Música de sexta: Silvio Rodríguez

A partir de agora, o blog passa a recomendar músicas do cancioneiro latinoamericano aos nossos leitores todas as sextas-feiras. Começando com aquele que é um dos símbolos da canção necessária: Silvio Rodríguez.

Expoente da música cubana surgida com a Revolução Cubana, Silvio é um dos cantores cubanos contemporâneos de maior relevo internacional, criador juntamente com Pablo Milanés e outros músicos o movimento da Nova Trova Cubana. Considerado um poeta lúcido e inteligente, capaz de sintetizar o intimismo e os temas universais com a mobilização e a consciência social.

Sua mensagem de trovador, sua sensibilidade como compositor, fazem de Silvio Rodriguez um dos mais expoentes músicos da América Latina e do mundo. Em razão de um injusto embargo, um bloqueio que não é obviamente apenas econômico, mas também de ideias, além de (do lado de cá) um período ditatorial que bloqueou o acesso à cultura cubana, o povo brasileiro desconhece a complexidade e beleza de um cantor popular de vida e obra tão singulares. Que vivam as ideias de Silvio! Que viva sua poesia!

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Músicas latino-americanas e caribenhas em homenagem a Fidel Castro

A Academia de Canto Mariana de Gonitch fará nesta quarta-feira, 13, um recital de canções latino-americanas e caribenhas pelo 90º aniversário do líder histórico da Revolução cubana, Fidel Castro.

O maestro Hugo Oslé, diretor do conjunto, disse à Prensa Latina que temas imprescindíveis do repertório da região como Sombrero azul, Canción con todos, Plegaria a un labrador e Alma llanera, serão interpretadas por um grupo de jovens talentos do canto nesta ilha.

A Casa da Alba Cultural de Havana acolherá a apresentação intitulada Fidel es Cuba, na qual serão entregues os prêmios do concurso Sara González, em homenagem à autora de várias peças dedicadas à Revolução cubana, entre elas La vitória.

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Patria es humanidad – Una Importante idea martiniana

El 26 de enero de 1895, bajo el título de “La Revista literaria dominicense”, por vez primera se expone, explica y esclarece lo que se convertiría en un concepto fundamental dentro del pensamiento martiano: Patria

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Fonte: Gramna

 

“Cada cual se ha de poner, en la obra del mundo, a lo que tiene de más cerca, no porque lo suyo sea, por ser suyo, superior a lo ajeno y más fino o virtuoso, sino porque el influjo del hombre se ejerce mejor y más naturalmente en aquello que conoce, y de donde le viene inmediata pena o gusto; y ese repartimiento de la labor humana, y no más, es el verdadero e inexpugnable concepto de la patria.”

Con estas palabras se inicia la nota aparecida en “Patria” el 26 de enero de 1895, bajo el título de “La Revista literaria dominicense”, don­de por vez primera se expone, explica y esclarece lo que se convertiría en un concepto fundamental dentro del pensamiento martiano, cuya vigencia alcanza hasta hoy y se extiende indetenible como mensaje al mundo.

Más adelante, añade: “Patria es humanidad, es aquella porción de la humanidad que vemos más de cerca y en que nos tocó nacer; y ni se ha de permitir que con el engaño del santo nombre se defienda a monarquías inútiles, religiones ventrudas o políticas descaradas y hambronas, ni porque a estos pecados se dé a menudo el nombre de patria, ha de negarse el hombre a cumplir su deber de humanidad, en la porción de ella que tiene más cerca. Esto es luz y del Sol no se sale. Patria es eso”.

Es históricamente importante conocer, sin embargo, a quién va dirigida la nota de “Pa­tria” y cuál es el motivo utilizado como oportunidad o pretexto para dar a conocer tan profundas consideraciones.

La citada publicación así lo explica: “En San­­tiago de Cuba vive ahora, en inseguro refugio, el dominicano Manuel de Jesús Peña[1], a quien llama un diario santiaguero, con razón “maestro celosísimo, abnegado periodista, fundador afortunado, diputado integérrimo y ministro sin tacha”, lo cual quiere decir que es el hombre de veras, porque ha amado y sacó la honra salva de la tentación del mundo. Pu­diera el anciano Peña, allá en la “medianezga comedida” en que vive, descansar en infructuoso silencio de su vida de idea y batalla; pero él sabe que es ladrón y no menos, quien siente en sí fuerzas con que servir al hombre y no le sirve. Estos cómodos son ladrones; son desertores, son míseros, que en el corazón del combate huyen y dejan por tierra las armas”.

