ARRANCADA DE DILMA PODE FAVORECER ALIADOS NOS ESTADOS

24/10/2014

Agora que o jacaré abriu a boca no gráfico das pesquisas, com uma diferença de seis pontos porcentuais entre as curvas de Dilma e Aécio Neves, a vitória da presidente-candidata tornou-se uma possibilidade mais concreta no horizonte de domingo. A onda pró-Dilma pode favorecer seus aliados que disputam a eleição para os governos estaduais em segundo turno. No primeiro, PMDB e PT, partidos centrais de sua base de apoio, foram os que mais elegeram governadores. Mas no domingo, o PMDB pode conquistar o maior numero de governos estaduais, estando no páreo em oito estados, com chances em ouros quatro.

O PSDB elegeu dois no primeiro, embora tenha perdido Minas e no domingo deve reeleger Marcone Perillo em Goiás, Já o PSB deve sair menor da eleição em que rompeu com o PT para lançar a candidatura de Eduardo Campos, depois substituída pela de Marina Silva. Ganhou em Pernambuco mas perdeu o Espírito Santo no primeiro. Agora deve ganhar o DF mas perder o Amapá. De cinco governadores, cairá para dois ou três. O PT tende a ficar em segundo lugar: elegeu três governadores no primeiro turno e pode ganhar no Ceará e no Acre no segundo.

         Ontem houve debates em todos os 14 estados onde haverá segundo turno no domingo para governador. As disputas são acirradíssimas em pelo menos sete deles, onde a situação ainda é de empate técnico na reta final: Acre, Amazonas, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba e Rondônia.

Os petistas que podem ser favorecidos pela arrancada de Dilma são Tião Viana, tecnicamente empatado como tucano Marcio Bittar no Acre. Camilo Santana, que assumiu a liderança no Ceará contra o peemedebista Eunício Oliveira; e Delcídio Amaral, que enfrenta o tucano Ronaldo Azambuja no Mato Grosso do Sul. Lula e Dilma vêm se esforçando para ajudar o governador Tarso Genro, que tenta a reeleição no Rio Grande do Sul, Tarso Genro, mas a liderança continua com o “azarão” do PMDB de oposição Jose Ivo Sartori.        No Amazonas, depois de perder a liderança na reta final do segundo turno para José Melo (PROS), o líder do governo no Senado, Eduardo Braga, é outro que pode crescer na esteira do arranque de Dilma. A situação lá também é de empate técnico. Outro que pode ser favorecido pela tendência final é Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho, no Pará. Lula e Dilma já estiveram lá fazendo comícios com ele, que enfrenta, em empate técnico, o tucano Simão Jatene.

Em dois estados, a disputa local segue alheia à disputa presidencial. No Rio os candidatos, Marcelo Crivela e Luis Fernando Pezão são aliados de Dilma. E no Distrito Federal, apesar da derrota de Marina, seu candidato Rodrigo Rollemberg (PSB) segue na frente, contra Jofran Frejat, do PR. O PT decidiu não apoiar nenhum deles.

         Um efeito nocivo do sistema de reeleição para o sistema político é o descasamento entre a eleição presidencial, no primeiro turno, e a eleição dos senadores e deputados federais. O grande número de candidatos a presidente contribui para a dispersão dos votos na eleição legislativa, produzindo um quadro como o que teremos agora, com 28 partidos tendo representação na Câmara e as bancadas dos maiores partidos encolhendo, o que não contribui para o bom andamento dos trabalhos legislativos: as negociações serão mais complicadas e o governo, vença quem vencer, terá de fazer concessões. A velha política é uma imposição do sistema, não uma opção pelo “atraso”.   Se a eleição parlamentar estivesse sendo agora, juntamente com o segundo turno presidencial, certamente os dois polos elegeriam um numero muito maior de aliados, fortalecendo tanto a base do futuro governo como a própria oposição.

         Se eleita, Dilma terá o apoio da maioria dos governadores mas no Congresso, ainda terá que negociar para ampliar a base de apoio. Teoricamente, os partidos que a apoiam elegeram 304 deputados mas até os cisnes do Congresso sabem que o fato de pertencer a um partido não garante apoio automático. Fidelidade partidária, entre nós, é apenas uma palavra no jargão político.

         No time dos candidatos que mantêm a vitória do primeiro turno nas sondagens do segundo, está Waldez Góes (PDT), no Amapá. Ele concorre com o atual governador do estado, Camilo Capiberibe (PSB). O pedetista consegue, por ora, a maior diferença entre um primeiro e um segundo lugar na reta final: está com 66% das intenções de voto, de acordo com Ibope divulgado na semana passada, contra 34% do rival.

Tereza Curvinel.
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