EUA tentam evitar que Venezuela ofusque reunião histórica com presença de Cuba

Barack Obama chega ao Panamá

 

Quando Cuba e os Estados Unidos reataram os laços diplomáticos no fim do ano passado, imaginava-se que a sétima Cúpula das Américas – que ocorre a partir desta sexta-feira, no Panamá, e receberá um presidente cubano pela primeira vez – iniciaria um novo capítulo na relação de Washington com a América Latina.

Mas a decisão americana de sancionar sete autoridades venezuelanas no mês passado ressoou mal entre líderes latino-americanos e foi condenada por organismos regionais, e o tema ameaça azedar o clima do encontro histórico na capital panamenha.

A Casa Branca tenta se afastar do tema venezuelano enquanto promove outras discussões na cúpula, como energia e mudanças climáticas. Os assuntos têm apelo especial na América Central e no Caribe, onde vários países tentam aumentar a geração de eletricidade e temem os efeitos da elevação dos oceanos.

Como parte da estratégia, o presidente americano, Barack Obama, antecipou em um dia uma viagem que faria à Jamaica para passar mais tempo com líderes da Comunidade Caribenha (Caricom) que estão reunidos em Kingston, capital jamaicana, e também participarão da cúpula no Panamá. Obama chegou à Jamaica nesta quarta e viaja ao Panamá na sexta. Segundo a Casa Branca, o assunto principal do tema de seu encontro com os caribenhos é energia.

Nas últimas semanas, autoridades americanas tentaram minimizar o impacto das sanções à Venezuela, dizendo que elas só afetam funcionários envolvidos em violações de direitos humanos. Em debate recente em Washington, a secretária assistente do Departamento de Estado americano para o Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, afirmou que o tema havia crescido “desproporcionalmente”.

“Nossa meta na Venezuela não é derrubar o governo”, disse Jacobson. Mesmo assim, ela classificou de “infeliz” o texto das sanções, que define a Venezuela como uma ameaça à segurança interna americana. Segundo ela, trata-se de uma linguagem padrão, empregada com frequência em ações do governo americano.

A Venezuela pode buscar no encontro respaldo dos vizinhos para uma condenação aos Estados Unidos no texto final do encontro. No entanto, como o documento é elaborado por consenso, Washington provavelmente bloquearia o item, e a cúpula poderia ser encerrada mais uma vez sem um acordo sobre a declaração final.

É também possível que o presidente Barack Obama aproveite o encontro para anunciar uma data para a reabertura da embaixada americana em Havana ou a remoção de Cuba da lista americana de Estados patrocinadores do terrorismo, gestos que sinalizariam sua intenção de acelerar a reaproximação com a ilha.

Segundo a Casa Branca, o presidente não marcou nenhum encontro com Raúl Castro durante o evento, mas Jacobson disse que eles provavelmente conversarão nos intervalos das sessões.

Será a primeira vez que Cuba enviará seu líder à cúpula e que todos os 35 países americanos estarão representados no evento. Na última reunião do grupo, em 2012, na Colômbia, alguns líderes latino-americanos ameaçaram boicotar o encontro seguinte se Cuba não estivesse presente.

Por pressão dos Estados Unidos, a ilha caribenha está ausente de reuniões interamericanas desde os anos 1960, quando rompeu os laços com Washington em meio à Guerra Fria.

Para o Brasil, o momento mais importante da cúpula também deve ocorrer longe dos microfones. No sábado, a presidente Dilma Rousseff se encontrará com Obama em particular. Segundo o Palácio do Planalto, a reunião deverá definir os detalhes da visita de Dilma a Washington.

A viagem estava originalmente marcada para 2013, mas foi adiada após as revelações de que Dilma havia sido espionada pela Agência Nacional de Segurança americana.

Para Paulo Sotero, diretor do Brazil Institute do Woodrow Wilson International Center for Scholars, em Washington, os problemas econômicos e políticos no Brasil farão Dilma focar no encontro os interesses imediatos do país, entre os quais melhorar as relações com os Estados Unidos.

Mas o Brasil não deverá ficar alheio aos outros grandes temas que permearão a cúpula, como a crise na Venezuela.

O Palácio do Planalto afirmou que, nesta quarta-feira, Dilma conversou pelo telefone com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Em nota, o governo diz que Dilma “ouviu do presidente Maduro a disposição de promover uma redução das tensões com os Estados Unidos”.

“A presidenta saudou a iniciativa de Maduro e colocou-se à disposição para contribuir nessa direção.”
Segundo a nota, também nesta quarta, Dilma conversou com o vice-presidente americano, Joe Biden, quando os dois confirmaram o encontro entre a presidente e Obama no sábado.

De acordo com Roberta Jacobson, secretária assistente do Departamento de Estado americano para o Hemisfério Ocidental, um dos temas sobre os quais as delegações americana e brasileira deverão tratar no evento são as negociações para a próxima cúpula climática da ONU (COP), em Paris, em dezembro.

Segundo ela, embora os dois países não estejam “na mesma página” sobre o assunto, o Brasil será crucial para a costura de um acordo global sobre a redução de emissões de gases.

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