El saludo martiano al nuevo empeño es recogido al concluir el texto que, sin aun saberlo ni Martí ni Peña, pasará a ocupar un sitio prominente en la historia de Cuba y América: “El anciano Peña quiere que le conozca mejor el país en que nació y en que los cubanos se ven como en casa propia, porque ambas sangres han corrido juntas contra el mismo tirano; y a ese fin publicará en Santiago la Revista Lite­ra­ria Dominicense, que ya todos encomian y sa­ludan. A esa literatura se ha de ir; a la que en­san­cha y revela, a la que saca de la corteza en­sangrentada el almendro sano y jugoso; a la que robustece y levanta el corazón de Amé­rica. Lo demás es podre hervida y dedadas de veneno”.

[1 ]Don Manuel de J. Peña y Reynoso fue Ministro de Céspedes en la primera República cubana y también Ministro en su Patria, en el gobierno de Espaillat. Después de servir como patriota en Santo Domingo y Cuba se dedicó, en ambos países, al magisterio.

Bibliografía:
Rodríguez Demorizi, Emilio. Martí en Santo Domingo. 1978. Págs. 205-206

Junho e julho na EICTV: conheça quais são as opções de oficinas para estes meses

De Cuba-Cursos

 

EICTV-Cuba

 

 

Junho e julho são os meses em que a escola oferece as “oficinas de verão” que geralmente tem alta demanda e antecedem ao período de recesso escolar de agosto em que a escola permanece fechada.

Este ano entre as opções disponíveis estão: Roteiro Cinematográfico, Design de Figurino para Cinema e TV, Produção de Cinema de Baixo Orçamento e Montagem.

Seguem mais informações:

ROTEIRO CINEMATOGRÁFICO
(2 semanas) junho 22 – julho 3 com FRANCISCO LOPEZ SACHA (Cuba) 1200 Euros
Aulas teóricas e praticas sobre o processo de criação do roteiro cinematográfico passo à passo. Análise e discussão de filmes selecionados e práticas com exercícios de dramaturgia. O objetivo da oficina é converter o aluno (caso ainda não o seja) em um contador de histórias, dominando a arte de narrar aplicada ao roteiro de cinema, para roteiros de curta ou longa-metragem. No final do curso, o estudante terá elaborado um projeto de roteiro de longa ou finalizado um roteiro para um curta de 15 min.
o professor: Francisco López Sacha (Cuba). Escritor e professor de arte. Publicou romances, contos e ensaios em diversos países. Ele é presidente da Associação de Escritores de Cuba. Deu palestras em inúmeras faculdades e universidades em todo o mundo, entre as quais estão: Instituto Internacional de Teatro (ITT) de Praga, o Latinoamerican Youth Center em Washington DC, Casa de América de Madrid, New York e Havana, Universidade de Poitiers, França; Teatro Intimo de Dublin, Universidade de Oxford; Universidade Central da Venezuela, UNAM de México; Veritas, Universidad de San José Costa Rica.
OFICINA INTERNACIONAL vagas: 16

