Sobre o encontro com Gerardo Hernández, um depoimento pessoal

Depoimento pessoal no Facebook:

Gerardo Hernández no Museu da República em Brasília / Foto: JulianaMSC
Gerardo Hernández no Museu da República em Brasília / Foto: JulianaMSC

Acabo de sair do evento em homenagem à Gerardo Hernandez, um dos Cinco Héroes Cubanos ou, como diz Fernando Morais, um dOs Últimos Soldados da Guerra Fria. Que está livre, em Cuba, junto com os outros cinco. Como Fidel Castro havia dito: “Volverán!”.

Quando René, o primeiro deles, chegou a Cuba, tive a sorte de estar lá no mesmo dia (aqui meu eterno agradecimento à generosidade do colega Rony Curvelo). Pude ouvir o testemunho de um verdadeiro revolucionário. E pude abraçar um herói da nossa história contemporânea. Como hoje, quando também ganhei um abraço do Gerardo.

Não dá pra explicar como me sinto, o sentimento de gratidão por estar aqui, agora.

Me lembrei de quando, ainda adolescente, comecei a apoiar causas como a luta pela libertação de Timor Leste vendendo camisetas e adesivos para enviar mantimentos aos prisioneiros, produzindo panfletos para a campanha encabeçada pelo Frei Joao Xerri. Quando anos depois vi pela TV, Ramos Horta e Xanana Gusmão livres, em uma Timor também livre, entendi o que é ser um grãozinho de areia de uma utopia. Eles possivelmente jamais saberão quem eu sou. E eu até hoje não pude ir à Timor, abraçar meus irmãos de língua portuguesa. Mas a sensação de pertencer a essa história estará sempre aqui comigo.

Hoje também foi assim.

Há anos aprendi na juventude comunista que participar de atividades, reunir doações, produzir atos políticos, lutar em movimentos sociais, ou mesmo atuar como faço hoje, como jornalista do campo público e também do campo alternativo (muitas vezes, sabemos bem, com o sacrifício de nossas vidas financeiras e de nossas famílias) podia fazer alguma diferença. Hoje ouvi do próprio Gerardo, liberto de duas sentenças perpétuas, naquele auditório lotado de camaradas que sim, faz diferença.

A Cuba de agora, o lar para onde ele voltou, é outra. E vai continuar mudando. Mas o fato é que somos todos testemunhas desse marco da história humana. E de que, sem abrir mão de seus princípios e das conquistas da revolução (e sem esquecer os muitos que tombaram pelo caminho), essa pequena ilha caribenha e seu povo venceram a maior potência bélica da nossa era com apenas uma palavra: resistência.

Hoje, enquanto ouvia Gerardo, lembrei que estive, de diferentes maneiras ao longo da minha vida atuando na solidariedade a Cuba (e à Palestina e tantas outras pelas quais ainda lutamos). Me senti de novo como um minúsculo grão desta utopia em que também estão tantos ativistas, tantos companheiros, tantos lutadores e lutadoras que com pequenos ou grandes gestos, com muitos ou poucos recursos, mas sempre com muita criatividade, construímos todos os dias, essa imensa rede de solidariedade internacionalista.

Estou certa de que estamos todos ligados por invisíveis laços de amor à humanidade.

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