural Kirchner, com dezenas de salas de exposição, cursos, teatro e espaço infantil, espetáculos, totalmente gratuitos, possibilitando o acesso dos pobres à cultura, como gasto inútil do dinheiro público.  Paira no ar a dúvida do que ocorrerá com todos os patrimônios da Memória, como o Museu da ESMA, do Museu da Memória e Vida (ex- Mansão Seré, recentemente violada por fascistas). Não há dúvidas de que o povo argentino, saberá defender todas as conquistas dos 12 anos de dignidade: o subsídio universal por filho, o matrimônio igualitário, a lei de identidade de gênero, o das empregadas domésticas, a Aerolíneas Argentinas, a YPF, as ferrovias nacionalizadas e os trens chineses, a aposentadoria mais alta da A. Latina, os 118 netos e filhos de desaparecidos, o Fundo estatal das aposentadorias (AFJP), Tecnópolis, os 2 satélites nacionais, os programas infantis de Paka-Paka, o Canal “Encuentro”, o Museu da TV Pública, e o do Bicentenário, as “madres y abuelas de Plaza de Mayo”, a visita dominical livre na Casa Rosada, as Malvinas argentinas, etc…

 

Após estas eleições, muitas reflexões serão feitas. Porque, não obstante tudo isso, venceu o voto pela mudança-retrocesso. Pergunta-se se o reformismo, neste contexto mundial de crise capitalista, na Europa e no mundo, está chegando ao seu limite, e se é possível continuar indefinidamente avançando somente com a dependência a pleitos eleitorais? Pode-se enumerar algumas falhas: o descuido com a comunicação direta com o povo, através dos organismos de bairro, da base sindical, das escolas; e a mais profunda, que tem sido a ausência de medidas muitas de ruptura com o sistema capitalista, com o poder dos bancos, a falta do monopólio estatal do comércio exterior; tudo isso poderia ter avançado nestes últimos anos. É provável que estava no projeto de Cristina Kirchner e sua equipe, de aprofundar estas metas na próxima gestão peronista-kirchnerista com Scioli, com apoderamento popular, limpezas burocráticas e superação de carreirismos; relações internacionais decisivas com a Rússia e a China. Sem avançar em direção a uma estrutura econômica-político-institucional de ruptura do Estado em direção a um Estado Revolucionário, e real poder popular não há eleição que suporte um processo linear de avanço de um projeto profundo de transformação social. É hora de pensar em como os governos progressistas devem partir da democracia representativa à democracia participativa. Evidentemente, a crise mundial encurta os prazos, e a onda reacionária tenta impedir que todas as tarefas e metas revolucionárias se cumpram a tempo. Néstor e Cristina deixaram um legado e não se equivocaram jamais num ponto central: sem a unidade socialista dos povos e governos progressistas da América Latina e do mundo não há como edificar a soberania de nenhum país. Por isso, é fundamental que nas próximas eleições de dezembro na Venezuela toda a América Latina esteja atenta e apoie o triunfo do governo bolivariano de Nicolás Maduro. O povo argentino sofreu um golpe, mas tem memória e saberá estar em pé de luta e defender com força a sua dignidade e soberania.

 

  1.  Helena Iono

 

 

 

Helena  Iono

Colaboradora da TV Cidade Livre

(canal comunitário de Brasília)

 

(*) Mais sobre quem é Macri: “O capitão que conseguiu os votos”,  de Martin Granovsky publicado no jornal argentino Página 12, do dia 23 de novembro, e no Carta Maior http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/O-capitao-que-conseguiu-os-votos/6/35041

Macri vence o segundo turno na Argentina

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Por volta das 22h deste domingo, horário de Brasília, o candidato da presidente Cristina Kirchner, Daniel Scioli reconheceu a derrota para o candidato da ala conservadora, Maurício Macri.

O segundo turno na Argentina se realizou após as eleições de 25 de outubro, quando nenhum candidato alcançou votos suficientes para a vitória no primeiro turno.

A diferença entre os dois candidatos foi apertada. Com 94% das urnas apuradas até pouco antes da meia noite, Macri obteve 51,92% e Scioli 48,08%.