DESIGN DE FIGURINO PARA CINEMA E TV
(4 semanas) junho 22 – julho 17, 2015 com DERUBÍN JÁCOME (Cuba), DIANA FERNÁNDEZ (Cuba – Espanha), RAÚL RODRÍGUEZ (Cuba), EDUARDO EIMIL (Cuba), NIEVES LAFERTÉ (Cuba) 1800 Euros
Este curso – por meio de palestras, workshops e master-classes irá aprofundar a compreensão das peculiaridades criativas e organizacionais do design de figurino para cinema, desenvolvendo habilidades para a translação de instâncias dramatúrgicas à expressividade visual dos personagens, todas baseadas na atmosfera estética do filme.
Módulos:
Design de figurino para cinema. Projeto. 2) Teoria e História do Traje. 3) Linguagem cinematográfica. 4) Dramaturgia. 5) Fundamentos técnicos para os figurinos de cinema.
os professores:
Derubín Jácome: Estudou arquitetura, design teatral, e teatrologia. Também realizou estudos de pós-graduação de Design para Teatro, Cinema e Televisão da Escola de Artes Cênicas. DAMU, Praga, República Checa. Projetou cenários, luzes e / ou figurinos para mais de cinqüenta peças teatrais recebendo Prêmios e Menções pelo seu trabalho. Foi Diretor de Arte, Designer de Produção e Figurinista de mais de quarenta filmes, entre eles alguns dos mais importantes filmes cubanos: “La Bella del Alambra”, “Un Hombre de Éxito”, ”Cecilia” e “Juan de los Muertos”. Tem mais de 30 anos de experiência no ensino, fazendo planos e currículos para diferentes níveis de ensino do design na cena. Lecionou e dado seminários em várias instituições em Cuba, México, Checoslováquia, Sto. Domingo, Finlândia e Espanha. É membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha.
Diana Fernández: Estudo Design para Teatro e Teatrología. Como designer teatral criou os figurinos para mais de vinte peças. No cinema, criou figurinos para mais de vinte longas-metragens, curtas-metragens e séries de televisão No ensino, tem mais de trinta anos de experiência em Cuba, Espanha e outros países, como Equador, México, Nicarágua, Polônia, Finlândia e República Checa. Ele tem artigos e livros escritos e publicados em sua especialidade, entre eles: El traje: glossário de términos(1990),El traje: fundamentos para su diseño en la escena(1991); El traje: apuntes sobre su evolución histórica(1991), La moda en el vestir: consideraciones sobre su valor comunicativo(1996). Colaboradora regular de artigos em revistas como a arqueologia do século XXI. Ela recebeu prêmios e citações para suas pesquisas.
Raúl Rodríguez Formou-se no ICAIC (órgão oficial de cinema em Cuba) como editor de documentários em 35mm. Foi perador de câmara de documentários, longas metragens, e telejornais desde 1965. Desde 1976 fez a direção de fotografia de mais de 30 longas em 35 mm. Como fotógrafo documental e operador de sua filmografia abrange mais de 200 filmes. Ele apresenta no canal de televisão educativo cubano: “A arte do cinematógrafo”, um programas educacional sobre esta especialidade. Hoje trabalha fundamentalmente em vídeo digital.
Eduardo Eimil é roteirista e diretor de “El Televisor” e “La Maldita Circunstancia”, entre outras. Professor de atuação do Instituto Superior de Arte (ISA). Professor de Direção de Atores e de Realização Videográfica de Ficção na Universidad Autónoma de Cali, a Universidad del Valle e a Universidad Javeriana da Colômbia. Diretor e Dramaturgo de “Nuestro Pueblo”, “Zoológico de Cristal” “El Gallo Electrónico”, entre outras. Ganhador de vários prêmios Nacionais e Internacionais.
Nieves Laferté Estudou design na Escuela Nacional de Arte. Ganhou uma bolsa de estudos e foi estudar em Bratislava, uma espécie de Meca do teatro e do palco na Europa socialista. Trabalhou em pesquisa, ensino e projetos para cinema e outros gêneros. Sua obra está presente em filmes cubanos como Kangamba, La Anunciación, Verde, verde, entre outros.
CURSO DE ALTOS ESTUDOS vagas: 14

PRODUÇÃO DE CINEMA DE BAIXO ORÇAMENTO
(2 semanas) junho 29 – julho 10, 2015 com HÉCTOR TOKMAN (Argentina) 1200 Euros
A produção criativa nos filmes de “baixo orçamento”. Realização de um “Design de Produção” desde o ponto de vista dos novos formatos digitais. Análise de roteiro para cada etapa da produção. Ferramentas para resolver aslimitações de orçamento. Atividades práticas incluindo improvisação: Business Roundtable com “Pitching”.
o professor: Héctor Tokman: Comunicador Audiovisual da Faculdade de Cinema da Universidad Nacional de La Plata. Trabalha profissionalmente com câmera, fotografia, roteiro, direção e produção.
Co-fundador da Escola de Cinema em Mendoza e Diretor da Escola de Cinema, Vídeo e Televisão da Escola de Comunicação da Universidad del Mar em Valparaiso. (2002-2011). É o produtor executivo de três longas-metragens feitos por alunos da Escola de Cinema. Atualmente trabalha como professor no ERCCV, desenvolve projetos como roteirista e diretor, assessorias e treinamento para INCAA e a Secretaria de Cultura da Província de Mendoza.
OFICINA INTERNACIONAL vagas: 15

MONTAGEM: ESTRUTURA E RITMO
(2 semanas) julho 6 -17, 2015 com BERTA FRIAS (Espanha) 1300 Euros
Ao longo do workshop será feita a montagem de diferentes seqü.ncias para serem analisadas posteriormente. Da análise comparativa surgirá uma reflexão sobre as várias propostas narrativas e sobre as diferentes sensibilidades e pontos de vista. Sendo uma oficina teórica e prática, os temas abordados na fase teórica, serão revisitados ao aparecerem as dificuldades práticas durante o processo de montagem. Estudos de caso de seqüIencias selecionadas de grandes diretores, em oposição às seqü.ncias de séries de TV.
a professora: Berta Frias tem uma vasta experiência como montadora / editora, tendo participado em 10 longas metragens. Também liderou equipes de edição de curtas-metragens, making of e programas de TV. Neste link você pode ver uma amostra de seu importante trabalho como editora.
OFICINA INTERNACIONAL vagas: 15

Cuba procura seu caminho e se preserva uma nação altiva

Por Lalo Leal

Cuba vinha recebendo em média 2,5 milhões de turistas por ano. No primeiro trimestre de 2015, já chegam a 1 milhão. Isso sem que ainda tenham sido restabelecidos voos regulares com os Estados Unidos. Do Brasil, apenas uma agência de viagens coloca por ano em Cuba cerca de mil visitantes. A tendência é que em pouco tempo a ilha do Caribe, pouco maior que Pernambuco, receba tantos turistas quanto todo o Brasil.

