Cuba e EUA negociaram em silêncio

Os novos diálogos acontecem em meio a um mal-estar na região, gerado pelas novas sanções do governo do presidente Barack Obama contra a Venezuela.

O terceiro encontro entre Havana e Washington transcorreu em clima profissional e os dois países concordaram em manter diálogo no futuro, informou o Ministério de Relações Exteriores de Cuba. A reunião foi “positiva” e “construtiva”, acrescentaram os EUA.

A terceira conversa entre Havana e Washington aconteceu em clima profissional e os países concordaram em manter diálogo no futuro, informou o Ministério de Relações Exteriores cubano.

Os encontros anteriores foram realizados em Havana, em janeiro, e em fevereiro em Washington. “Em 16 de março aconteceu em Havana um encontro entre delegações de Cuba e dos Estados Unidos para tratar de assuntos específicos relacionados com o processo de restabelecimento das relações diplomáticas entre ambos os países”, afirmou a Chancelaria em um breve comunicado, publicado em seu site. “A discussão de ontem [segunda-feira] foi positiva e construtiva e se manteve em ambiente de respeito mútuo”, disse o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano em uma breve declaração divulgada para a imprensa.

“Centrou-se no restabelecimento das relações diplomáticas e na reabertura das embaixadas”, acrescentou o documento. Nenhum dos lados deu mais detalhes sobre os temas abordados.

Fontes diplomáticas norte-americanas informaram de antemão que esta terceira rodada era uma reunião de menor proporção que as duas anteriores e que Jacobson, representante máxima do Departamento de Estado norte-americano para a América Latina, viajava desta vez para Havana com uma delegação menor.

Apesar da reserva que ronda esta nova etapa de negociações, descobriu-se que Cuba e Estados Unidos retomaram a conexão aérea entre Havana e Nova York com um voo charter, que terá frequência semanal e será operado pela agência de viagens norte-americanas Cuban Travel Services (CTS), no marco da melhoria das relações diplomáticas em que os dois países tentam avançar. A linha entre as duas cidades ficou aberta na manhã de terça-feira com um avião que saiu da capital cubana rumo à Grande Maçã, em que viajaram dez pessoas em uma aeronave que chegara à ilha com procedência de Miami, informaram fontes do aeroporto internacional José Martí.

A viagem de volta, procedente do aeroporto internacional JFK, de Nova York, chegou a Havana às 18h30 do horário local, segundo as fontes. Em fevereiro, CTS informou que o voo entre Nova York e Havana seria feito em um Boeing 737-800, alugado para a companhia norte-americana Sun Country. A empresa turística informou que trabalhariam com tarifas únicas: 849 dólares para ida e volta, e 1334 dólares para a classe executiva. Esta conexão se soma a outros novos serviços charter anunciados recentemente entre Estados Unidos e a ilha, como a travessia New Orleans e Havana, retomada no sábado passado, depois de 57 anos.

Neste contexto de aproximação, Estados Unidos esperam reabrir uma embaixada em Cuba antes da Cúpula das Américas, que acontecerá no Panamá, onde em 10 e 11 de abril estarão reunidos representantes de alto nível de todos os países do continente. A inesperada aproximação entre Washington e Havana, anunciada em 17 de dezembro, gerou grandes expectativas para o encontro, pois os presidentes Barack Obama e Raúl Castro estarão cara a cara pela primeira vez em uma reunião deste tipo.

A crise venezuelana e as tensões entre os dois países poderiam prejudicar o encontro. Além de Cuba, outros países da Alba, como Bolívia e Equador, aliados de Caracas, criticaram com dureza os Estados Unidos. Mas também a União das Nações Sul-americanas (Unasul), em que países como Colômbia, Chile e Peru mantêm relações mais cordiais com Washington, pediu que Obama revogasse a ordem executiva que impõe sanções à Venezuela.

Os novos diálogos acontecem em meio a um mal-estar na região, gerado pelas novas sanções do governo do presidente Barack Obama contra a Venezuela. O presidente norte-americano qualificou recentemente o contexto pelo qual o país caribenho passa como uma ameaça para a segurança nacional de seu país.

Apesar da aproximação com os Estados Unidos, Cuba criticou nos últimos dias com dureza o que considera uma agressão de Washington contra Caracas. “Não se pode tratar Cuba com uma cenoura e a Venezuela com um cassetete”, protestou o ministro de Relações Exteriores cubano, Bruno Rodriguez. Os países que integram o bloco da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), próximo ao chavismo, realizaram em Caracas uma cúpula extraordinária para estabelecer uma posição comum diante das ameaças norte-americanas, segundo a imprensa cubana. O ex-presidente Fidel Castro publicou uma carta que elogiava, entre outras coisas, a disciplina e o espírito das forças militares venezuelanas. Trata-se da segunda moção de apoio que Fidel envia a Maduro depois das sanções norte-americanas.

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