Um cenário parecido com as eleições no Brasil em 2014, quando Dilma Rousseff obteve 51,64 e Aécio Neves 48,36 por cento

A nova equipe de política externa da Argentina tem em seu compromisso de campanha deixar de lado as práticas protecionistas derivadas do controle cambial

Uma das propostas a serem discutidas com o Brasil é a reformulação do Mercosul oferecendo a seus membros mais flexibilidade para negociar acordos comerciais com outros países ou blocos, o que hoje é proibido pelas regras alfandegárias do bloco regional.

Macri chegou a mencionar ainda um esforço para ajudar a Venezuela no que ele chamou de “transição democrática”, sinalizando com isso um provável alinhamento com a histórica política externa norteamericana para a América Latina.

Ainda assim,  o discurso da vitória de Macri foi o de valorizar os avanços. Ele ainda pediu o apoio de todos os argentinos, mesmo dos que não votaram nele.

Logo depois do reconhecimento de Scioli, a presidente Cristina Kirchner convidou Maurício Macri para uma reunião nesta terça-feira na residência oficial.

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Declaração da Rede em Defesa da Humanidade – Cuba em apoio ao jornalista Carlos Aznárez

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O capítulo cubano da Rede em Defesa da Humanidade vem prestar sua solidariedade e compromisso com nosso companheiro Carlos Aznárez,  ao mesmo tempo que convoca todos os homens e mulheres defensores da liberdade e dos direitos humanos que se unam a essa ou outra convocação similar e, todos juntos, façamos da causa de Carlos não somente nossa bandeira, mas uma arma mais eficaz na luta para denunciar os que procuram, inutilmente, silenciá-lo com o velado propósito de calar toda a humanidade.

Em agosto de 2014 a população civil palestina sofreu os ataques mais impiedosos do exército israelense, cuja superioridade tecnológica e material provocou cenas verdadeiramente dantescas que deram a volta ao mundo e foram ampla e solidariamente divulgadas nas redes sociais.

A Rede em Defesa da Humanidade se pronunciou na ocasião por diversos meios e sua declaração mais importante foi encabeçada, entre outras proeminentes personalidades, pelos companheiros Fidel Castro e Evo Morales.

Crianças, mulheres e idosos foram as principais vítimas da tragédia. O mundo assistiu a um ato de barbárie classificado como genocídio continuado pelas vozes mais honestas e pelos governos mais progressistas da comunidade internacional.

Apesar da desinformação e da manipulação que caracterizam a indústria midiática do capitalismo hegemônico, as notícias conseguem ser divulgadas graças à honestidade e integridade de jornalistas que se sentem no dever de investigar, informar e transmitir sua denúncia; enfim, de não serem cúmplices, com seu silêncio, do massacre e da injustiça.

A operação militar israelense na Faixa de Gaza destruiu escolas, abrigos, e outros objetivos civis e causou, mais uma vez, a morte de pessoas inocentes, em flagrante violação do direito internacional.

Há alguns dias recebemos a surpreendente notícia de que o companheiro Carlos Aznárez, jornalista e diretor há 22 anos da agência  de comunicação Resumen Latinoamericano  teria sido acusado pela  Delegación de Asociaciones Israelitas Argentinas de “organização e propaganda discriminatória” por ter participado de uma atividade solidária com o povo palestino e por ter contribuído para difundir a verdade.

Seria cômico, se não fosse tão vergonhoso e repugnante, que se pretenda condenar por discriminatório um ato tão justo como o de rechaçar a criminosa agressão israelense ao território de Gaza e se tente processar um jornalista honesto por exercer dignamente sua profissão e seus direitos como cidadão.

O capítulo cubano da Rede em Defesa da Humanidade vem prestar sua solidariedade e compromisso com nosso companheiro Carlos Aznárez,  ao mesmo tempo que convoca todos os homens e mulheres defensores da liberdade e dos direitos humanos que se unam a essa ou outra convocação similar e, todos juntos, façamos da causa de Carlos não somente nossa bandeira mas uma arma mais eficaz na luta para denunciar os que procuram, inutilmente silenciá-lo com o velado propósito de calar toda a humanidade.