Essa indústria foi implementada nos anos 1990 como forma de enfrentar a crise decorrente do fim do campo socialista combinado com o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, em vigor desde 1962. Se de um lado a política contribuiu para aliviar agruras econômicas, de outro trouxe para dentro do país hábitos e comportamentos diversos dos padrões igualitários de vida adotados pelos cubanos.

Músicos em Cuba / Foto: Lalo Leal
Músicos em Cuba / Foto: Lalo Leal

À semelhança do Buena Vista Social Club, brotam músicos que seguem levantando plateias, ao lado de conjuntos jovens de jazz com fortes sabores latinos. Vidas que pulsam.

No entanto, em uma visão impressionista, circulando alguns dias por Havana é possível perceber que a contaminação turística não tirou dos cubanos a altivez cunhada numa longa história de lutas em busca da soberania. Turistas são assediados por ofertas de serviços e produtos como em qualquer outro destino semelhante existente no mundo.

Mas tanto esses cubanos como principalmente aqueles que atuam em hotéis, restaurantes e lojas tratam os clientes de igual para igual, sem arrogância, mas nunca com submissão. Comportamento semelhante e decorrente da própria postura da nação, capaz de enfrentar da mesma forma os desafios impostos ao país há mais de meio século pela maior potência bélica do mundo, situada a poucos quilômetros.

“Pela primeira vez, na história da América Latina, uma revolução nacional deixaria de dissociar o elemento nacional do elemento democrático e, ao vencer, a ideia de nação arrasta com ela a construção de uma ordem social inteiramente nova e socialista” (Florestan Fernandes)

A altivez não se resume ao relacionamento turístico. Revela-se cada vez mais na discussão dos problemas internos. A universalização dos serviços públicos de educação e saúde, bem como a garantia de uma cesta básica de alimentação para todos, já não bastam. Passa-se a discutir a qualidade desses e de outros serviços, e as formas de colocá-los em prática.

Entre elas está a abertura mais recente de alguns setores da economia para prestadores de serviços “por conta própria”, como restaurantes e transportes de passageiros, dentro de limites estabelecidos em lei. Se a construção do socialismo cubano não foi fácil, sua consolidação em um mundo claramente hostil requer extraordinária habilidade política. Trabalho que inclui tanto as medidas internas mencionadas como a busca do reatamento de relações diplomáticas com os Estados Unidos, sem no entanto deixar de censurá-los por sua atitude belicosa diante da Venezuela.

Tudo isso, muitas vezes, passa despercebido pelo turista, especialmente o brasileiro de classe média que vai a Cuba e mede o país com sua régua capitalista. Pode ser pedir muito, mas seria interessante que antes de viajar folheassem o livro do professor Florestan Fernandes Da Guerrilha ao Socialismo: A Revolução Cubana. Diz ele, em trecho ressaltado no prefácio pelo professor Antonio Candido: “Pela primeira vez, na história da América Latina, uma revolução nacional deixaria de dissociar o elemento nacional do elemento democrático e, ao vencer, a ideia de nação arrasta com ela a construção de uma ordem social inteiramente nova e socialista”.

Entender essa nova ordem é fundamental, com seus avanços e recuos, erros e acertos. A leitura e a reflexão de trechos como esse tornariam a viagem mais proveitosa, acrescentando às praias e aos mojitos uma experiência de crescimento intelectual e espiritual inigualável. Sem falar da riqueza melódica a acompanhá-los por toda a parte.

À semelhança do Buena Vista Social Club, brotam conjuntos de músicos e cantores que, aos 70, 80 anos, seguem levantando as plateias com suas vozes e ritmos, ao lado de conjuntos jovens de jazz com fortes sabores latinos. Vidas que pulsam entre a defesa das conquistas obtidas e a busca de condições de vida mais confortáveis. Compreender esse desafio é tarefa fundamental para apoiar um processo histórico inédito no continente, onde a solidariedade busca se sobrepor ao individualismo.